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Como os games influenciaram a série Westworld

Apesar de ter nascido de um filme lançado na década de 70, o criador da série Westworld revelou que parte da inspiração para os robôs do parque tem vindo dos NPCs vistos nos games.

10 anos atrás

westworld

Com seu primeiro episódio tendo sido (merecidamente) muito elogiado, Westworld tem tudo para ser uma das melhores séries do ano e gerar várias temporadas. Nela conhecemos Delos, um parque de diversões onde as pessoas pagam para sentir como se estivessem em outras épocas, como por exemplo o Velho Oeste.

O que torna a história da série baseada no filme de Michael Crichton interessante é o fato de que, tirando os visitantes, o lugar é “habitado” por androides praticamente idênticos a humanos, o que faz com que crimes como estupros e assassinatos sejam permitidos, liberdade essa que eticamente é bastante questionável.

Tais características fazem com que o lugar possa ser comparado a um jogo eletrônico. Ao ser questionado se a série teve alguma influência dos games, o showrunner Jonathan Nolan disse que muitas das histórias interessantes de hoje em dia vem dessa mídia, e completou:

… eu estava fascinado pelo conceito de escrever uma história em que as ações dos protagonistas não seriam parte da história. Em jogos como The Elder Scrolls: Skyrim, Red Dead Redemption ou os sandbox que a BioWare faz, a moralidade é uma variável. Como você escreve uma história em que o componente moral do herói existe num espectro? Esse é um desafio fascinante.

 

Também sou fascinado por como os personagens não controláveis nos videogames possuem suas próprias vidas. No Skyrim, quando você entra em uma vila não necessariamente será a pessoa mais importante de lá. Os NPCs possuem vidas que seguirão esteja você ali ou não. Estive ouvindo comentários de [desenvolvedores como] Ken Levine sobre criar o BioShock Infinite e o carinho que os desenvolvedores e os designers desenvolvem por seus personagens. É uma relação qualitativamente diferente da que os roteiristas tem com seus personagens, porque os personagens dos jogos não apenas recitam seus diálogos — eles fazem mer** e os jogadores interagem com eles. Acho que é uma relação que o Crichton antecipou de alguma forma, mas que se tonou muito mais complicada do que ele poderia imaginar.

Apesar da comparação ser bastante óbvia, considero-a muito interessante, pois diversas vezes me peguei pensando na “vida” que os NPCs levam quando estamos jogando, com eles seguindo suas rotinas e tentando fazer com que os mundos virtuais em que nos encontramos sejam os mais plausíveis possível, uma existência que serve apenas para nosso bel-prazer.

Pelo jeito, Nolan conhece uma coisinha ou outra sobre games e embora o conceito da série evidentemente venha do filme homônimo lançado na década de 70, acho que os jogos eletrônicos poderão sim contribuir para a elaboração do enredo e para uma melhor exploração dos autômatos.

Fonte: Vice.

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