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Confirmada série de Star Trek da Seção 31 com Michelle Yeoh

Star Trek vai emplacar mais uma série, dessa vez envolverá a Seção 31, a organização secreta que manipula a Frota Estelar. E será estrelada por ninguém menos que a  Michelle Yeoh, nossa Imperadora do Mal favorita!

31 semanas atrás

Quando a Nova Geração foi lançada, vimos uma linda continuação da quase-utopia criada por Gene Roddenberry, mas havia algo que incomodava: a Federação era muito perfeitinha, sempre moralmente superior, idealizada até demais.

Muito raramente a "corrupção" estava dentro da Federação, eles sempre eram os grandes salvadores, ajudando povos primitivos com seus valores elevados. Haviam vencido a ganância, o egoísmo, todos agora trabalhavam em prol de um futuro melhor, em uma sociedade sem pobreza, doenças ou dinheiro.

Funciona? Com certeza, a Nova Geração foi excelente, mas por outro lado em algum momento aquela humanidade perfeitinha cansa, sentimos falta de um Harry Mudd para agitar a mesmice. E isso não era algo que só os fãs estavam sentindo, tanto que em 1993 surgiu aquela que muitos consideram a melhor série da franquia de Jornada nas Estrelas: Deep Space Nine.

Deep Space Nine desafiou tabus entre os fãs ao fugir completamente da premissa de uma nave explorando o Universo, e para piorar o protagonista da série era um... vamos ver como posso colocar isso sem soar preconceituoso? OK, na lata: Ele era um reles Comandante, não um Capitão.

Deep Space Nine mostrou um lado muito mais cru do Universo do que estávamos acostumados. Na Estação a Federação tinha que conviver com um mundo cinza, a Major Kira, segunda em comando, havia sido uma líder rebelde no final dos 60 anos de ocupação Cardassiana de Bajor, ou uma terrorista, se você perguntar ao inimigo.

Benjamin Sisko tinha que gerenciar líderes religiosos, disputas políticas, feridas de guerra do passado que insistiam em reabrir, e uma presença Cardassiana que insistia em não abandonar a região. A série era tão punk que a Estação Nove originalmente havia sido uma unidade de refino de minério, usando mão-de-obra escrava.

Em Deep Space Nine foi ampliada a história dos Maquis, um grupo rebelde formado por colonos bajorianos e oficiais da Frota Estelar que, abandonados pela Federação formaram um grupo terrorista para proteger seus planetas dos cardassianos. O lindo da história é que não é simples, são planetas na fronteira que, com o acordo de paz fechado pela Federação, passaram ao controle cardassiano, contra a vontade de seus habitantes.

Yes, crianças, a Federação, os mocinhos da história caçavam colonos que pegaram em armas pra defender suas casas e famílias. Cinza o bastante pra você? Calma que piora. Deep Space Nine tem traições de alianças, decisões pragmáticas afetando sistemas inteiros e algo raro em séries de TV: guerra com consequências.

Então na sexta temporada, no episódio Inquisição, a casa caiu. É um episódio tenso onde o Dr. Bashir é interrogado por um agente dos Assuntos Internos da Frota, por suspeita de ser um espião do Dominion, o plot twist final é que o tal agente não existe, era um agente da Seção 31, uma organização paralela que existe desde antes da criação da Federação.

A Seção 31 é batizada em referência ao Artigo 14, Seção 13 da Carta da Frota Estelar, que descreve como em momentos de extrema necessidade, as "regras podem ser contornadas" em prol da sobrevivência da Frota, e mais tarde da Federação.

Eles são um grupo ultrassecreto, que não tem problemas em se aliar com inimigos com objetivos em comum, cometer assassinatos políticos e, em uma ocasião planejar o genocídio de uma espécie inteira.

Muitos momentos históricos na mitologia de Star Trek foram renomeados para implicar influência da Seção 31, que apareceu em 5 episódios de Deep Space Nine, 4 de Enterprise, no filme Into Darkness e em dois episódios de Discovery, embora tecnicamente um tenha sido uma referência visual e outro uma cena pós-crédito, mas uma cena muito importante.

Discovery errou muito, muito mesmo, mas acertou em cheio quando migrou a ação para o Universo do Espelho, onde a falecida Capitã Georgiou, que se tornou a Rainha da Carne Seca, a bambambam, capa di tutti capa, a Imperadora (assim mesmo) do Império Terrestre.

O Universo do Espelho surgiu no episódio Mirror, Mirror, da Série Clássica, que foi ao ar em 6 de outubro de 1967, é um universo alternativo onde a Terra se tornou um Império implacável, cruel, vilanesco, todas as nossas piores características são ampliadas ao máximo, as pessoas estão acostumadas a esfaquear seus superiores pelas costas pra conseguir uma promoção, e isso não é uma metáfora.

Deep Space Nine teve vários episódios passados no Universo do Espelho, bem como Enterprise, que mostrou o surgimento do Império terrestre, com direito a uma abertura especial para esses episódios. Esta é a abertura normal:

Está é a do Universo do Espelho:

O sucesso dos episódios do Universo do Espelho é bem óbvio, o espectador adora ver os personagens de sua Utopia de Estimação funcionando em uma distopia, é a mesma sensação de liberdade das histórias de zumbis, onde há violência sem consequência ou julgamentos morais. A versão adulta de crianças brincando de polícia e ladrão, bang bang você está morto, mas só de mentirinha.

Em Discovery eles conseguem aplicar um golpe fatal no Império, tornando a situação insustentável para a Imperadora, que no final ainda vai parar no nosso universo e é fundamental para virar a mesa e vencer a guerra com os Klingons, que estava indo muito mal pra Federação.

Uma temporada que começou muito confusa e desencontrada terminou de forma excelente, a Capitã, uma personagem sem-sal e que morreu antes que a gente pudesse ter qualquer apego por ela, se tornou uma supervilã e mais tarde uma... anti-heroína? Eu realmente não sei como caracterizar a Capitã, ela fez a coisa certa por motivos egoístas, é uma arquiteta de planos malignos má feita a pica-paula.

No final da temporada ela foi recrutada pela Seção 31, e agora veio a notícia (que confirmou os rumores) de que Michelle Yeoh retornará com a personagem em uma série sobre a Seção 31.

Jornada nas Estrelas mais uma vez está quebrando tabus e expandindo as fronteiras da televisão, nunca antes na história dessa franquia tivemos uma série estrelada por uma vilã, e contando a história do ponto de vista do lado "errado".

Por muito tempo os fãs pediram uma série sob o ponto de vista dos Klingons, os produtores nunca fizeram por ser cara demais e "alienígena" demais, e também havia o estigma dos russos, digo, Klingons, serem aliados voláteis, mas agora conseguiram a combinação perfeita para uma série fora da jurisdição da Federação, com intriga, espionagem e Michelle Yeoh a Japa* do Mal chutando bundas.

Sei que é cedo, mas corre o sério risco dessa série da Seção 31 ofuscar Discovery e se tornar A referência de Star Trek para o Século XXI.

* EU SEI.

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