Inside — Review

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Considerado um dos primeiros jogos independentes a se tornar um grande sucesso, Limbo chegou ao Xbox 360 em 2010 e imediatamente colocou a Playdead em evidência. Título de estreia do estúdio dinamarquês, num primeiro momento o jogo dirigido por Arnt Jensen chamou a atenção pelo seu estilo visual baseado no expressionismo alemão, para depois conquistar muitos fãs pela excelente jogabilidade.

Os anos foram passando e as pessoas começaram a se perguntar o que mais a desenvolvedora teria a nos oferecer, até que em 2014 a resposta veio na forma de outro jogo de plataforma, o Inside. Podendo ser descrito como um sucessor espiritual do Limbo, a obra lançada recentemente tem muito do que foi visto no monocromático jogo que o precedeu, mas na minha opinião, consegue superá-lo em todos os aspectos.

Neste também controlaremos um garoto por um ambiente assustador e na maioria das vezes extremamente perigoso, nos obrigando a explorar cenários lineares. Além disso, em momento algum nos será dito claramente o que está acontecendo ali, com a interpretação do enredo cabendo muito a sensibilidade do jogador.

Para ilustra o que estou dizendo, pegue por exemplo o fato de que tirando a tela título e os créditos finais, em nenhum outro momento do Inside você verá qualquer palavra. O jogo não possui uma interface, indicações do que fazer a seguir e até mesmo a trilha sonora só se fará presente em trechos realmente necessários. Todo o enredo nos será passado através dos cenários, dos personagens com quem cruzaremos e da própria jogabilidade, o que é feito com maestria.

inside-3Pois esse conceito artístico tão profundamente intrincado nas obras de Jensen é o que faz com alguns não vejam a menor graça nelas, enquanto outros as adorem, afinal tudo dependerá da maneira como elas conseguirão tocar as pessoas e devido a ambiguidade do seu enredo, isso provavelmente acontecerá de maneiras bastante variadas.

Ambientado num mundo distópico que por vezes nos lembra a City 17 do Half-Life 2, o Inside conta com uma história muito mais sólida do que aquela vista no seu antecessor, colocando o protagonista para fugir das ameaças do que parece ser uma grande corporação e a todo momento brincando com o senso de coletividade e individualismo que rodeia nossas vidas. Ao jogá-lo, por muitas vezes me peguei pensando se o que estava fazendo ali era eticamente correto, se as pessoas que encontrei durante a minha fuga mereciam ser usadas como meros fantoches apenas para que eu pudesse avançar e embora ali tenhamos uma questão de vida ou morte, manipular os outros não é exatamente o que muitas vezes fazemos a nosso bel prazer?

Pois perguntas filosóficas é o que mais passará por nossas cabeças ao nos aventurarmos pela criação de Arnt Jensen e isso é o que faz com que o Inside seja fantástico a ponto de considerá-lo quase obrigatório, mesmo para quem não gosta de videogames.

Contudo, o jogo pode agradar mesmo quem não liga muito para essa abordagem mais artística, afinal os quebra-cabeças oferecidos por ele entregarão um bom desafio e dificilmente você não ficará curioso para saber o que acontecerá na sequência, mesmo porque o jogo evolui num ritmo bastante dinâmico.

Inside nos entrega uma experiência tão intensa que fez valer a expectativa criada em torno dele, nos fazendo lembrar das fantásticas criações de Eric Chahi e passando a impressão de que cada tela foi pensada com extremo cuidado. Desde a angustiante perseguição inicial até o seu bizarro e assustador desfecho, esse é um jogo sobre o qual você provavelmente passará dias pensando após terminá-lo e se ele não conseguir te convencer de que os videogames são obras de arte, dificilmente outro o fará.


Vida de Gamer | Inside — Live Gameplay

Inside está disponível para PC e Xbox One.

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Autor: Dori Prata

Pai em tempo integral do pequeno Nicolas, enquanto se divide escrevendo para o Meio Bit Games, Techtudo e Vida de Gamer, tenta encontrar um tempinho para aproveitar algumas das suas paixões, os filmes, os quadrinhos, o futebol e os videogames. Acredita que um dia conseguirá jogar todos os games da sua coleção.

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  • HomeroGamer-BanidodoMB

    Desde que você não seja um retardado como Roger Ebert você sempre pode apreciar jogos como Limbo, Jorney e Inside, tanto como uma diversão sem consequências quanto uma obra de arte para sentirmos. (… video games represent a loss of those precious hours we have available
    to make ourselves more cultured, civilized and empathetic.)

    E que venham mais jogos como esse.

    Edit: o adorado Kojima também é contra descreverem jogos como obras de arte.

    • Rafael Vasconcelos

      Críticos profissionais são a raça mais inútil que existe. Nunca mexem a bunda pra criar nada e apenas sentam nos seus tronos imaginários de autoridade inexistente julgando o trabalho de quem realmente se esforça e se arrisca. Além disso, eles podem ser comprados é claro.
      Um outro exemplo que eu conheço é aquele Regis Tadeu, que eu nunca vi falar bem de alguma coisa, parece um jogador de moba de tanta negatividade que existe.

      • HomeroGamer-BanidodoMB

        Pois é , mas o senhor deus todo poderoso do videogame Kojima não é crítico profissional e foi contra citarem games como obras de arte citando quesitos como interatividade (como se não existissem obras de arte interativas) e que obras de arte são feitas para atingir UMA pessoa (como se a Mona Lisa não atingisse milhões…).

        • Orakio Rob

          Honestamente, depois que o Andy Warhol transformou um monte de latas de sopa em arte, eu acho até irrelevante discutir se games são ou não arte…

          • HomeroGamer-BanidodoMB

            Não é discussão em si se games são ou não arte… apenas estou colocando um fato. Enquanto existem pessoas que se sentem tocadas por um jogo ou outro (eu por exemplo ainda considero Deus Ex original e Fallout New Vegas obras de arte pelos incríveis roteiros e conteúdo cinematográfico deles) tem gente que simplesmente tapa o sol com peneira tentando definir arte usando conceitos ridículos e arcaicos.

          • Orakio Rob

            Só para esclarecer, eu também acho ridícula a postura do finado Roger Ebert. Assim como você, acho que arte é uma coisa muito pessoal: você pode olhar para um monte de latas de sopa, ou para Fallout New Vegas, e se sentir tocado por aquilo ou achar uma grande besteira. Acho que não cabe a ninguém dizer o que é ou não arte, a não ser a nós mesmos. Se é arte para você, ninguém tem que te dizer que não é. Por isso, o conceito de arte não me interessa muito, mas sim, sim, concordo totalmente com você.

          • HomeroGamer-BanidodoMB

            Saco… agora vou ter que aguentar um retardado tentando puxar meu pé de noite (auheuaeheauhaeuaeheauhae).

          • Orakio Rob

            Se isso te serve de consolo, eu ouvi um papo aí que todos os críticos profissionais vão para o inferno quando morrem 😛

        • SacoCheio

          Arte pode ser entendida como uma obra feita para emocionar.
          Neste sentido, existem games que são indiscutivelmente obras de arte.

    • aaa queria Journey no pc :/

      • HomeroGamer-BanidodoMB

        Meu sonho também. Como não vai ser realizável eu baixei do Youtube o vídeo da gameplay completa e volta e meia acabo assistindo. É como assistir um filme mudo cheio de história.

    • SacoCheio

      Na galeria de jogos que são obras de arte, peço permissão pra incluir Portal e Portal 2.

      • HomeroGamer-BanidodoMB

        Aqueles que não são retardados que só sabem falar mal do que os outros fazem já colocou como sendo obras de arte.
        http : // www . moma . org / collection/works/162463

      • HomeroGamer-BanidodoMB

        Desculpe o DP… O link citado é do Museu de Artes Modernas de Nova York.

    • RôShrek

      Eu ainda tento entender porque latas com fezes dentro é arte e um cenário tão bonito quanto de Braid ou Journey, não. Pra mim todo o conceito e execução de Shadow of the Colossus é arte no seu mais puro grau.

      • HomeroGamer-BanidodoMB

        Pela definição do Kojima, arte é feita para atingir uma pessoa em 100, não pode ser pensada em atingir multidões (acredite…) e arte não é interativa. E se o jogo atinge uma em 100 então não é jogo também porque jogo tem que atingir 100 em 100 pessoas.
        Como foi o senhor todo poderoso criador do MGS Hideo Kojima então Shadow of the Colossus não é arte e nem jogo.

        http : // www . eurogamer . net /articles/news240106kojimaart

        • RôShrek

          Bom, ele é japonês. Há de se dar um desconto, afinal japoneses.

  • Orakio Rob

    Ok, Dori, ok, você me convenceu. Raios! Mas vou esperar uma promoção 😛

    Gostei muito de Limbo, mas sou meio avesso a sequências (quando jogo algo que considero único, geralmente prefiro jogar algo totalmente diferente depois em vez de partir para uma continuação). Por outro lado, tenho um fraco por esses jogos onde a história não fica bem clara e cada um entende uma coisa diferente, e como isso não é muito comum, vou abrir uma exceção, he he!

    • Só para esclarecer, o jogo não é continuação do Limbo, ok? Eles possuem estilos muitos parecidos, mas não chega a ser uma continuação.

      • Orakio Rob

        Tranquilo, eu entendi. Falo em sequência mais em termos de estilo, mecânica e tal.

  • Rafael Vasconcelos

    Só não peguei esse jogo ainda com medo que seja tão curto quanto Limbo. Vou esperar um boa promoção.
    Indo completante na direção oposta, eu me interessei mais por Furi, mas também esperar baixar de preço.

    • pessoal relata de 3-5 horas
      o que para mim é excelente

      • Isso mesmo, mas é como sempre digo, de nada adianta um jogo que dure 40, 50 horas (Destiny, The Division) e que não entregue uma experiência tão marcante quanto um Limbo ou Jorney.

        • Para mim uma história que excede 10 horas tem que ser muito boa. Senão nesse período prefiro rever uma temporada de GoT. hehe

        • Orakio Rob

          Concordo. Outro dia mesmo peguei o tal do Proteus lá no Steam, joguei por meia hora e não sei se vou jogar de novo, mas já valeu a grana. Foi uma meia hora fantástica, nunca tinha jogado nada parecido.

        • Tejobr

          Exatamente. O Limbo ficou em minha grata memória.

    • Tejobr

      Eu não consegui todos os itens do Limbo na época e fiquei com preguiça. Ontem descobri que tem uma fase bônus.

      Acho que se tentar pegar todos os itens, sem tutoriais, deve demorar um pouco mais.

  • Thiago

    Como gostei muito do Journey e fizeram menção dele aqui, lá fui eu gastar meus trocados! À noite vou conhecer (com fé que meu X1 esteja nesse momento baixando o jogo pra mim hehehe)

    • RôShrek

      Journey é uma obra prima. Às vezes largo tudo e jogo ele pra pensar na vida. Definitivamente é uma experiência diferente em termos de jogos eletrônicos.

    • Manoel Jorge Ribeiro Neto

      Journey e Limbo estão entre os meus jogos favoritos. Como o Inside pesca referências desses dois jogos, então ele acabou de entrar na minha lista “must have“. No entanto, ainda esperarei para quando for lançada a versão para PS4.

  • Germano

    Me interessei por ter adorado Limbo, mas ao ler as configurações mínimas na página do Steam descobri que o processador gráfico do meu laptop está uma geração abaixo: ele tem uma GT 540M, e pede lá uma GT 630 mínimo.
    Meu laptop já está mostrando a idade quando se trata de jogos faz tempo, embora não pensei que indies plataforma 2D começariam a se tornar inacessíveis tão logo.

  • Tejobr

    O que posso dizer? Meu avatar na xbox live veste a camiseta do jogo.

    Assisti um vídeo do jogo e só estou esperando baixar o preço um pouquinho.

  • Manoel Jorge Ribeiro Neto

    Quando sair para PS4 certamente jogarei! Agora fiquei com uma dúvida: ele tem alguma relação com o Limbo? Se tiver, melhor ainda 😀 !

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