Dragonfly: protótipo chinês do Google relaciona telefones de usuários com suas buscas

O protótipo do app Dragonfly do Google feito especialmente para a China usa o número pessoal dos usuários para fazer uma relação com suas buscas, facilitando a vida do governo no caso de alguma investigação, colocando não só a privacidade de quem usar o serviço em risco, mas também a sua própria integridade física.

A versão de testes do app de buscas para Android foi criado pelo Google no melhor estilo “jardim murado”, com seu conteúdo rigorosamente controlado pelo governo chinês. Segundo o The Intercept, o Dragonfly simplesmente não mostra vários conteúdos considerados subversivos pelo Partido Comunista da China, incluindo os equivalentes em mandarim aos termos “direitos humanos” e “protesto de estudantes”.

Montagem com imagem do Grande Irmão do filme 1984, inspirado no clássico de George Orwell, com a marca do Google representando o protótipo do search engine chinês Dragonfly.

Montagem: Nick Ellis (Meio Bit)

Os problemas entre o Google e o governo Chinês vêm de longa data, e cerca de 8 anos atrás, acabaram forçando a empresa a deixar o país, em uma partida que parecia ser realmente definitiva, mas que não era tanto assim. Depois de topar durante anos censurar resultados como os do Massacre de Tiananmen, e depois desistir de fazer isto e ter sido defenestrada de lá como citado, com direito a ter seu Android Market bloqueado na China.

O Google ensaiou sua reaproximação com o mercado chinês com uma Play Store censurada, que pode ser encarada como um primeiro passo na criação do Dragonfly, já que a versão chinesa da ferramenta de buscas do Google (não, não é essa) segue pelo mesmo caminho da censura prévia.

Segundo documentos vistos pelo repórter do Intercept, o Google estaria desenvolvendo o projeto desde o ano passado. Pelo visto, o slogan Do No Evil ficou mesmo para trás. O desenvolvimento do Dragonfly gerou protestos de defensores dos Direitos Humanos, inclusive esta carta aberta enviada ao CEO do Google na semana passada por 14 organizações, e que até o momento, foi solenemente ignorada.

Jian Yang de Silicon Valley

Em uma notícia não-relacionada, mas também ligada ao gigante asiático, leia aqui o meu post sobre o Jian-Yang de Silicon Valley o CEO que apresentou um browser 100% chinês, mas que na verdade tinha sido criado em cima do Chrome.

Atualização:
Mais de 1000 funcionários do Google assinaram uma petição pedindo para que a direção da empresa reconsidere a decisão de lançar uma versão censurada da sua ferramenta de buscas na China, e segundo o Boing Boing, vários estariam pedindo demissão por conta do desenvolvimento do Dragonfly.

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Autor: Nick Ellis

Nick Ellis é autor do Meio Bit, Digital Drops e Blog de Brinquedo.

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