Resenha — Moto X4: ele voltou, porém…

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O Moto X original foi uma revolução. Numa época em que todo mundo focava em dispositivos Android de ponta cada vez mais caros a Motorola, na época sob a tutela do Google entregou um smartphone de qualidade por um preço agressivo, o que se seguiu pelo menos até a geração seguinte. Hoje os chineses da Lenovo preferem fazer a Samsung e abarrotar o mercado com diversos modelos, que não raro competem uns com os outros embora alguns ainda mereçam destaque.

E é nesse cenário confuso que o Moto X reaparece, em sua quarta encarnação. Ele ainda é um smartphone em que vale a pena investir? Eu o testei por um mês e estas são as minhas conclusões.


Design

Antes de mais nada, as especificações técnicas:

  • SoC Snapdragon 630 da Qualcomm, octa-core Cortex-A53 com clock de 2,2 GHz e GPU Adreno 508;
  • 3 GB de memória RAM;
  • 32 GB de espaço interno (expansível via Micro-SD de até 256 GB, bandeja híbrida);
  • display LCD IPS de 5,2 polegadas com resolução Full HD (424 ppi);
  • conjunto principal de câmeras duplo de 12 megapixels com abertura ƒ/2,0, pixels de 1,4 µm e autofoco com detecção de fase e 8 MP com lente grande angular, abertura ƒ/2,2 e pixels de 1,2 µm; Flash LED Dual-Tone, HDR e que filma em 4K a 30 fps;
  • câmera selfie de 16 MP com abertura ƒ/2,0, Flash LED e que filma em 1080p;
  • leitor de impressões digitais com suporte a gestos;
  • certificação IP68, com proteção contra poeira e imersão acidental;
  • 4G/LTE Dual-SIM, Wi-Fi 802.11ac, Bluetooth 4.2, BLE, A-GPS, GLONASS, GALILEO;
  • bateria de 3.000 mAh;
  • saída para fone de ouvido estéreo;
  • porta USB-C 1.0;
  • Android 7.1 Nougat, com atualização garantida para o 8.0 Oreo;
  • dimensões: 148,4 × 73,4 × 8 mm;
  • peso: 163 g.

À primeira vista o Moto X4 parece um Moto G5S Plus de fraque, o problema é que essa impressão permanece quanto mais você o conhece. As especificações da versão mais poderosa do outrora aparelho intermediário da Motorola (que não é mais tão intermediário assim) são muito próximas deste, que possui sim algumas características próprias interessantes. Primeiro, a traseira de vidro com reflexo em “S”, graças à curvatura é linda de morrer e chama muito a atenção, ainda que seja um ímã de marcas de dedos.

Visualmente falando este é um smartphone charmoso, ainda que a elevação da câmera não agrade todo mundo; querendo ou não ela já se tornou uma característica inerente à linha Moto.

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O dispositivo em si não é tão grande, possui um peso razoável e uma pegada confortável, embora seja um tanto esgorregadio devido o acabamento da traseira mas fora isso, é um smartphone dentro do que espera da Motorola em termos de design. Os botões Power e de volume na lateral são pequenos e discretos, enquanto a bandeja na parte superior é mais uma vez híbrida; o usuário terá novamente que escolher entre utilizar dois cartões SIM ou apenas um e um micro-SD de até 256 GB para expandir o armazenamento interno, que é um de seus calcanhares de Aquiles. Com apenas 32 GB disponíveis, sendo que o sistema come nada menos que 13 GB não utilizar um cartão é praticamente impossível. Eu mesmo consegui lota-lo em apenas uma semana de testes, então tire suas próprias conclusões.

A conclusão que se chega é que a Lenovo/Motorola errou feio, errou rude ao não otimizar o sistema ou pelo menos não fornecer uma bandeja dedicada ao Micro-SD e sob essas condições não há como não usar um cartão de memória, o que mata completamente a possibilidade de usa-lo com dois chips e ter espaço minimamente decente para apps e outras coisas.

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O conector é um USB Type-C 1.0, como ocorre em dispositivos mid-high para cima mas ao menos aqui a Motorola manteve a entrada P2 para fone de ouvido estéreo; apenas os dispositivos da linha Moto Z tiveram a conexão removida. Os fones de ouvido que acompanham o Moto X4 são bons e confortáveis, nada de muito especial.

E temos a tela; esta conta com 5,2 polegadas, resolução Full HD e um bom equilíbrio nas cores, nível de preto bem decente e um bom brilho, o suficiente para você ver o que ela reproduz debaixo de Sol forte. Ela poderia ser maior se a Motorola não insistisse em manter o leitor de impressões digitais na frente do aparelho, o que faz com que todos os dispositivos da fabricante ainda sejam dotados de largas bordas superior e inferior; no entanto, como antes este sensor possui funções de gestos. Deslizar para a esquerda aciona o comando Voltar, para a direita abre a gaveta de apps em segundo plano e um toque rápido aciona a função Home, uma boa opção para quem não quer acionar os comandos na tela.

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Por fim o Moto X4 possui uma vantagem frente a seus irmãos: certificação IP68, que lhe confere proteção contra poeira e mergulhos acidentais; nem mesmo o poderoso Moto Z2 Force, o top de linha absoluto possui tal característica, ele e todos os outros modelos da fabricante contam apenas com um nanorrevestimento repelente que no máximo protege contra respingos e esguichos. O bom é que as chances de termos a certificação em mais produtos no futuro é quase certa.

Performance e autonomia

Deixando o problema do espaço um pouco de lado, a combinação software/hardware do Moto X4 é adequada. Com um Snapdragon 630 e 3 GB de RAM ele dá conta da maioria das funções básicas para intermediárias sem problemas ou travadinhas, embora chore um pouco com multitarefa. Ele não é o melhor aparelho para jogar (para isso temos os modelos da linha Z, ainda mais se com o Moto Snap Gamepad) e nem é sua função mesmo, já que qualquer coisa mais pesada irá comprometer severamente o armazenamento interno.

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Redes sociais, Netflix, Chromecast, pacote Office ou GDocs, tudo isso ele tira de letra mas não é como se ele fosse muito diferente de outros aparelhos similares da Motorola, e por isso mesmo a fabricante fez dele um dispositivo para quem deseja consumir conteúdo de áudio com certa qualidade ou compartilhar experiências, através da opção “Sistema de som sem fios”. Com ela é possível emparelhar até quatro saídas de som Bluetooth, sejam caixas de som ou fones de ouvido ao mesmo tempo e dessa forma, você pode reproduzir sua playlist em vários cômodos da sua casa ou conectar mais de um fone no smartphone, sem ter que compartilhar o fio como fazemos hoje. É um gimmick, mas ainda assim é interessante para quem se preocupa com isso.

A bateria, com 3.000 mAh aguenta um dia inteiro de reprodução sem problemas. Nos testes utilizando fone Bluetooth, com 4G ligado e streaming de música ele saía de casa às 8:00 e voltava às 18:00 com pouco mais de 10%, o que é adequado dadas as condições de uso. Não é espetacular, mas igualmente não é um consumo de energia exacebado e sem controle.

Câmera

Hora de falar a real: as câmeras do Moto X4 são fracas, tanto o conjunto duplo principal quanto a frontal. As primeiras são dotadas de 12 e 8 megapixels com aberturas ƒ/2,0 e ƒ/2,2, sendo que a segunda conta com uma lente grande angular e dessa forma, o aparelho é compatível com o efeito bokeh das câmeras profissionais de desfocar o fundo e destacar o elemento à frente nas imagens. A Apple chama isso de “Modo Retrato”, já a Samsung de “Foco Dinâmico”. A Motorola, por sua vez usa o nome “Modo Profundidade”.

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Em tese a câmera do Moto X4 deveria destacar os elementos com nitidez mas não é bem isso o que acontece, o conjunto tem sérios problemas para ajustar o foco e mais de uma vez seleciona elementos indesejados para criar o efeito. Em muitos testes o motivo estava parcialmente selecionado, em outros ele foi unido com elementos do cenário que foram igualmente realçados.

Tirando isso a câmera é razoavelmente boa para capturar imagens em ambientes iluminados, mas sua um pouco à noite ou em ambientes internos. Fora isso o software é lento, ele para e pensa antes de ajustar o foco e capturar a imagem e isso chega a incomodar após muitos cliques depois.

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Ela consegue captar alguns detalhes estando de perto, mas o foco nem sempre se fixará onde você quer e chega a ser incompreensível como cargas d’água a Motorola conseguiu errar tanto em um elemento tão simples. Resumindo, a câmera do Moto X4 é apenas suficiente mas para todo o resto, é uma decepção.

A câmera selfie conta com 16 MP, abertura ƒ/2,0 e Flash LED, e tal qual a principal faz uso do modo de profundidade mas tanto lá quanto aqui, ele não funciona direito e tem problemas de foco. Hora ele foca rostos em partes, hora destaca elementos do fundo. De qualquer forma ela funciona bem em situações com bastante luz e entrega certo ruído em ambientes internos, mas na minha opinião ela deveria ser um pouco melhor dada a resolução.

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Dá a impressão de que a Motorola fez uso de câmeras de foco fixo, que passam um sufoco para enquadrar elementos próximos ou distantes e é uma pena que o elemento de destaque do smartphone, que justificaria sua existência esteja tão aquém do esperado.

Como sempre, você confere as originais destas e de mais fotos no Flickr.

Conclusão

Sendo bastante sincero, o Moto X4 é um smartphone sem propósito. Com exceção da certificação IP68 ele possui câmeras piores que a presente no Moto Z2 Play e metade da capacidade interna, fora possuir um preço muito próximo do Moto G5S Plus e os mesmos problemas na hora de tirar fotos, ou pouca coisa melhor. Isso posto, o preço sugerido pela Motorola de R$ 1.699,00 não faz o menor sentido, embora seja possível adquiri-lo por bem menos em promoções da rede varejista.

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Em que situações o Moto X4 se destaca então? Eu só consigo pensar em duas situações, se você deseja um aparelho com design mais refinado e faz questão da proteção contra água e poeira, ou se acha o recurso de replicar música em várias caixas Bluetooth ao mesmo tempo um adicional e tanto. Fora isso, se você deseja economizar é mais lógico comprar um Moto G5S Plus; se quiser mais espaço e melhor performance, adicione alguns cascalhos e fique com o Moto Z2 Play.


Motorola Brasil — Conheça o novo moto x⁴

Pontos fortes:

  • a certificação IP68 foi uma ótima adição;
  • belo design com traseira de vidro, embora meio escorregadio;
  • o recurso de controlar vários dispositivos de áudio Bluetooth é interessante.

Pontos fracos:

  • ambos os conjuntos de câmera têm problemas com foco e o Modo Profundidade não funciona como deveria;
  • pouco espaço interno disponível, graças ao sistema comilão e por isso mesmo a ausência de uma bandeja dedicada para Micro-SD é imperdoável;
  • frente ao Moto G5S Plus e o Moto Z2 Play, o Moto X4 não tem razão de existir.
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Autor: Ronaldo Gogoni

Um cara normal até segunda ordem. Além do MeioBit dou meus pitacos eventuais como podcaster do #Scicast, no Portal Deviante.

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