Jaguar testando tecnologia Pixar (mais ou menos) para deixar carros autônomos mais confiáveis

Fãs de ficção científica gostam de imaginar um futuro harmonioso com humanos, alienígenas e robôs convivendo em paz, serelepes e felizes, mas a realidade dificilmente será assim. Nós somos desconfiados demais. Não é nossa culpa, evoluímos assim. Quem era confiante demais e ia bater papo com a tribo do outro lado do rio acabava no caldeirão.

Nós somos tribais (não tribalistas, aí é forçar a amizade) até o osso. Nos agregamos em grupos que falam pensam e se parecem conosco. Naturalmente achamos que o parecido é seguro, o diferente é perigoso. Esse comportamento existe até mesmo em bebês, que aos seis meses de idade já reconhecem e preferem humanos da mesma etnia.

Como somos adaptáveis, nossas tribos variam. Às vezes há competição com o prédio do lado ou com a turma da rua de baixo. No colégio minha classe tinha uma turma “inimiga”, mas todos nos uníamos contra o pessoal das séries mais altas.

Um dos filmes mais realistas sobre contato extra-terrestre é Distrito 9, e Eu, Robô, com todas as suas falhas traduziu bem a desconfiança com a inteligência artificial que Asimov em sua maturidade percebeu que seria inevitável. Bolas, já acontece faz tempo. Eu desisti de ter secretária eletrônica quando percebi que a grande maioria das pessoas desligava quando percebia que uma máquina havia atendido.

Hoje em Call Centres as URAs atendem simulando uma pessoa real, é cômico e totalmente dentro do Vale da Estranheza, mas é uma tentativa.

A desconfiança com tudo que é novo e diferente serve também para drones, a Martha Stewart disse que usava drones pra inspecionar o sítio dela e foi acusada de assassina. As pessoas acham que drones são robôs da Skynet, pouca gente tem a percepção de que são apenas ferramentas com humanos na outra ponta (ok tecnicamente com humanos nas duas pontas).

A automação de trens é pouco divulgada por esse exato motivo, psicologicamente a idéia de um trem “sem” operador é assustadora, mesmo que não faça diferença nenhuma se o cara está na cabine ou numa sala de controle. Carros então… se você fala de carros autônomos nerds pensam no K.I.T.T. pessoas normais lembram de Christine.

Quanto mais velha a pessoa menos ela confia em automação.  Uma pesquisa sobre carros autônomos mostrou que a geração nascida entre 1946 e 1964, só 23% confiam em carros autônomos. Dos nascidos antes de 1946, o número cai para 18%. Não importa que os fatos comprovem que o Piloto Automático da Tesla reduz acidentes em 50%. Fatos são irrelevantes diante de crenças.

Mesmo entre millenials, só 56% confiam em carros autônomos, e isso é um problema quando um monte de serviços começarem a usar carros sem motorista pra fazer entrega e transporte de material.

A Jaguar-Land Rover resolveu testar soluções para esse problema, e uma delas é ridícula mas funcional: Olhos.

Isso mesmo, carrinhos autônomos com olhos geram empatia e criam um feedback que acalma o pedestre, quando o carro faz “contato visual”  o pedestre acha que aí sim o carro tomou conhecimento da presença dele, e atravessar a rua se torna seguro, veja:

Óbvio que ninguém está propondo um Tesla com googly eyes, ficaria ridículo, veja:

Já pra veículos menores, é uma possibilidade, eu consigo ver um monte de carrinhos-robôs japoneses com carinhas simpáticas, levando pizzas pela cidade. De resto, mais uma vez a ficção científica acertou e teve a melhor idéia antes, afinal que coisa melhor para deixar passageiros e pedestres à vontade do que o Johnny Cab do Total Recall?

Fonte: Fast Company

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Autor: Carlos Cardoso

Entusiasta de tecnologia, tiete de Sagan e Clarke, micreiro, hobbysta de eletrônica pré-pic, analista de sistemas e contínuo high-tech. Cardoso escreve sobre informática desde antes da Internet, tendo publicado mais de 10 livros cobrindo de PDAs e Flash até Linux. Divide seu tempo entre escrever para o MeioBIt e para seu blog pessoal, o Contraditorium,

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