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Resenha: Star Trek – Starfleet Academy

Descubra como Starfleet Academy surpreende fãs de Jornada nas Estrelas com humor, referências e novos personagens

20 semanas atrás

Starfleet Academy é a mais recente encarnação de Star Trek na TV, depois de altos e baixos, como o inexplicável cancelamento precoce de Lower Decks, Prodigy, e Strange New Worlds. Alguns viram como uma volta ao execrável questionável polêmico controverso multifacetado universo de Star Trek Discovery.

A imagem é um cartaz promocional da série "Star Trek: Starfleet Academy", uma produção original do Paramount+. O design apresenta os personagens principais de forma vibrante e acolhedora, dispostos em uma pose relaxada sobre a grama verdejante num campo ensolarado.No centro da composição, seis jovens atores — cinco mulheres e um homem — estão espalhados no gramado, com as pernas esticadas ou cruzadas, sorrindo para a câmera ou olhando entre si, transmitindo uma sensação de amizade e camaradagem. Eles vestem uniformes que misturam elementos futuristas com o estilo mais casual dos anos 2000/2100; alguns usam jaquetas vermelhas com detalhes dourados (associadas à Academia Estelar), enquanto outros têm roupas bege-claro com listras laterais azuis, típicas das fardas da Starfleet. Os rostos são expressivos: há quem sorria amplamente, alguém encara diretamente a câmera com confiança, outro parece estar pensativo mas ainda assim feliz. A iluminação natural vem de cima direita, criando sombras suaves e realçando o brilho nos cabelos e nas roupas. Ao fundo, flores silvestres coloridas pontuam o cenário verde, adicionando vida ao ambiente. À esquerda, destaca-se o título “STAR TREK STARFLEET ACADEMY” em letras maiúsculas brancas e modernas. Abaixo, está escrito “NEW SERIES STREAMING JAN 15”, informando a data de lançamento na plataforma. No canto inferior esquerdo, aparece o logotipo do “Paramount+ ORIGINAL”. Na parte inferior direita, há pequenas informações legais sobre copyright e marca registrada. Em geral, o cartaz transmite energia positiva, frescor e esperança, alinhado ao tema de formação de novos astronautas e exploradores da galáxia. É claramente feito para atrair espectadores interessados em ficção científica juvenis e dinâmicos.

Sim, eu também tiver urticária com esse pôster (Crédito: Paramount)

Starfleet Academy – A Promessa

A série é uma proposta bem antiga, desde os anos 1970 fala-se de uma série mostrando o dia-a-dia dos cadetes da Frota Estelar, e episódios d'A Nova Geração (1987-1994) focados em Wesley Crusher e na Academia ajudaram a manter a ideia da série viva.

Apesar de menções e até aparições em outras séries, como Voyager, a Academia só foi ter uma presença maior no injustiçado Star Trek: Prodigy, uma animação vendida para crianças mas que na verdade era uma declaração de amor a Star Trek e seus Ideais.

Star Trek: Discovery gerou um spin-off altamente elogiado: Strange New Worlds, uma série muito mais otimista, colorida e inteligente, uma volta à Star Trek de antigamente, com roteiros e espectadores inteligentes, capazes de entender metáforas e discutir questões sociais sem discurso militante rasteiro enfiado goela abaixo, como em Discovery, uma série onde se preocupam com os sentimentos do computador da nave.

Quando Starfleet Academy foi anunciada como um spin-off direto de Discovery, seguindo a mesma linha, muita gente ficou preocupada da série ser depressiva, amargurada e chorona como sua antecessora, mas a situação piorou quando apareceu este pôster aí de cima.

Muita gente (ok, talvez somente eu) lembrou da versão teen de Stargate SG-1, apresentada no delicioso episódio 200 da série...

Se há algo que Star Trek não precisa é drama adolescente, e todo mundo já pegou implicância com Barrados no Holodeck, Star Trek 90210, Dawson’s Trek ou seja lá como você prefira chamar.

Alguma Esperança foi mantida quando revelaram que Robert Picardo reprisaria seu papel como o médico holográfico de Voyager. Ele havia aparecido em Prodigy, mas sua última aparição “ao vivo” foi em 2001, no episódio final de Voyager, “Endgame”. Mesmo assim, fomos assistir ao primeiro episódio de Starfleet Academy com uns 5 pés atrás e umas 18 pedras na mão.

Não sei se foi a estratégia do bode na sala, mas mesmo procurando bastante, não achei nada explicitamente “ofensivo”, não há clima soturno de Discovery, a série é bastante focada em humor, referências, homenagens e um elenco diverso (no bom sentido) e jovem, mas não “jovem” (no mau sentido).

Starfleet Academy: A Premissa

Por volta do ano 3069 (nice!) um alienígena em crise emocional desencadeia um evento psíquico que torna inerte todo o dilítio da galáxia, imediatamente explodindo qualquer nave estelar que estivesse com o núcleo de dobra ativo. Isso quase destruiu a Federação Unida dos Planetas, a ponto da própria Terra abandonar a organização. Aos poucos as várias forças do Quadrante foram se reerguendo, e a chegada da Discovery, em uma viagem temporal de 1000 anos ajudou a Federação a se reconstruir.

Após 120 anos do Evento (conhecido em pt-br como A Queima) a Academia da Frota Estelar será finalmente reaberta, e o Almirante Vance (de Discovery) tenta convencer a chanceler Nahla Ake (Holly Hunter) a retomar seu posto na Frota e comandar a Academia.

A imagem mostra uma cena de ficção científica, provavelmente dentro de um cockpit ou centro de controle de nave espacial futurista.No centro da composição está uma jovem mulher com cabelos loiros ondulados e compridos, que se encontra relaxada em uma cadeira ergonômica e moderna. Ela veste um uniforme vermelho vibrante, típico de personagens militares ou cientistas de exploração espacial, com detalhes metálicos nas mangas e no peito do casaco. Seus pés estão descalços sobre o console, calçando botas altas escuras, sugerindo um ambiente funcional e tecnológico. Sua expressão é serena e pensativa; ela olha para a câmera com um leve sorriso, transmitindo confiança e tranquilidade apesar do cenário dinâmico ao redor. O fundo apresenta painéis luminosos azuis e ciano exibindo gráficos complexos e dados, indicativos de sistemas de navegação, comunicação ou monitoramento. A iluminação geral é quase totalmente artificial — tons frios predominam nos telões, contrastando com os reflexos dourados e laranjas das luzes internas dos consoles e dispositivos próximos à protagonista. Um destaque visual importante é um pequeno LED quadrado emitindo luz amarela intensa na parte inferior direita da imagem, próximo a um elemento estrutural angular do equipamento. A estética da sala combina elementos retrofuturísticos: linhas curvas suaves combinadas com superfícies lisas e materiais como plástico brilhante e metal polido. O design evoca décadas passadas (como os anos 70-80) mas reinterpretado num contexto científico avançado, reforçando a atmosfera de aventura espacial. Em resumo, a foto transmite uma sensação de elegância técnica, conforto operacional e personalidade forte, retratando alguém dominando seu espaço enquanto descansa — talvez durante uma pausa estratégica antes de enfrentar novos desafios intergaláticos.

Holly Hunter. Por algum motivo o povo ficou ofendido com a forma com que ela senta na cadeira (Crédito: Paramount)

Ela está relutante, pois abandonou a Frota depois que foi forçada a separar um garotinho, Caleb Mir, de sua mãe, Anisha Mir. Anisha havia se envolvido com um vilão de quadrinhos mastigador de cenários e torcedor de bigodes, Nus Braka (deliciosa e exageradamente interpretado por Paul Giamatti).

Caleb é achado em uma colônia alienígena, e a Federação convence seus captores a entregá-lo, e ele servirá na Academia da Frota, ao invés de ir para a cadeia. Parece um recurso de roteiro, mas é uma tradição naval de séculos e séculos.

Caleb aceita, relutante, com a promessa de Ake que ela ajudará a procurar a mãe de Caleb, fugitiva de uma colônia penal.

Nesse momento você pode estar achando que Caleb lembra muito Michael Burnham, a protagonista chorona e deprimida de Discovery, e não poderia estar mais errado. Caleb tem seus demônios, mas também se diverte, e quando precisam dele, está presente com seus conhecimentos, truques e artimanhas. Ele não confia na Frota Estelar nem é muito fã de Autoridade, mas sabe navegar por entre as situações.

A imagem mostra dois personagens em uma cena de confronto ou tensão intensa, dentro do que parece ser um ambiente futurista e tecnológico — provavelmente a cabine de comando de uma nave espacial.À esquerda, há um homem com aparência alienígena: ele possui uma cabeça grande e redonda, pele clara e textura irregular na testa, além de cabelos escuros e encaracolados nas laterais da cabeça. Sua face é marcada por uma expressão feroz, com os olhos semicerrados e o rosto contraindo como se estivesse gritando ou prestes a atacar. Ele tem barba rala e tatuagem complexa no pescoço e na parte lateral da cabeça, parecendo feita de padrões geométricos ou tribais. Veste uma jaqueta preta com detalhes metálicos brilhantes, incluindo zíperes decorativos e adornamentos que lembram correntes ou estruturas orgânicas. À direita, está uma mulher loira, com cabelos longos, ondulados e levemente desgrenhados, iluminados pelo vermelho intenso das luzes ao fundo. Ela veste uma roupa vermelha com mangas curtas e colarinho militarizado; parece ser uniforme de oficial (talvez da frota Starfleet). Seu rosto está voltado para o homem, mas ela não demonstra medo nem raiva – sua expressão é calma, séria e determinada, quase impassível, sugerindo que ela controla a situação apesar da pressão. O cenário envolve painéis curvos, luminosos e tubulações industriais típicas de ficção científica, tudo banhado numa atmosfera avermelhada e dramática, criando um forte contraste entre as duas figuras. A composição fotográfica foca nos rostos dos personagens, destacando a tensão emocional e psicológica entre eles.

Paul Giamatti e Holly Hunter se divertiram horrores (Crédito: Paramount)

O peixe fora d’água da série é SAM, ela é Kasqian, nascida, ou melhor, criada em uma colônia de hologramas sencientes (eles preferem “Fotônicos”), e o Doutor da Voyager é seu ídolo. Ela recebeu a pior das maldições: Foi programada para “nascer” como uma adolescente de 17 anos, com todas as neuras, inseguranças, dúvidas e sandices dessa idade. Ela tem que aprender a conviver com outras espécies e a crescer, naturalmente.

Outra personagem que se destaca é Lura Thok, ela é cadet master da Academia e primeiro-oficial da USS Athena. Ela é uma mestiça de Klingon com Jem’Hadar, o que deve ter rendido uma lua de mel de proporções apocalípticas.

Gina Yashere e Tig Notaro como Lura Thok e Jett Reno, duas excelentes comediantes esmerilhando em seus papéis (crédito: Paramount)

Imagine uma mistura do R. Lee Ermey com o Sargento Highway. Ela acaba com toda a marra e rebeldia do Caleb Mir em UMA CENA. É a Sargento Instrutora perfeita, interpretada por Gina Yashere, seguindo a não tão longa tradição iniciada por Zoe Saldaña de atrizes negras brilharem em personagens azuis.

O elenco de Starfleet Academy é bem grande, mas nenhum dos personagens é coitadinho, ninguém entrou “por cota”, e ninguém precisa de muleta. Mesmo Darem Reymi, que faz o equivalente ao jock do grupo, um tipo marrento, playboyzinho e meio antipático, ajuda a salvar a nave e como bom filho da pátria, não foge à luta.

As Referências

Starfleet Academy não tem medo de mencionar o passado, há referências diretas a Star Trek: Prodigy e seus personagens. Um Brikar aparece em uma cena, para um fã de Star Trek foi a mesma emoção de ver o Zeb Orrelios no Mandalorian, para um fã de Star Wars.

Também temos Exocomps, os robozinhos sencientes que surgiram n'A Nova Geração, mas a referência aqui é ao Peanut Hamper, o Exocomp que aparece em Lower Decks.

Não é a Rok-Tahk, de Prodigy, só usaram o mesmo modelo 3D (Crédito: Paramount)

Há piadas ótimas, como o Doutor pedindo um tricorder, para em seguida corrigir o cadete “tricorder MÉDICO”, uma referência ao primeiro episódio de Voyager.

Foi um prazer assistir ao episódio pensando “nossa que legal mencionarem isso”, ao invés de “que diabos estão fazendo com Star Trek?”

Desbocados e Sem Postura

Há chatos reclamando que a atitude da Chanceler Nahla Ake não é muito “profissional”. Ela senta com os pés na cadeira de comandante, aparece andando descalça e não liga muito pro protocolo da Frota. Parte disso vem de sua origem, ela é metade Lantanita, uma raça com extrema longevidade, que convive discretamente entre humanos pelo menos desde o Século XXI. Ela já viveu e viu muita coisa para se importar com formalidades.

De resto, os Jovens em Starfleet Academy, ao contrário dos jovens puritanos daiInternet, falam bastante palavrão. São desbocados mesmo, quase como se estivessem em uma série de um canal premium, e não fossem sujeitos às regras de censura do FCC aplicadas aos canais abertos.

Hatehatehatehatehate

Como era de se esperar, Starfleet Academy está sofrendo review-bombing, com vídeos subindo antes mesmo da série ir ao ar, com todo mundo usando os mesmos argumentos e apontando os mesmos “defeitos”, nada suspeito, claro. Na prática, a série é um saudável meio-termo entre o saudosismo de Strange New Worlds e a distopia de Discovery. Ainda é cedo para ver como ela tratará questões difíceis, e se os personagens se sustentarão, mas nas palavras de quem detesta Discovery e se pega ao pouco que se salva - Imperadora Georgiou, Jett Reno, Capitã Killy -, há muito pouco o que odiar em Starfleet Academy.

Claro, há críticas válidas, como a chanceler aparecer usando óculos. Onde já se viu alguém vivendo no futuro de Star Trek, usando óculos?

James Kirk em ST-2 (Crédito: Paramount)

Também há a crítica de que alguns personagens são... argh... gordos. Isso non ecziste em Star Trek, até prova em contrário.

No espaço não existe Ozempic! (Crédito: Paramount)

O que mais falta para destruírem a utopia de Gene Roddenberry, um capitão careca?

Starfleet Academy: Produção e Cenários

Foi-se o tempo dos cenários de papel machê, e externas filmadas nas rochas Vasquez. Starfleet Academy segue a linha de gastar muito dinheiro em cenários extravagantes, extremamente detalhados. A todo momento tempos a impressão que a USS Athena, a nave que serve de Academia é gigantesca, se a Enterprise da linha de tempo Kelvin parecia uma cervejaria, a Athena parece um imenso shopping centre, com laguinhos, chafarizes, elevadores panorâmicos e com certeza uma Casa & Vídeo no final de algum corredor.

Há vários personagens alienígenas, o que responde à perene crítica klingon de que a Federação era um clubinho só para homo...sapiens. É um ambiente com alta densidade de pessoas, como toda escola de verdade. O orçamento de VFX com certeza superou o de todas as outras séries.

O que ainda não funciona

Há uma falta de... história. Sei que ainda estão apresentando os personagens e aclimatando o espectador, mas com dois episódios veiculados, já se passaram 20% da primeira temporada, é bom que o terceiro engrene com o que Star Trek tem de melhor, pois até agora não temos nem “Star Trek” nem novelinha de adolescente, pois por incrível que pareça, até agora ninguém pegou ninguém. Esses cadetes deveriam ter vergonha de caminhar pelo Pavilhão James T. Kirk.

O que está funcionando

Personagens antigos sendo respeitados, personagens novos interessantes e com motivações reais, o clima de otimismo de Star Trek, com a Federação sendo reconstruída, um vilão deliciosamente malvado, e um lado da Frota raramente explorado, além de um humor que sempre esteve presente em Star Trek, mas que havia sido expurgado em Discovery.

O que definitivamente não funciona

A música. O tema de Starfleet Academy é, perdoem meu francês, uma imensa bosta. É totalmente genérico, com uma abertura sem imaginação, qualquer IA produziria algo melhor. O irônico é que a trilha da série está ótima, com direito a flashbacks e tudo.

Conclusão

Starfleet Academy é muito mais do que eu estava esperando, mesmo levando em conta que eu não esperava nada dela. Está sendo divertida, não é panfletária nem mão-pesada. Tenta ser Star Trek para os novos tempos, sem ofender a inteligência do espectador. Antes eu celebrava terem dito que só fariam duas temporadas. Depois de dois episódios, espero que mudem de ideia.

É a MINHA Star Trek? Com certeza não, minha Jornada nas Estrelas começou com Kirk, Spock e McCoy, primeiro nas reprises, depois no cinema. “Minha” Star Trek terminou com a USS Enterprise rumando para a segunda estrela à direita, seguindo em frente até amanhecer. Tudo que veio depois era diferente, mas mesmo bem fundo, a semente estava lá.

Até a desprezível Discovery teve seus momentos, com o Guardião da Eternidade e o Universo do Espelho. Star Trek é grande demais para ser estragada por uma série.

Starfleet Academy está sendo uma surpresa, como foi Prodigy, e é um prazer ser surpreendido assim. Que venham muitas outras!

Trailer:

Cotação:

4/5 Exocomps

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