Como os games influenciaram a série Westworld

westworld

Com seu primeiro episódio tendo sido (merecidamente) muito elogiado, Westworld tem tudo para ser uma das melhores séries do ano e gerar várias temporadas. Nela conhecemos Delos, um parque de diversões onde as pessoas pagam para sentir como se estivessem em outras épocas, como por exemplo o Velho Oeste.

O que torna a história da série baseada no filme de Michael Crichton interessante é o fato de que, tirando os visitantes, o lugar é “habitado” por androides praticamente idênticos a humanos, o que faz com que crimes como estupros e assassinatos sejam permitidos, liberdade essa que eticamente é bastante questionável.

Tais características fazem com que o lugar possa ser comparado a um jogo eletrônico. Ao ser questionado se a série teve alguma influência dos games, o showrunner Jonathan Nolan disse que muitas das histórias interessantes de hoje em dia vem dessa mídia, e completou:

… eu estava fascinado pelo conceito de escrever uma história em que as ações dos protagonistas não seriam parte da história. Em jogos como The Elder Scrolls: Skyrim, Red Dead Redemption ou os sandbox que a BioWare faz, a moralidade é uma variável. Como você escreve uma história em que o componente moral do herói existe num espectro? Esse é um desafio fascinante.

 

Também sou fascinado por como os personagens não controláveis nos videogames possuem suas próprias vidas. No Skyrim, quando você entra em uma vila não necessariamente será a pessoa mais importante de lá. Os NPCs possuem vidas que seguirão esteja você ali ou não. Estive ouvindo comentários de [desenvolvedores como] Ken Levine sobre criar o BioShock Infinite e o carinho que os desenvolvedores e os designers desenvolvem por seus personagens. É uma relação qualitativamente diferente da que os roteiristas tem com seus personagens, porque os personagens dos jogos não apenas recitam seus diálogos — eles fazem mer** e os jogadores interagem com eles. Acho que é uma relação que o Crichton antecipou de alguma forma, mas que se tonou muito mais complicada do que ele poderia imaginar.

Apesar da comparação ser bastante óbvia, considero-a muito interessante, pois diversas vezes me peguei pensando na “vida” que os NPCs levam quando estamos jogando, com eles seguindo suas rotinas e tentando fazer com que os mundos virtuais em que nos encontramos sejam os mais plausíveis possível, uma existência que serve apenas para nosso bel-prazer.

Pelo jeito, Nolan conhece uma coisinha ou outra sobre games e embora o conceito da série evidentemente venha do filme homônimo lançado na década de 70, acho que os jogos eletrônicos poderão sim contribuir para a elaboração do enredo e para uma melhor exploração dos autômatos.

Fonte: Vice.

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Autor: Dori Prata

Pai em tempo integral do pequeno Nicolas, enquanto se divide escrevendo para o Meio Bit Games, Techtudo e Vida de Gamer, tenta encontrar um tempinho para aproveitar algumas das suas paixões, os filmes, os quadrinhos, o futebol e os videogames. Acredita que um dia conseguirá jogar todos os games da sua coleção.

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  • tuneman

    rá, quem aqui nunca seguiu os NPC do GTA? =P

  • Cocainum

    Talvez a série acabe também influenciando os games. Pode ser interessante colocar histórias mais complexas para os NPCs, onde o jogador pode introduzir (ui) variações na história caso interaja com eles ou elas podem se desenrolar sozinhas, até mesmo influenciando histórias e decisões de NPCs que o jogador só vai encontrar no futuro. Claro que isso tem o problema do “efeito borboleta”. Variações em histórias interligadas podem se acumular, gerando resultados bem diversos após algum tempo e seria bem complicado manter o controle, evitando algum beco sem saída ou prejuízo na jogabilidade.

    • Jhonathan Vieira

      The Witcher 3 faz parte do que vc descreveu nas belíssimas side quests, o arco do Barão Sanguinário é ótimo.

  • OverlordBR

    pois diversas vezes me peguei pensando na “vida” que os NPCs levam quando estamos jogando

    A primeira vez que me peguei pensando nisto foi quando joguei Baldur’s Gate: Shadows Of Amn…

  • Diego Marco Trindade

    Às vezes me pego imaginando nos NPCs da vida real. Não lembro em qual matéria um cara chamou as pessoas de NPC.

    Edit: http://meiobit.com/352350/iphone-7-genios-estao-furando-os-smartphones-para-obter-conector-de-fone-de-ouvido/ A gente tem que fazer side-quests para ajudar os outros, com a impressora ou computador por exemplo.

    Tá cheio de NPC votando por aí tb.

  • Confesso que nunca, nem por um segundo sequer, dei a mínima para a vida de um NPC.

    Pra mim eram míseras partes de um jogo que vc interagia forçadamente.

    • Talvez eu esteja errado, mas acho que isso vai muito do quanto a pessoa consegue imergir num mundo virtual.

      • HomeroGamer-BanidodoMB

        Ou da forma como a pessoa entende entretenimento. Pra mim entretenimento é procurar aproveitar cada centavo que eu gasto num jogo. Agora quando a pessoa joga apenas por modinha pra dizer que jogou, ai não consegue mesmo imergir e se divertir (tem um npc em skyrim que dá umas puladas de cerca…)

      • Acho que não hein.

        Ou vai dizer que vc liga muito pra vida da mulher do caixa do supermercado, do motorista de ônibus, do carteiro, enfim, desses NPC da vida real? Pelo contrário, quando a mulher do mercado começa falar dos problemas dela, a maioria das pessoas já revira os olhos e pensa “Lá vem o falatório”.

        Se facilmente ignoramos essas pessoas do mundo real, cuja única “utilidade” é a limitada interação que só serve como meio, para chegarmos à um fim, quem dirá nos jogos eletrônicos.

        • Você deve ter razão, mas isso não elimina o fato de eu ficar pensando no que um NPC fará quando eu virar as costas ou para onde está indo aquela pessoa com quem cruzei na rua.
          Ou seja, nós seres humanos somos diferentes. Alguns prestam atenção (e até se preocupam com) em coisas triviais, outros não dão importância. Ou talvez eu seja meio maluco mesmo, sei lá.

    • Just a Gamer

      Isso é porque você joga apenas por jogar, sem se envolver com a história do game, sem aproveitar o que o jogo tem a te oferecer. Como não se importar como a Maria em Gears of War 2? Ou o Don em Gears 3? Leah e Deckard Cain em Diablo 3. Anastacia, Solaire, Sif, Artorias, e até mesmo Priscilla em Dark Souls. E Mass Effect então, que tem tanto personagem com quem a gente se importa, que ficaria uma lista muito grande pra nomear aqui.

      Na boa, mas você não sabe aproveitar um jogo.

  • excelente conceito!

  • Gaius Baltar

    Nesse episódio vimos isso claramente na cena em que o xerife convidava os “convidados” para missões. O roteirista diz em um diálogo que a história se adapta às escolhas do “convidado/jogador” como em qualquer RPG. Se um NPC morre (ou sobrevive) o enredo altera-se. Lembrei muito de Mass Efect, até porque creio que a resolução da narrativa do “convidado” teria o mesmo resultado que no jogo da Bioware. 😄

  • Rafael

    Eu ja fiquei seguindo NPCs no Fallout só pra ver o que eles fariam hahaha

  • André Pessimista

    Adorei a premissa, mas sinto cheiro de futura enrolação dragonbolistica no futuro…..

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