O fim do Programa de Afiliados da App Store vai prejudicar todo mundo, menos a Apple

Enquanto a Apple estoura champanhe para comemorar seus excelentes resultados financeiros, muita gente está arrancando os cabelos com uma decisão para lá de antipática e nociva tomada pela empresa: a partir de 1º de outubro, seu Programa de Afiliados não irá mais contar com aplicativos do iOS e macOS, efetivamente cortando comissões de sites, desenvolvedores e distribuidoras que não raro, dependem dessa grana para continuarem ativos.

O programa da Apple permite que parceiros (que precisam ter uma conta válida) incluam links em sites, portais ou aplicativos que redirecionam para diversos produtos comercializados pela empresa, de apps e games a músicas, livros, filmes e programas de TV. Originalmente ele pagava 7% aos parceiros em cima do montante das vendas rastreadas pelos links, que a maçã tirava dos 30% que assegura sobre qualquer venda realizada dentro de suas lojas virtuais.

O Programa de Afiliados foi uma mão na roda para pequenos portais e desenvolvedores, que contavam com o dinheiro das indicações para não só manter seus sites e criações no ar, como também para fomentar o desenvolvimento: pequenos estúdios, incapazes de bater de frente com as grandes desenvolvedoras são praticamente reféns do programa, pois não possuem visibilidade suficiente na App Store ou Mac App Store para concorrer de igual para igual.

Só que a Apple não quer mais saber de ajudar os pequenos. Em abril de 2017 ela reduziu drasticamente o valor de todas as comissões, de 7% para míseros 2,5%, e na última semana bateu ainda mais forte: a partir de outubro, o Programa de Afiliados será aplicável apenas a indicações de filmes, músicas, livros e shows.

Através de um comunicado oficial, a Apple informa que “a nova App Store no iOS e no macOS e seus métodos ampliados visando a descoberta de aplicativos” tornam desnecessária a necessidade de pagar por recomendações, o que sendo bastante frio é verdade: tão logo as lojas redesenhadas entraram no ar o número de downloads e compras de aplicativos disparou, e vale lembrar que Cupertino deixou de dar apps/games de graça na indicação diária.

O problema, como sempre é que tal medida só beneficia a própria Apple, que deixará de gastar uma quantia já ínfima por pura ganância; por outro lado, a comunidade independente e muitos sites pequenos estão perdendo noites de sono com a notícia simplesmente porque o dinheiro, ainda que pouco é essencial para que estes se mantenham vivos.

Eli Hoddap, editor-chefe do Touch Arcade disse que o corte das comissões é “um grande soco nos dentes”, que irá matar diversos veículos independentes que não possuem outra forma mais confiável de gerar receita. Desenvolvedores menores também não terão força suficiente para divulgar seus apps e games sem o apoio desses portais, sendo incapazes de sobreviver num mercado cruel onde quase toda a grana está na mão de poucos grandes estúdios, e onde sua visibilidade será extremamente limitada. Segundo a Apple, a App Store pagou mais de US$ 100 bilhões a desenvolvedores na última década, mas todo mundo sabe que o bolo não é dividido em partes iguais entre todos.

Resumindo, a atitude da Apple visa apenas manter os ganhos e evitar gastos que ela hoje considera desnecessários, ao mesmo tempo que privilegia os grandes players na vitrine de suas lojas em detrimento dos pequenos apps e games (atitude que é alvo de críticas desde 2017), tudo para gerar mais e mais dinheiro. E embora as críticas tenham sido ferozes desde o anúncio, as chances da maçã voltar atrás em sua decisão são mínimas.

Com informações: 9to5Mac, TechCrunch.

Relacionados: , , , , ,

Autor: Ronaldo Gogoni

Profissional de TI auto-didata, blogueiro que acha que é jornalista e careca por opção. Autor do Meio Bit e Portal Deviante, podcaster/membro fundador/Mestre Ancião do SciCast e host/podcaster do Sala da Justiça.

Compartilhar