Sony encerrará a produção do PS Vita no Japão em 2019, e não há planos de um sucessor

O PS Vita foi enfim derrubado do telhado: em entrevista à revista Famitsu durante a Tokyo Game Show 2018, o vice-presidente senior da Sony Interactive Entertainment Japan Hiroyuki Oda afirmou que o console portátil da companhia terá sua produção encerrada no Japão em 2019, e mais: não há planos para o lançamento de um sucessor.

Embora triste, tal notícia não surpreende ninguém.

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Lançado em dezembro de 2011 no Japão e em fevereiro do ano seguinte nos Estados Unidos, o PlayStation Vita foi apresentado como o sucessor do PlayStation Portable, vulgo PSP com um poderoso hardware, sensores de movimento e capacidade de interação com os games completamente nova, além de possuir capacidade de entregar títulos tecnicamente próximos dos lançados para PS3. No entanto ele nunca pegou no tranco, e nesses quase sete anos acumula uma marca ridícula de apenas 16 milhões de unidades vendidas.

A título de comparação a Nintendo, concorrente direta e líder do mercado de portáteis (desde sempre, afinal foi ela que o criou com o Game Boy) vendeu 72,89 milhões de unidades do 3DS e suas variações, no mesmo período.

O PS Vita foi vítima de uma série de erros cometidos  pela Sony com o PSP e outros novos. Primeiro, a decisão de manter o uso de cartões de memória proprietários, que não podiam ser utilizados em nenhum outro dispositivo (diferente dos Memory Sticks de seu antecessor, que podiam ser utilizados principalmente em câmeras digitais da companhia japonesa) afugentou os consumidores, por serem muito caros para a pouca capacidade de armazenamento: hoje um cartão do Vita de 16 GB custa muito mais do que um microSD de 128 GB de boa qualidade.

Segundo, a Sony abandonou rapidamente o PS Vita; o alto investimento necessário para comprar o portátil e o cartão proprietário afugentou os consumidores, e a reação da companhia foi concentrar todos os esforços no PS4, lançado em 2013 ao invés de ao menos tentar salvar o portátil. Assim, em 2015 o desenvolvimento de títulos 1st party foi completamente interrompido, com a Sony no ocidente passando a promover o portátil como uma mera segunda tela.

Por fim a Sony tratou de resgatar franquias exclusivas e relançá-las para o PS4, como Tearaway e Gravity Rush de modo a fortalecer seu principal produto, e consequentemente dilapidou ainda mais o PS Vita.

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Gravity Rush foi por muito tempo um dos games que por si só justificava a compra de um PS Vita, até a Sony lancá-lo remasterizado para o PS4

A falta de interesse da própria Sony também desestimulou outros estúdios a lançarem títulos novos ou manterem o suporte aos já lançados; grandes promessas, como a adaptação de BioSkock ficaram no limbo, enquanto outros outros já presentes, como The Binding of Isaac: Rebirth foram abandonados: este não recebeu nenhuma expansão posteriormente lançada. No oriente o PS Vita teve uma sobrevida melhor, graças a grande quantidade de JRPGs, Visual Novels, Dating Sims e outros títulos mais apelativos ao consumidor da região que ele continua recebendo.

Claro que é preciso mencionar a concorrência com a Nintendo, porém ambas as empresas foram surradas pela ascensão dos smartphones e tablets, o que acabou por forçar a Big N a rever sua estratégia com o Switch, um híbrido de console de mesa e portátil. No cenário atual, o consumidor de portáteis migrou completamente para o iPhone, iPad ou smartphones Android da mesma forma que aconteceu com os players dedicados de música, e ele não vê sentido em carregar dois aparelhos distintos.

A divisão ocidental da Sony não se manifestou sobre o fim da produção do PS Vita deste lado do mundo, mas se o fim já anunciado da produção de mídias físicas nos Estados Unidos e Europa e a retirada do portátil (e do já morto PS3) da oferta de games gratuitos da PS+ servem de dica, podemos especular que a manufatura do sistema será simultaneamente encerrada em todo o mundo até o fim do ano fiscal, que se dará em 31 de março de 2019. E embora alguns executivos afirmassem que o PS Vita ainda respirava, o presidente da da Sony Interactive Entertainment Andrew House já havia apontado para uma eventual saída do mercado de portáteis.

Sobre isso e a migração da Nintendo para uma solução híbrida (há quem diga que o PS5 adotará a mesma solução), é curioso constatar que o analista de mercado Michael Patcher, odiado pelos gamers por suas declarações duras tinha razão.

Com informações: Famitsu (em japonês), Gematsu.

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Autor: Ronaldo Gogoni

Profissional de TI auto-didata, blogueiro que acha que é jornalista e careca por opção. Autor do Meio Bit e Portal Deviante, podcaster/membro fundador/Mestre Ancião do SciCast e host/podcaster do Sala da Justiça.

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