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Boston Dynamics abandona antropomorfismo e cria robôs realmente úteis

16 semanas atrás

Quando pensamos em robôs imaginamos coisas como o Tenente-Comandante Data, ou o C3PO, ou o Arnoldinho Sopa-De-Letra. Os ideais da ficção científica são quase sempre robôs humanoides, achamos prático e natural que criemos nossos robôs à nossa imagem.

Infelizmente o óbvio ditado pelo bom-senso nem sempre é a resposta correta. A natureza teve quatro bilhões de anos para aprimorar a forma humana, e mesmo assim ainda surgem exemplares questionáveis, como o Steve Buscemi, o Marilyn Manson e eu.

Coisas simples como andar ou manipular um objeto com os dedos exigem toneladas de processamento. A ideia de criar robôs humanoides, pois o mundo está adaptado para essa forma, faz sentido, mas é muito, muito complicada e quem disse que a forma humanoide é a mais prática?

Talvez tentáculos sejam mais eficientes e no nosso mundo asfaltado, rodas são mais eficiente do que pernas.

A Boston Dynamics está pesquisando o desenvolvimento de robôs de todos os tipos, do assustador Atlas aos cachorros-robôs tentaculares, mas a dificuldade de emular a movimentação humana deixa o Atlas... lento.

Idealmente eles teriam décadas para pesquisar à vontade, mas salários precisam ser pagos e investidores precisam de retorno, então faz sentido pensarem em respostas mais rápidas, robôs que sejam úteis mesmo não sendo um T-800. Entra o Handle, apresentado pela primeira vez em 2017:

Muito legal, ele tem estabilidade giroscópica em duas rodas, mas não é rígido, se inclina como um motociclista, garantindo estabilidade, mas convenhamos, a metáfora antropomórfica ainda é forte, ele tem um torso, tem braços. Que tal abandonar de vez o conceito?

Foi o que a Boston Dynamics fez, na versão apresentada hoje (29) o Handle abandonou o torso, agora as baterias e sistemas hidráulicos ficam na "cauda", que funciona como um contrapeso, equilibrando o robô para que seu braço/pescoço manipule cargas mais pesadas com menos esforço para os motores das rodas.

Nessa versão ele consegue manipular caixas de até 15 quilos, e perceba como ele não tenta imitar comportamento humano ou animal, o robô anda de frente e de costas, da forma que for mais eficiente para a situação.

Pela primeira vez eu vi um robô que não parece um carrinho de compras que está pronto para trabalhar nos armazéns de uma Amazon da vida.

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