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Tem uma pedra no meio do caminho da InSight

36 semanas atrás

A mais nova sonda marciana, a InSight (Interior Exploration using Seismic Investigations, Geodesy and Heat Transport) pousou dia 26 de Novembro de 2018, com o objetivo de desvendar um monte de mistérios em Marte, sem precisar sair do lugar. Agora ela deu de cara com um pequeno empecilho.

Quer dizer, foi tudo bem com o pouso, ela sobreviveu aos sete minutos de terror, abriu os painéis solares e depois de extensivo período de testes, começou a posicionar com sua garra os instrumentos científicos, incluindo o sismógrafo, com direito a uma tampa de panela pra proteger de vibrações criadas pelo vento.

Outro instrumento é o HP3, Heat Flow and Physical Properties Package, uma sonda que vai penetrar (ui!) 5 metros no solo marciano, puxando atrás de si uma fita de sensores térmicos. De tempos em tempos a sonda parará de cavar, emitirá pulsos de calor que serão medidos pela fita, criando um mapa de termocondutividade do solo marciano.

Junto com observações passivas, os cientistas conseguirão entender a quantas anda o núcleo de Marte, se ele está mais frio do que deveria, se está em movimento e talvez até desvendem o motivo de Marte não ter mais um campo magnético, mas o mais fascinante é a tecnologia em si.

Em outras circunstâncias seria muito mais simples e barato usar uma broca, um astronauta em meia-hora perfuraria o buraco, girando ou martelando, mas um robô não tem como fazer isso, ao menos não um com as limitações de peso da InSight. A solução foi fazer o que podemos descrever em termos altamente técnicos, um prego que se martela sozinho.

Todos os detalhes podem ser lidos no paper Hammering Mechanism for HP3 Experiment (InSight), mas basicamente o negócio tem um motor elétrico que puxa um martelo preso a uma mola. Quando ela atinge distensão máxima, o martelo é solto, atingindo a ponta do penetrador, que graças a Newton penetra alguns milímetros no solo.

Uma segunda mola absorve a reação (olha Newton aí de novo) evitando que o penetrador recue. Aqui o bicho funcionando num teste:

Houston...

A NASA escolheu  a região de pouso da InSight por ser uma área com poucas pedras, usando o raciocínio de que se há poucas pedras na superfície, há poucas debaixo da terra, e isso funcionou, até a sonda penetrar meio-metro no solo marciano. Ela encontrou uma pedra, inclinou-se uns 15 graus e continuou perfurando, mas agora ela não deu tanta sorte.

Quando o bicho já estava a 3 metros de profundidade, o penetrador não conseguiu mais penetrar, o que é perfeitamente normal, acontece com todo mundo, e se fosse comigo eu falaria com meu médico, entende? Só que o auxílio mais próximo da InSight está a dezenas de milhões de quilômetros, os cientistas estão com um abacaxi nas mãos.

Depois de suas sessões de 4 horas o penetrador não avançou, ele atingiu uma pedra grande demais para empurrar para o lado ou quebrar.

A situação não é ideal, ele não tem como dar ré, o jeito agora é examinar os dados com bastante cuidado pelas próximas semanas antes de decidir se vale a pena continuar ou se "montam acampamento" a 3 metros de profundidade, e tentam usar os dados assim mesmo.

Em teoria é possível medir a atividade térmica do núcleo marciano a 3 metros, ao invés de 5, só terão que lidar com mais "ruído térmico" da superfície.

O caso é só mais um dos milhares de exemplos em prol da exploração humana. Robôs têm sua utilidade mas nenhuma máquina chega aos pés da versatilidade humana, e o que pode significar o fim do experimento da HP3, se fosse com humanos corrigir a broca seria super-fácil, pouco mais que uma inconveniência.

Fonte: Universe Today

 

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