Para David Cage, falta de inovação nos games é nossa culpa

dori_bts_14.01.12

Não é de hoje que David Cage, game designer responsável pelo Heavy Rain e Indigo Prophecy, tem criticado a indústria de games e dessa vez ele disparou contras as intermináveis sequências que teimam em ser lançadas, algo que na sua opinião é bastante prejudicial.

Muitas pessoas querem o mesmo e se for isso o que você tem a lhes oferecer, elas comprarão com prazer. O resultado é bem simples. Os jogadores investem dinheiro em editoras que não tem interesse na inovação… Os jogadores encorajam as editoras a continuar lançando o mesmo jogo a cada natal e todos ficam felizes.

Se você está interessado em inovação e acredita que os jogos podem ser mais do que shooters, então você percebe que as sequências matam a criatividade e a inovação.

Ou seja, a culpa por a indústria de games não estar inovando e apostar todas as suas fichas em continuações seria principalmente nossa, algo com o que concordo, mesmo admitindo ser alguém que fica empolgado ao saber que uma franquia que adora receberá uma continuação.

Essa insegurança pelo desconhecido pode ser comprovada ao vermos a lista de games vendidos no ano passado, pois além de termos nela dois Call of Duty e três jogos de esporte, repare que todos os games são continuações e chega a ser até irritante nos darmos conta de que uma franquia só começa a mostrar resultados respeitáveis depois do segundo ou terceiro capítulo.

Os 10 jogos mais vendidos nos EUA em 2012

  1. Call of Duty: Black Ops II (360, PS3, PC, Wii U)
  2. Madden NFL 13 (360, PS3, Wii, PSV, Wii U)
  3. Halo 4 (360)
  4. Assassin’s Creed III (360, PS3, PC, Wii U)
  5. Just Dance 4 (Wii, 360, Wii U, PS3)
  6. NBA 2K13 (360, PS3, Wii, PSP, Wii U, PC)
  7. Borderlands 2 (360, PS3, PC)
  8. Call of Duty: Modern Warfare 3 (360, PS3, Wii, PC)
  9. Lego Batman 2: DC Super Heroes (Wii, 360, NDS, PS3, 3DS, PSV, PC
  10. FIFA Soccer 13 (360, PS3, Wii, PSV, 3DS, Wii U, PSP)

[via CVG (1 e 2)]

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Autor: Dori Prata

Pai em tempo integral do pequeno Nicolas, enquanto se divide escrevendo para o Meio Bit Games, Techtudo e Vida de Gamer, tenta encontrar um tempinho para aproveitar algumas das suas paixões, os filmes, os quadrinhos, o futebol e os videogames. Acredita que um dia conseguirá jogar todos os games da sua coleção.

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  • verdade, meu cunhado trabalhava na ubisoft e disse que eles nao investem grana em games que inovadores. preferem o lucro certo do que a chance de perder grana

  • David Cage está completamente certo. Se a produtora ganha rios de dinheiro com uma franquia como o CoD, que é pouco mais que um MOD do titulo anterior, para que inovar e arriscar ?

  • marcos.petropolis

    A culpa é dos jogadores que querem sempre a mesma coisa ou é das produtoras que não querem correr o risco com uma novidade?Acho que é os dois.Mas quem têm o poder de mudar?Nós ou eles?

  • marcos.petropolis

    Por falar em mesma coisa, a imagem acima parece muito com a menina de The Last of Us.

    • Mas é a protagonista do Beyond: Two Souls, outro jogo do David Cage. Mas considerando que tanto a menina do The Last Of Us quanto essa foram modeladas a partir da Ellen Paige (apesar da modelagem da garota do TLOU ter sido alterada, depois), tá explicado, né? 😀

  • Porra, o cinema faz isso há décadas, encontra uma fórmula e usa ela até se esgotar

    • O que não diminui o erro dos criadores de games.

  • CoD, e.g., através de sucessivos lançamentos criou uma base, assim, novos estilos/gêneros passam pelo mesmo crivo, o início certamente não é uma exponencial de vendas (provavelmente dará pouco lucro ou até prejuízo aos desenvolvedores), mas à medida que o modelo se consolida novos jogadore aderem e então a inovação pode se tornar padrão. Não há sentido em inovações isoladas, elas precisam fazer parte de um conjunto, precisam de uma base de usuários, e em geral possuem uma longa trajetória. Inovar subitamente é muito arriscado: há muitas chances de você estar adiantado, atrasado, enfim, errado. Ele devia experimentar jogos como Heavy Rain para plataformas PC e XBOX, afinal este título foi a única razão para me fazer comprar um PS3 (e o único que tenho ainda). Há público para o estilo, precisa explorar e fidelizar. (Inovação é sobrevalorizado).

  • Concordo completamente com ele.

    Essas sequências são péssimas para as empresas – que não inovam e deixam de criar jogos melhores – e para os jogadores – que não saem da zona de conforto de games que eles jogam.

    Sem falar que muitos desses shooters (dos que estão ali só Halo 4 eu acho um bom jogo) são repetições ad infinitum da mesma fórmula – CoD e MoH são sempre muito parecidos, melhoram os gráficos e as armas e surge alguma coisa nova na jogabilidade deles, que, normalmente se resume em alguma arma ou em algum modo de jogo novo.

    E o pior de tudo isso é que com essa atitude muitos desenvolvedores de games deixam de ter espaço e de trazer novas ideias para a empresa e, principalmente, para nós. Hoje em dia a inovação e as ideias boas estão nos indie games.

  • Faz muito sentido! Mas a culpa não pode ser colocada toda no consumidor. O mercado é um organismo e nosso comportamento tem muito de reflexo daquilo que a própria indústria tá oferecendo. Se formos analisar as tentativas de “novas franquias” que surgem, vemos jogos mal acabados, muitas vezes tão cheio de problemas que nos perguntamos se valeu a pena a compra. Diante de mistérios como “será que presta?”, melhor mesmo investir o suado dinheirinho em títulos já conhecidos – garantia de diversão sem irritação.

  • Yulan Cardoso

    Isso está erroneamente relacionado em nossas cabeças (e nas cabeças de vários estúdios de entretenimento) à falta de criatividade e inovação, que no fim se resume a lucro sem investimento. Mas uma sequência PODE ir muito além do que fazer “o mesmo”.

    Não vejo nada de errado em querer continuar acompanhando uma narrativa ao longo do tempo, e acredito que algumas coisas são melhor apreciadas em “doses”. Chega a ser meio injusto falar que isso é uma coisa ruim. O que o mercado precisa é saber se usar dessa dosagem para manter suas franquias sempre atuais, sejam em relação à nossa cultura ou tecnologia.

    As franquias da Nintendo podem ser usadas como exemplo, a maioria já existindo há décadas e mesmo assim marcando presença ano após ano nas listas de melhores jogos. Nunca passei pela sensação “ah não, mais um Zelda”. Cada título traz algo novo, diferente, e pra mim é isso que qualquer sequência precisam buscar.