HSBC x Fotógrafos: Direito Autoral em discussão

Por: em 26/10/09 na(s) categoria(s): Notícias


Hoje uma polêmica balançou o mundo on-line da fotografia. Tanto as listas FotoBrasil quanto Profoto ferveram com o tema que logo se espalhou pelo flickr, twitter e diversos blogs. O que aconteceu é que o Banco HSBC lançou uma disputa em um grupo no flickr onde tentava captar fotos temáticas para ilustrar suas campanhas publicitárias. Até ai nada de estranho, afinal de contas é prática muito usada por grandes empresas no Brasil para formarem um grande banco de imagens sem ter que gastar com fotógrafos, mas alguns pontos da competição do HSBC chamaram muita atenção. A primeira coisa é que não existia nenhuma premiação envolvida. Os participantes apenas teriam o privilégio de terem suas fotos utilizadas pelo banco em suas campanhas. Mas, pontos específicos do regulamento causaram revolta no meio fotográfico. Vejam abaixo:

13 – Os participantes desde já declaram que tem conhecimento que não haverá qualquer outra retribuição adicional, premiação ou pagamento pela participação nesta ação.

15 – Além disso, ao participar da ação e adicionar a foto ao Grupo, o participante concede ao HSBC, a título gratuito, uma licença mundial, exclusiva, irrevogável, sublicenciável e livre do pagamento de royalties, que é válida até o dia 31 de dezembro de 2010, para utilizar, copiar, modificar, traduzir e/ou adaptar, distribuir, executar em público, exibir em público e criar trabalhos derivados de sua foto, exclusivamente em relação à finalidade deste Grupo e da ação , por qualquer meio de veiculação e divulgação, especialmente através da exibição em outdoors, painéis gráficos ou assemelhados a serem veiculados pelo prazo previsto na licença.

18 – O participante atesta o caráter plenamente gratuito da citada licença, se comprometendo a não fazer qualquer reivindicação, cobrança, reclamação ou propondo qualquer tipo de demanda em face do HSBC, sob qualquer fundamento, objetivando o recebimento de valores, pagamentos, indenizações, prêmios, dação em pagamento, royalties e/ou qualquer tipo de verba, em relação as fotos enviadas para o Grupo.

trabalho

Fica meio complicado para uma grande instituição financeira com lucros na casa dos milhões tentar arrecadar fotos gratuitamente pelo flickr e ainda se colocar no direito de modificá-las sem prévia autorização do autor da imagem. Direitos Autorais no Brasil são tratados como piada até pelas grandes instituições. A repercussão foi tão grande que rendeu até uma nota no site do Estadão.

Depois de todo o alvoroço criado durante o dia no mundo on-line o Banco se manifestou e mudou as regras do concurso garantindo que agora as fotos que forem usadas em campanhas publicitárias serão adquiridas formalmente pela instituição e seus autores receberão uma remuneração. Não estou afirmando aqui que o HSBC montou um esquema maligno para angariar fotos sem o custo envolvido em uma produção fotográfica publicitária, mas certamente alguém que não entendeu bem como a coisa funciona quis montar uma campanha aproveitando os milhares de participantes brasileiros do flickr. Mesmo antes disso, a campanha já tinha recebido dezenas de fotos. Nada contra quem quiser ceder os direitos de sua produção intelectual só pelo prazer de ver a imagem em um cartaz no Banco, mas que causa um pouco de revolta em quem leva a fotografia a sério é inegável.

  • Roniuj

    Que legal, todo o caráter amador do concurso foi por água abaixo.

    Agora lá vem o levante de fotógrafos “profissionais” buscar o quinhão e fama que tanto pediram.

    Lamentável.

  • http://jaziel-tecnologia.blogspot.com/ jazielgon

    Bom, eu acho que não precisa comentários…

     

    Se a foto é sua, voce tem direito, e qualquer modificação que fizer sem sua autorização, é passível de penas.

  • tomboderider

    Caraca! A imagem ilustra PERFEITAMENTE ! 

    • carloshc

      A imagem é ótima, mas não ilustra perfeitamente :)   Ninguém seria obrigado a participar do concurso.

      • http://lorenti.org gilsonlorenti

        isso é pano para muita discussão, mas você está certo. ninguém estava sendo obrigado a participar. Porém, também temos o dever de divulgar e reclamar desse tipo de ação. O regulamento vai de encontro ao que dita a Lei de Direitos Autorais. O direito de ser reconhecido como autor da foto é garantido e não pode ser vendido. Do jeito que estava parecia que seria até um prêmio o autor da foto ter seu nome divulgado junto a ela. Não sei vocês, mas eu como produtor de material intelectual me sinto incomodado com isso.

        • kotter

          não concordo muito com a atitude do HSBC, de não dar NENHUM prêmio sequer pelo concurso. isso com certeza chateia muito quem produz material intelectual.

          por outro lado, está tudo no “contrato”, participa quem quiser, sob as condições lá estabelecidas. não existe violação de direitos autorais, pois o que o contrato diz é que você concede uma licença para a HSBC. seus direitos autorais/intelectuais ainda estão lá, você pode falar “fui eu que fiz”, e isso eles NÃO PODEM NEGAR. você só não pode falar “me paguem por isso”.

          no mais, se você deixou, eles podem fazer o que bem entenderem com a foto.

          ou seja, é uma questão de bom senso de quem participa e falta de bom senso do HSBC em não premiar.

          lembro de uma discussão semelhante envolvendo o Google: http://info.abril.com.br/noticias/blogs/nalinhadogoogle/igoogle/lado-pao-duro-bilionario-google-174187/

          não era um concurso, mas eles também foram mãos de vaca bagarai.

          • http://www.acranias.com catzurrul

            A reclamação é justamente sobre o ridículo contrato, e não se ele é válido ou não. O contrato não é abusivo, mas, como posso dizer, é sem nexo, pois uma instituição financeira desse porte não deve estar negando uns “mils” reais por falta de.

        • carloshc

          Há duas formas de pensar sobre este assunto. A primeira, e mais imediata, é que o HSBC deu uma de espertalhão, isto é, lançar um concurso para fazer uma campanha publicitária, mobilizando muita gente e não pagando lhufas pelo conteúdo relevante produzido.

          Mas o banco já tem muito dinheiro, por que não pagar os ganhadores?

          Rico é quem poupa, não quem gasta :)

          Outra forma de visualizar isto é da seguinte maneira: o concurso afasta os profissionais e atrai os amadores e o pessoal de começo de carreira. O fato de não receber nenhum prêmio divide a categoria e as pessoas que estão procurando um lugar ao sol têm sua chance.

          Eu fico com um pouco das duas. E tem mais: quantos comerciais e peças publicitárias mostram funcionários das próprias empresas como “modelos” e, com orgulho, exibem que estão fazendo isto? Banco Real, Vale, etc. – todas estas companhias fazem isso com frequência.

          Eu sei que, neste caso, não se trata de material intelectual, mas pode irritar, da mesma maneira, a categoria dos atores, que deveriam estar ali ganhando dinheiro, ao invés de uma penca de não-profissionais que só almejam a visibilidade – que, para muitos, é mais do que o suficiente.

          • shimatai

            Falou tudo! :)

            Não é porque uma empresa é rica que ela tem obrigação de pagar tudo que por ela é pedido. Vivemos num mundo capitalista (e bem selvagem nesse sentido).

            Cada um analisa a situação do seu ponto de vista, pra uns é um abuso, pra outros é uma oportunidade.

          • http://fsjunior.com.br Bullshico

            Queria entender no quê deixar de ganhar alguns mil reais caso ganhe o concurso pode ser encarado como oportunidade.

          • shimatai

            Pra um fotógrafo profissional iniciante (que não tem portfólio significativo) essa proposta do HSBC é uma oportunidade muito boa, mesmo que ele não ganhe 1 centavo em produzir material pruma instituição multi-mega-milionária.

            Essa situação do HSBC pode ser analisada de vários ângulos, onde pra uns é um absurdo uma empresa desse porte não pagar nada, já pra outros é uma oportunidade que a empresa está dando para todos as pessoas com algum conhecimento fotográfico (o que não exclui amadores e semi-profissionais).

            Cada um enxerga essa situação como quer, mas quando se trata de empresa capitalista rica, o ato de não pagar é encarado pela maioria como um absurdo, mesmo quando as vezes não foi na má intenção.

          • http://fsjunior.com.br Bullshico

            O que você está dizendo é justamente o que o cartoon do Arnaldo Branco fala. Uma tentativa de conseguir a mão de obra mais barata possível: pagar com “ego” ao invés de dinheiro. Que também é necessário, mas não é tudo. Se alguém pode achar (como achou) que vale a pena, não quero impedi-la disso. Mas isso definitivamente não me parece (nem a outras pessoas e aparentemente “nem” ao HSBC, agora que mudou as regras) justo, por mais que seja o suficiente para esse alguém, como você está dizendo.

            Não acho que há má intenção na campanha ou nessa empresa. Há apenas a tentativa de obter o maior lucro possível da forma mais rápida possível, independente da moralidade dos atos. Vendo o povo reclamar, o HSBC viu que ia ficar mal na fita se continuasse, então agora vai pagar o que é pra eles um dinheirinho de pinga pras fotos, o lucro deles vai continuar estando na casa de bilhões e tá todo mundo feliz.

  • thE Masterkey Blaster

    Bom se o pessoal tava ciente ao dar a foto, fazer o quê.

      Mas eu não faria isso pra uma instituição como o HSBC. Talvez para uma instituição que seja sem fins lucrativos, mas uma financeira? nem…. A forma é válida, inclusive eles podem usar muitas fotos que estão em CC. Mas não dá pra entender o porque de uma instituição dessas negar nem que seja uma merrequinha pros fotógrafos bonzinhos já que se fossem procurar outras teriam que pagar e muito.
      Seria a Crise :?   (Que o leitor use de discernimento)

    Em tempo, gostei da charge. :)

  • txito

    Apesar de não ser do meio, achei meio sem noção essa campanha do HSBC.

  • http://minhasdicaslinux.blogspot.com/ Karls

    Como foi dito, a ilustração ai no post diz tudo. Mas também é aquela coisa, se você leu o regulamento, ta sabendo que vai ser assim, não reclama depois né. Porém, também dizer que algo que você produzio no final das contas não é seu mais, complicado né.

  • http://fsjunior.com.br Bullshico

    Faltou a referencia do autor do cartoon, que é o Arnaldo Branco: http://www.oesquema.com.br/mauhumor/2009/10/22/parceria.htm

     

    E lucro de milhões? Lucro de BIlhões…

    • http://lorenti.org gilsonlorenti

      opa, valeu pela informação. recebi essa ilustração a muito tempo no e-mail e não conhecia a autoria.

  • http://www.lucascavalheiro.com lucas.cavalheiro

    só uma frase pra resumir essa do HSBC:

     

    MUITA CARA DE PAU!

     

     

  • http://twitter.com/max_laguna Max_Laguna

    Já acho uma senhora palhaçada ver as emissoras de TV “dando furo” ao usar imagens de cinegrafistas amadores sem o devido crédito para eles… :(

    A quibação só persiste no país por conta desse tipo de desrespeito ao direito autoral, um conceito que ainda “não pegou”. Espero que as revistas impressas dêem o devido crédito aos fotógrafos, pelo menos.

    :O

    • shimatai

      No caso das emissoras de TV, o material cedido é voluntário e o autor cede todos os direitos de publicação a emissora e da mesma forma da campanha do HSBC, participa/envia material quem quer.

      Já no caso de publicação não autorizada, eu acho válido, inclusive recentemente a TV Globo foi condenada a repertir por 3 vezes no Jornal Nacional a decisão da justiça em que reconheceu que a TV Globo violou direitos autorais e publicou no “São Paulo Já” de 1995 as fotografias de um profissional e não pagou por isso.

  • Yue

    Tsc! Isso é um absurdo.

    Você ceder suas fotos assim de graça é muita sacanagem. Mesmo sendo amador eu exigiria no mínimo o meu nome estampado sejaláondefor.

  • http://fsjunior.com.br Bullshico

    Não entendo. As pessoas falam de que “entra quem quer”, mas no que isso invalida as reclamações? Se eles tem o direito de fazer concursos abusivos, já que só participa quem quer. O gilson tem direito de reclamar aqui, já que só lê aqui quem quer.

  • http://cognostech.posterous.com/ Ramon E. Ritter

    Para uma empresa como o HSBC pagar pelas fotos não interfere em nada nas finanças da instituição. Imagino que algum funcionário zeloso quis mostrar para a sua chefia que era possível fazer (mais) economia nas campanhas publicitárias da empresa.

     

  • Kolodziey

    MUITA CARA DE PAU [2]

  • http://rodrigosantiago.wordpress.com RodrigoSantiago

    Na boa, querem manter o caráter amador da parada? Premiem com alguma porcaria, que seja um saquinho de jujuba, sei lá. Era só fazer um estudo de quanto gastariam com fotógrafos e quanto com premiação, enquanto custasse menos, beleza. Qualquer porcaria seria mais “honrado”, ainda mais pra uma instituição financeira, que lucra absurdos anualmente.

  • http://www.acranias.com catzurrul

    A ilustração foi bem empregada.

  • criscmaia

    O problema deles foi solicitar um concurso em um site com tantos profissionais na area, talvez se pegasse um fotolog da vida onde nao tem tantos profissionais as pessoas iriam achar o maximo estar na campanha do HSBC e poder dizer “aquela foto eh minha”. Tudo bem que a qualidade da imagem tambem nao seria a mesma, mas se quiser um trabalho bom, pague por ele.

  • http://bilgi.com.br/mr moi.robles

    É aquela coisa, entra quem quer… Os termos estão ai e ninguém teve uma arma apontada em sua cabeça dizendo para dar as fotos. Mas por outro lado, qualquer um que admire e dê valor à obras fotográficas de alto nível sabe que tais profissionais deveriam ser reconhecidos!

  • Ricardo Bicalho

    A Lei brasileira é superior a qualquer contrato. O Direito Autoral e Moral é irrevogável, mesmo que você assine um contrato.

    Pelo menos, foi o que eu entendi lendo a Lei 9610: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L9610.htm

  • http://agente65.blogspot.com Stolte

    A charge sobre as pirâmides é incorreta. Já está provado que elas foram construídas por egípcios pagos ou que trabalhavam em troca de impostos. Não eram escravos. Esta imagem está associada ao cativeiro dos judeus no Egito descrito na Bíblia, porém estes teriam construído as cidades de Pitom e Ramses e não as pirâmides. Abraços. (leio todos os dias o Meio Bit)

    • carituS

      Senhoras e senhores, temos aqui um engenheiro. }:)

  • dragonsheik

    O que percebemos na proposta do HSBC é conseguir uma campanha gratuita. Se a moda pega, todas empresas vão apelar para o ego e sempre encontrarão fotografos amadores ou semi-profissionais dispostos a cederem seus trabalhos só para aparecerem na mídia. Mais ai eu pergunto, e depois? havera quem compre seus trabalhos se existem tantos outros querendo ceder achando que terão uma oportunidade? Não sou profissional, sou apenas um amador, mas, não aceitaria esta proposta, que viria mais tarde, prejudicar os que vivem da profissão de fotografo. Acho esta proposta do HSBC uma tremenda falta de respeito aos profissionais que teem de batalhar pelos seus direitos.

  • carlos.mb

    O pessoal da fotografia, principalmente os leitores o 1/2 bit nunca ouviram falar de Open Source? Pois isto que o HSBC fez foi exatamente o Open Source da fotografia.

    Eles não esconderam nada, não tentaram enganar ninguém, foram bastante claros sobre as regras e não obrigaram ninguém a participar. Eles não querem que o fotógrafo abra mão de seus direitos autorais, querem apenas os direitos de uso do material. Tudo claro sem letrinhas miúdas no contrato. Participa quem quiser, quem concordar com as regras.

    Se você não gosta, nao desce pro play.

    Da mesma forma, vários programadores cedem o direito de uso de seu software como open source sem que isto seja visto como absurdo ou abusivo. Quem quiser vende seu software, quem quiser abre o fonte, simples assim, também para o mundo da fotografia.

    Sem stress. Se mesmo assim ainda não gosta, acha que é muita cara de pau do banco, que desvaloriza o fotógrafo, então também não usa mais Linux (paga pelo Windows), deixa de usar open source (todos) para não desvalorizar o programador, nao baixa mais mp3 para não desvalorizar o cantor …

     

    • http://meiobit.pop.com.br/o-que-e-uma-salsinha Salsinha

      Como diria aquele grande filósofo: uma coisa é uma coisa, outra coisa… esqueci o resto.

       

      Se eu disponibilizo qualquer software em GPL, eu não estou transferindo a propriedade ou direito autoral. A única coisa que faço, é permitir que outras pessoas possam alterar. Além disso, impeço que alguém pegue o código, altere e não disponibilize as alterações (mantendo o princípio da razoabilidade). Ah… e lembre que SL não quer dizer que eu dê de graça para qualquer um.

       

      • carlos.mb

        Se eu disponibilizo qualquer software em GPL, eu não estou transferindo a propriedade ou direito autoral”

        O HSBC não quer a propriedade ou direito autoral da foto. Isto continua com o fotógrafo. O fotógrafo é o autor e continua tendo a propriedade da foto.

        A única coisa que faço, é permitir que outras pessoas possam alterar.”

        O HSBC quer é isso mesmo, permissão  para “utilizar, copiar, modificar, traduzir e/ou adaptar, distribuir, executar em público, exibir em público e criar trabalhos derivados de sua foto,  exclusivamente em relação à finalidade deste Grupo e da ação.”, e esta permissão seria válida apenas até 31/12/2010.

        “Além disso, impeço que alguém pegue o código, altere e não disponibilize as alterações” 

        O item 15 trata novamente disto. Se o banco mudar a foto para uso em sua publicidade, todos terão acesso às alterações.

        “Ah… e lembre que SL não quer dizer que eu dê de graça para qualquer um”

        Ok, você pode cobrar. Mas para utilizar vários outros softwares open source você não precisa pagar nada. O programador pode não ser obrigado a liberar de graça seu software, da mesma o fotógrafo que não gostar dos termos, não precisa participar. 

         

         

        • http://lorenti.org gilsonlorenti

           

          Aqui não é questão de o banco ter dinheiro ou das pessoas quererem participar, mas de toda a coisa que estava nas entrelinhas. Esse tipo de concurso leonino é o que mais acontece em terras tupiniquins. Você monta uma disputa com prêmios ridículos e depois tem a disposição um banco de imagens que custaria milhões para ser formado. Participa quem quer? Claro, mas os fotógrafos se organizaram e reclamaram. Difícil encontrar uma classe que grite por seus direitos, e quando aparece os outros classificam como se estivessem reclamando de barriga cheia. Fato que o brasileiro não tem a mínima noção da questão de propriedade do trabalho intelectual. Por isso que a maioria tem softwares pirata em seus computadores ou acha o máximo fazer download de músicas “gratuitamente”. O flickr está cheio de fotógrafos amadores incríveis que ficariam muito felizes em ter suas fotos estampadas em campanhas publicitárias, mas será que eles sabem que aquilo tem valor? Que o seu olhar e composição fotográfica podem ser remunerados? A média que a Editora Abril paga por uma foto em editorial para freelancer é de R$700,00. Como você ficaria ao saber depois que sua foto que está sendo usado em uma campanha nacional poderia valer muito mais que isso e o banco está usando de graça?? Acho que depois de todo o esclarecimento que a reclamação provocou ai sim você pode decidir se vai ceder sua foto de graça ou não para o banco. Já cedi foto para instituições de caridade, já fotografei gratuitamente casamento de pessoas carentes, já trabalhei com pessoas com necessidades especiais sem cobrar nada, já dei curso de fotografia de graça para ONGs, mas uma instituição com grana como o HSBC não leva nada de graça do meu trabalho.

          • carlos.mb

             

            Os banco$ tem dinheiro para pagar bem pelas fotos? Claro que sim. Podem ser cara de pau de montar um concurso e não oferecer um bom prêmio, ou não oferecer nada? Com certeza. Eles montam um banco de dados com imagens que custaria milhões (para usar como quiser até 31/12/2010)? Pode ser.

            Todos deveriam lutar pelos seus direitos, com razão. Noção de propriedade intelectual acho que todos sabemos o que é isso, mas como é fácil copiar muitos aproveitam …. (ninguém conseguer copiar um processador, um HD, uma placa de rede ou de vídeo, aí tem que pagar).

            Mas nao é preciso achar um absurdo, ultrajante ou ficar revoltado com uma proposta desta. Ainda mais aqui no 1/2 bit.

            Aqui a briga muitas vezes é em achar que o certo é exclusivamente o código aberto. Que todas as empresas deveriam liberar o fonte de seus sistemas. 

            Se o Google, Oracle, IBM ou Apple criassem um concurso mesmo sem prêmios onde o código deveria ser aberto, muitos não se entiriam ofendidos. Reclamação haveria, pois eles poderiam oferecer vários prêmios, mas nada perto de uma revolta na área de TI.

             


             

          • http://lorenti.org gilsonlorenti

             

            Então quer dizer que se a Microsoft bancasse um concurso onde o objetivo é resolver um problema que eles tem no Windows 7, por exemplo, e que o autor da solução não ia ganhar nada, apenas um aperto de mão e ser reconhecido como o cara que quebrou o galho deles, não haveria reclamação generalizada????

            Existe diferença entre descobrir novos talentos (e depois investir neles) e se apropriar do trabalho dos outros.

          • carlos.mb

            Eu não reclamaria. Ia rir muito e não iria participar (apesar de ter o direito autoral reconhecido por eles). Quem quiser ajudar a Microsoft, fique à vontade.

          • http://meiobit.pop.com.br/o-que-e-uma-salsinha Salsinha

            Não. Não haveria reclamação generalizada. Ia ter disputa para ver quem consegue “ajudar” a MS primeiro.

            Isso não é atitude de profissional, mas já vi muito “moleque” trabalhando quase de graça só para dizer que trabalha “com jogos”, por exemplo. Acho que essa é a indústria que mais se aproveita de ávidos desenvolvedores novos.

            Imagine se fanboys não iriam fazer qualquer coisa para “ajudar” a empresa amada. Mas nossa sorte é que fanboys geralmente não tem capacidade para tal. ;)

    • http://fsjunior.com.br Bullshico

      Gostaria de entender em qual parte, uma licença exclusiva (que é o que o regulamento fala), pode ser considerada open-source.

       

      Abraços.

      • carlos.mb

        Não se trata aqui de fazer uma comparação jurídica entre as regras do concurso e os termos de uma licença open source. Chamo a atenção para duas situações em comum:

        1)- Grandes e pequenas empresas utilizam software open source e um dos motivos é o custo: não pagar pelo licenciamento.

        2)- Um grande banco utilizando fotografias sem pagar pelo “licenciamento”.

        3)- Nos dois casos o diretiro autoral é garantido e este procedimento feito com pleno conhecimento e concordância dos autores/programadores.

        Open source não é igual a software de graça, mas existe open source pelo qual não precisamos pagar licença. Claro que a qualidade é fundamental. Nehuma empresa utilizará um sistema operacional pelo qual não precisa pagar X reais por processador/core mas que trave o servidor e derrube sua rede a cada hora. Mas o preço ou não pagar pela licença de uso é um diferencial e um dos fatores na escolha quando dois produtos tem qualidade e atendem as necessidades do cliente. Quanto à fotografia, não sei se existe alguma base de imagens GPL disponível na internet. 

        E existem diferenças nos dois setores também: vários bancos utilizam o mesmo sistema operacional, mas as campanhas publicitárias de 2 bancos não são iguais, daí a necessidade de exclusividade.

        Mas o foco é: Grandes empresas utilizando (software/fotografias) sem a necessidade de pagamento de (licença/royalties) com a autorização dos (fotógrafos/programadores).

        • http://fsjunior.com.br Bullshico

          Você está se contradizendo.

          Não se trata aqui de fazer uma comparação jurídica entre as regras do concurso e os termos de uma licença open source. Chamo a atenção para duas situações em comum:

          Não?

          O pessoal da fotografia, principalmente os leitores o 1/2 bit nunca ouviram falar de Open Source? Pois isto que o HSBC fez foi exatamente o Open Source da fotografia.

          Estamos falando de licenças e regras. Não sei o que você quer dizer com “comparação jurídica” (sic), mas com certeza plena e absoluta essas duas coisas regulam relações jurídicas. Se você não quer fazer uma “comparação jurídica”, você não quer discutir sobre o assunto.

          Se não é questão de preço, não é questão de preço. Não dá para dizer que não é questão de preço para depois dizer que é questão de preço, como você está fazendo. Você está simplesmente se contradizendo a cada parágrafo. O que você disse sobre a maioria dos softwares serem gratuitos não se aplica de forma alguma, posto que pela definição um software ser open source não obriga ele ser gratuito. 

          E o que você diz sobre empresas usarem open source porque é gratuito, crença tua. Guarde essa crença para você, a não ser que você tenha dados para comprova-la. Não compartilho de sua crença.

          Open source não tem a ver com preço. Tem a ver com liberdade. Só ver o artigo da wikipedia ou a página do FSF. Só se fala em liberdade quando se fala das licenças open source. Destarte, voltando ao assunto que realmente importa no que tange a comparação concurso do HSBC ao open source, eu pergunto novamente: Dessas liberdades que as licenças open source se baseiam, onde exatamente LICENÇA EXCLUSIVA se encaixa ai?

           

          Outra coisa. Em que parte a preservação do direito autoral fica assegurado nas regras?

          • carlos.mb

             

            Eu é que não entendi o que você respondeu.

            Você perguntou antes”Gostaria de entender em qual parte, uma licença exclusiva (que é o que o regulamento fala), pode ser considerada open-source.”

            Eu tentei dizer que não foi minha intenção comparar os termos do regulamento do concurso com os itens de uma licença open-source do ponto de vista jurídico, de achar uma relação entre as cláusulas de um e do outro para mostrar se são ou não semelhantes, muito menos igualar licença exclusiva a open source. Queria comparar o fato em comum nas duas situações: Grandes empresas utilizando (software/fotografias) sem a necessidade de pagamento de (licença/royalties) com a autorização dos (fotógrafos/programadores). 

            Quanto à questão do preço, eu não disse que era e depois que não era. Se você se refere à frase: “Mas o preço ….. necessidades do cliente.”, leia com atenção o parágrafo. Eu disse que o preço é sim considerado.

            O que está escrito lá é que o preço de um produto (quando não há alternativa open source), ou o fato de não se pagar licença por ele (quando um deles é open source) é um dos itens levados em consideração quando se compara um ou mais produtos de qualidade que atendem suas necessidades. 

            E eu não disse também que empresas “usam open source por ser gratuito”, isso foi conclusão ou pensamento seu. Leia novamente o que está escrito. Eu disse que o preço é um item considerado na decisão além de vários outros como a qualidade (e suporte também). Os gerentes avaliam os riscos e optam por um dos produtos. Se o linux me atende sem problemas nos 80 desktops de minha empresa, não vou pagar 600 por cada cópia do windows 7. Mas se meu negócio depende de algo que somente existe no windows 7 ou outro SO pago, não tenho alternativa.

            E não disse que a maioria é gratuita. Não usei este termo. Leia novamente. 

            E o que você disse: “open source não tem a ver com preço. Tem a ver com liberdade”, “Só se fala em liberdade quando se fala das licenças open source”. Engano seu. Tem a ver com liberdade, mas com preço também. Se um software open source não tem qualidade e não atende as necessidades de minha empresa, se trava o sistema toda hora e impede que o trabalho seja executado no prazo, por mais sensação de liberdade que ele proporcione, não uso mesmo. Vou atrás da solução proprietária que resolva meu problema. 

            E novamente quanto à pergunta: “Dessas liberdades que as licenças open source se baseiam, onde exatamente LICENÇA EXCLUSIVA se encaixa ai?”, como eu disse no post:

            1) – Vários bancos utilizam o mesmo sistema operacional open source, mas as campanhas publicitárias de 2 bancos não são iguais, daí a necessidade de exclusividade. O banco não quer a foto de sua campanha utilizada na propaganda de mais 20 empresas pelo menos até 31/12/2010.

            2)- A comparação com open source, como disse, foi no fato de termos grandes empresas utilizando (software/fotografias) sem a necessidade de pagamento de (licença/royalties) com a autorização dos (fotógrafos/programadores). 

            3)- Para a parte de sua pergunta sobre as liberdades: no artigo indicado encontramos que “The first formal definition of free software … states that software is free software if people who receive a copy of the software have the following four freedoms”.  Bem, o banco ou grupo de empresas e pessoas que receberá a cópia exclusiva do material fotográfico terá as quatro liberdades citadas. Sei que a intenção não é essa, mas em “A primeira definição formal de software livre diz que que o software é um software livre, se as pessoas que recebem uma cópia do software tem as seguintes quatro liberdades:”, a frase não diz que as pessoas devem ser todos (liberdade) ou que pode ser um grupo de pessoas (exclusividade).

            Mas validar item a item do regulamento do concurso e encontrar os itens correspondentes ou não em uma licença open source não faz parte de meu post. Veja novamente o item 2 acima.

            E por último: “Em que parte a preservação do direito autoral fica assegurado nas regras?”. Não tive acesso a todo o documento de regras do concurso, mas nos itens citados no post em momento algum está escrito que o autor das fotos não terá seus direitos autorais preservados. As regras falam de direito de uso do material até 31/12/2010. E o direito autoral não está assegurado na lei brasileira? 

             

          • http://fsjunior.com.br Bullshico

            Levando em consideração que você basicamente se repetiu e eu me também me repetiria dizendo que preço não tem nada a ver com software livre e outras coisas para responder seu post, não vou redizer o que já disse. Só três coisas:

            1. Eu não falei em comparar a regra com a licença da forma que você falou;
            2. Acesso aos dados por grupo de pessoas de forma exclusiva não é a liberdade que o SL prega, de forma alguma. SL existe justamente para forçar o contrário. Você pegou a palavra “liberdade”, fora do contexto de SL e deu sua interpretação. Essa liberdade não é a liberdade do SL;
            3. Eu perguntei sobre as regras se há assegurado que as fotografias serão creditadas. Direito autoral é assegurado pela Lei, mas se as regras não especificarem isso, o banco pode alegar que você abriu mão deles. Que é o que acontece quando você vende uma foto, por exemplo.
          • carlos.mb

            Sobre os créditos, procure então no texto integral das regras do concurso. Nos itens citados não há indicação de que as fotografias serão ou não creditadas.

          • http://fsjunior.com.br Bullshico

            Bem, nesse caso eu não sei como funcionaria. Mas acho que daria para exigir que as fotos fossem creditadas…

  • tabocadesign

    Gastaram mais dinheiro com o advogado para fazer esse contrato do que pagariam de direitos autorais.

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