Negócio fechado: Foxconn compra Sharp por US$ 3,5 bilhões

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Acabou a novela. Após anos de cortejo e meses de negociações a Foxconn e a Sharp finalmente chegaram a um acordo: a companhia taiwanesa e uma das maiores, se não a maior montadora de eletrônicos do mundo comprou a outrora gigante japonesa pela quantia de 389 bilhões de ienes, o equivalente a US$ 3,5 bilhões ou R$ 12,38 bilhões. Bem abaixo do último valor negociado, é verdade, mas ainda assim uma quantia de respeito.

E sabe quem ganha com isso? A Apple.

As negociações de compra da Sharp pela Foxconn duraram meses e o valor do negócio ficou US$ 2,74 bilhões abaixo do esperado, o que é bom para a montadora mas nem tanto para os japoneses, principalmente porque economistas locais e outros especialistas expressaram preocupação com uma de suas empresas mais tradicionais passando a ser controlada por uma estrangeira (o velho conservadorismo nipônico em ação). Em todo caso, o interesse da Foxconn na Sharp se deu principalmente por causa de sua divisão de displays que fabrica componentes de qualidade invejável, sem falar em TVs capazes de matar qualquer um de tanto babar (e do coração, após olhar o preço).

Com 103 anos de estrada a Sharp foi uma das companhias mais inovadoras do mundo, que introduziu novos inventos como a lapiseira (o primeiro de todos, que abriu a companhia em 1912 e emprestou seu nome a ela), a primeira calculadora com transístores (1964), a primeira com circuito integrado (1966), a primeira com display de LCD (1973), o primeiro celular com câmera (o J-SH04, em 2000), entre outras coisas. Entretanto, desde 2012 ela vinha enfrentando dificuldades financeiras e estava cortando gorduras de todo jeito: em 2015 ela abandonou o mercado de TVs na América, e estava incentivando os próprios funcionários a comprarem seus produtos.

A Foxconn queria pôr as mãos na divisão de displays, uma das poucas ainda bem estabelecidas e que fornece componentes para consumidores de ponta como a Nintendo, por exemplo por um simples fator: ela monta smartphones mas não produz telas, e como os japoneses ainda detém excelência na produção de LCDs eles contavam com um cliente exigente, a Apple. Esta ainda depende de parcerias como a LG e Samsung que também produzem displays de qualidade, mas é a Sharp que detém a preferência da maçã.

Com a compra da Sharp, a Foxconn gastará muito menos para adquirir telas a fim de equipar os iGadgets, o que se converterá em menor preço de custo para a maçã por unidade e consequentemente, maiores lucros. Cupertino poderá também se livrar dos coreanos (especialmente a Samsung), caso o preço por tela da Foxconn seja mais em conta e com os japas no barco, a qualidade está garantida.

O acordo deve ser oficialmente firmado até sábado, com uma coletiva de imprensa em que estarão presentes o CEO da Sharp Corp. Kozo Takahashi e o presidente da Foxconn Terry Gou. Enquanto isso a Apple comemora pelos tostões futuramente economizados.

Fontes: Bloomberg e Reuters.

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Autor: Ronaldo Gogoni

Profissional de TI auto-didata, blogueiro que acha que é jornalista e careca por opção. Autor do Meio Bit e Portal Deviante, podcaster/membro fundador/Mestre Ancião do SciCast e host/podcaster do Sala da Justiça.

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