Mais um produto com financiamento coletivo vai para o ralo

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Em 2013 nós anunciamos aqui no MeioBit um projeto com financiamento coletivo no IndieGoGo que tinha por objetivo colocar no mercado a câmera Panono. E o que diabos era isso? Uma câmera esférica que tinha por objetivo fazer fotos em 360º de forma simples e rápida. 

Quem idealizou o brinquedo foi o inventor alemão Jonas Pfeil e a premissa é interessante. O brinquedo tem o tamanho de uma bola de softball, é produzida em plástico resistente e possui 36 câmeras espalhadas pelo seu corpo. Ao jogar a bola para cima, os sensores do equipamento calculam quando ela vai chegar ao ápice e acionam as 36 câmeras para realizar um único disparo. Após a foto ser realizada o aparelho junta todas as fotos em uma panorâmica de 360º com 72 megapixels de resolução e que pode ser baixada via Wi-Fi em um dispositivo móvel ou enviada para a nuvem em um serviço de armazenamento da própria Panono. Assim como apontado por seu inventor, fazer panorâmicas de objetos parados é muito fácil, mas de pessoas se mexendo já é um pouco mais complicado. E esse problema é resolvido facilmente pela captura instantânea da Panono.

O objetivo da campanha de financiamento era arrecadar US$ 900 mil para começar a produção. É um objetivo alto? Sim, era, mas a campanha fechou com arrecadação de US$ 1,2 milhão. A promessa era que as primeiras unidades chegariam até os apoiadores em setembro de 2014, o que acabou não acontecendo. Em fevereiro de 2015 um segundo protótipo do produto foi apresentado, o que deu um pouco de esperança para quem já tinha investido uma grana no produto. Porém, alguns meses depois, a câmera começou a ser enviada apenas para venda em varejo e por um preço 3 vezes maior do que o que foi pago pelos investidores. A suposição era que a empresa queria levantar recursos com a venda no varejo para poder entregar o produto para os investidores, mas o produto encalhou nas lojas.

E hoje ficamos sabendo que a empresa alemã que é responsável pela produção da Panono abriu um processo de insolvência em Berlim, o que praticamente sepulta a probabilidade dos investidores receberem o produto ou receberem o seu dinheiro de volta. A mídia alemã informa que o processo de falência foi iniciado há mais de uma semana, mas não há nada informando isso no site da empresa ou qualquer comunicado foi feito aos apoiadores. Outro ponto a ser levantado é que a versão que foi vendida aos consumidores no varejo utiliza os servidores da empresa para produzir a foto panorâmica. Ou seja. com tudo fechado o equipamento se torna inútil.

Esse é apenas mais um capítulo em uma longa novela de produtos que foram financiados de forma coletiva e simplesmente não foram produzidos, pois as empresas quebraram no meio do caminho. Isso mina a confiança dos investidores neste tipo de projeto.

Fonte: Petapixel.

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Autor: Gilson Lorenti

Geógrafo de formação e fotógrafo de coração, comecei a fotografar com 18 anos de idade (antes disso nunca tinha pegado uma câmera na mão). Depois de muito estudo veio a carreira profissional que passou por várias modalidades da fotografia até realmente descobrir o que gosto de fazer. Hoje me dedico ao ensino de fotografia, fotografia Fine Art e Books Fotográficos (gestante, moda, sensual). Tomando emprestado as famosas palavras de Ansel Adams “Quando as fotografias não forem mais suficientes, me contentarei com o silêncio”.

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  • Juaum

    Não adianta ter boas ideias, estar preparado e conhecer o processo produtivo é fundamental.
    Sorry!

  • Rômulo Catão

    e com esse formato nem pra peso de porta serve.

    • rbsouto

      Coloca num suporte de madeira de demolição e chama de Hodor. Vai que…

  • Vagner Da Silva

    Eu sempre fico com os três pés atrás com produtos que dependem de serviços e da nuvem, seja videogames ou até mesmo todos os produtos de uma certa marca premium (imagine aqui sua preferida, eu suspeito de várias).
    Recentemente quando meu endereço de email grátis do Ig estava quase ganhando festa de debutantes decidiram me cobrar (extorquir na verdade) uma anuidade por um produto muito inferior aos gratuitos Gmail e Outlook, naturalmente eles perderem um usuário e leitor do portal, já que sempre lia noticias lá quando acessava o email.
    Resumindo em algum momento seu produto vai perder suporte ou deixar de ser gratuito e você simplesmente se lascou.

    • Gilson Lorenti Fotografia

      serviços de backup na nuvem me causam a mesma desconfiança. Se o serviço fechar as portas ou passar a cobrar preços abusivos eu fico refém pela quantidade absurda de dados que terei armazenado.

      • Gaius Baltar

        Eu costumo ter vários backups na nuvem redundantes e dois backups físicos em locais diferentes de todos os dados. A nuvem é praticidade e não segurança.

    • Theuer

      E eu que paguei por muitos anos @mac e também recebi uma porta na cara da Apple!
      Claro, não sem antes já me foderem trocando de nome para @me.

  • O pior é que eu estava interessado em comprar um, estava esperando que fosse vingar, pois eu acho a ideia ótima… Que pena…

  • Sinceridade

    ah se venderem a patente para o p0rnhub e outras, quero ver sékso 360 graus

  • SacoCheio

    Essa empresa ia ganhar muito mais dinheiro na assistência técnica.

    Jogar a câmera para o alto, o que poderia dar errado???

  • Olfrygt

    Não sei se é conservadorismo demais, mas sempre vi com ressalvas sites como Kickstarter, IndieGoGo, etc. Alguém saberia dizer se existe participação efetiva do doador nos projetos ou este apenas se limita dar dinheiro para viabilizar a produção?

    Se for só dinheiro, fica a duvida e o risco sobre a maturidade e experiência do solicitante para gerir sozinho os recursos e todas as etapas envolvidas no lançamento de um produto ou projeto. Neste caso e guardada as devidas proporções, sou mais fã do tipo “investidor anjo”, onde a participação e o acompanhamento do investimento existem de maneira muito clara, inclusive protegendo o investidor de determinados riscos.

    • Theuer

      Óh, eu adoro projetos colaborativos e de financiamento coletivo. Participei de vários e já fui financiado também.
      Os colaborativos são os melhores, assim como doo para projetos que acho merecedores, até hoje recebo uns Euros por ter colaborado com coisas como o jogo PCARS.
      Já no caso dos financiamentos, acho que mais que sorte, é preciso ter bom senso.
      Os nêgo que se metem financiar aberrações como Lily camera, PRECISAM tomar no tóbas…
      Essa bolota com câmera, apesar de não parecer/ser tão complexo, tem conceitos que pedem para falhar. Uns óbvios, como a proposta de gerar 72 megapixels para tiradores de selfie, de querer enviar tudo isso para nuvem(via Wifi ainda por cima). Outros mais técnicos, como dar uma esfera para alguém que certamente jogará para cima com algum tipo de rotação e querer que ela tire fotos com todo esse movimento. As câmeras terão um Shutter 1/1000 para não borrar? Com que ISO, ganho e ruído?
      Enfim, não parece ser difícil escapar das armadilhas. A não ser aqueles que são golpes mesmo. (Apesar de que o Lily era golpe e estava na cara)
      Sobre os sites… Alguns fazem a melhor parte que lhes cabem como o KickStarter que tem programas de estorno do valor e tal. O IndieGoGo eu confesso não conhecer nada, mas também lembro de vários Fails nele. Os brasilieros, são brasileiros!
      Quando recebemos o direito mas resolvemos abrir mão da Lei Rouanet de Incentivo, porque descobrimos um submundo dentro dela que não quisemos participar(longa história…), entendemos que iríamos fazer um Financiamento Coletivo para terminar o Brasil Heavy Metal.
      Fomos atrás desses sites nacionais e aprendemos que eles são apenas atravessadores. Pouco suporte, relevância nenhuma, “cases” fracos…
      Se era para deixar 20% da grana com alguém, que fosse com o próprio projeto. Montamos o próprio site para o financiamento, colocamos recompensas e pedimos R$88mil para terminar o filme.(voltei aqui porque esqueci de dizer que usamos aquele negócio de “impulsionar” pelo FaceBook)
      Terminados os 88 dias(!), tínhamos passado dos R$100mil e já estávamos enviando as recompensas. Logo depois fizemos a pré estreia e lançamento do filme em alguns cinemas em SP.
      Então sobre os sites, eu repito a mesma coisa, vale mais o bom senso que qualquer outra coisa. Apenas minha opinião.
      Abraço cara.

      • Olfrygt

        Muito obrigado pelos esclarecimentos e parabéns pelo projeto !

  • Nícolas Wildner

    Ta na hora de criar um site de financiamento de projetos mortos: Necrostart.
    Para termos um “vale a pena ver de novo” do mundo do Crowdfunding.

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