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Facebook se recusou a impedir compras em games feitas por crianças

Documentos revelam que o Facebook lucrou com cobranças indevidas de microtransações em jogos, feitas por crianças com cartões de crédito dos pais

45 semanas atrás

Outro dia, outra presepada do Facebook. Documentos revelados na última semana mostram como a rede social, de forma consciente e deliberada enganou diversas crianças, que realizaram compras em jogos de forma obscura, com várias acumulando dívidas enormes nas faturas do cartão de crédito dos pais, e se recusando a devolver o dinheiro.

TheDigitalArtist / cubo mágico Facebook / Pixabay

O caso não é exatamente novo, as primeiras denúncias contra o Facebook datam de 2012. Na época, uma ação coletiva buscava obrigar a companhia a devolver o montante que ela cobrou por microtransações realizadas por seus filhos, enquanto estes jogavam alguns dos títulos disponíveis na plataforma. O autor original alegou que o filho de sua cliente fez uma compra inicial de US$ 20 em um jogo, mas de forma desconhecida até para o garoto, o Facebook continuou fazendo cobranças de maneira oculta, ou não completamente clara.

Quando a fatura do cartão chegou, obviamente com um valor absurdo, a mãe da criança solicitou ao Facebook que devolvesse o valor excedente, o que ela se recusou a fazer, o que levou a uma ação de vários usuários na mesma situação. O caso foi encerrado em 2016 e de forma confidencial, mas o site Reveal solicitou judicialmente o acesso ao processo e aos documentos, por trazerem informações importantes que envolvem transações comerciais feitas por menores de idade.

Na segunda-feira (21) o tribunal concordou em divulgar alguns dos registros, e deu ao Facebook um prazo de dez dias para disponibilizar as mais de 100 páginas do processo de forma pública. Mas o pouco que o site teve acesso revelou que a rede social possuía um esquema muito elaborado, feito exclusivamente para arrancar dinheiro de crianças.

De acordo com os documentos do processo, o sistema de pagamentos do Facebook era propositalmente confuso e fornecia poucas informações, de modo a confundir crianças e adultos. A rede social armazenava os dados do cartão de crédito e meios de pagamento, e realizava novas e contínuas cobranças conforme a criança continuasse jogando, sem informar de forma clara a respeito de cada transação.

O Facebook teria reconhecido que o sistema de cobrança de games na rede social funcionava em um regime livre de confirmação, desenvolvido de forma a continuar realizando cobranças sem pedir dados ou sequer informar que estava arrancando cada vez mais dinheiro do usuário; a rede sempre soube que isso era uma falha de design, mas a implementou deliberadamente e a ordem dada aos funcionários era de "maximizar a receita", independente do resultado.

Os documentos revelam também que enquanto alguns funcionários e desenvolvedores buscaram corrigir o problema, a posição do Facebook foi a de manter tudo como estava, de modo a manter o dinheiro fluindo. O processo também mostra que a postura do Facebook foi a de sempre recusar devolver o dinheiro dos usuários que resolvessem reclamar por cobranças indevidas, o que eventualmente levaria a ações na justiça.

O Facebook até tinha um termo para tal prática: "fraude amigável".

Ainda que o processo já tenha sido encerrado, a revelação dos documentos agora vem se somar ao crescente número de escândalos em que a companhia se envolveu nos últimos anos, e é mais um exemplo de como ela lida com seus usuários.

Com informações: Reveal.

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