Projeto fracassa e nos lembra do risco de se apostar num Kickstarter

dori_haun_22.10.12

O Kickstarter é mesmo algo muito legal. Graças ao sistema de vaquinha virtual muitos projetos interessantes ganharam o financiamento que precisavam e para as pessoas que optaram por investir seu dinheiro neles, havia a garantia de que caso o valor mínimo não fosse atingido, a quantia “doada” não seria cobrada de seus cartões de crédito. Porém, muitos não se deram conta de que mesmo assim havia um risco envolvido, já que os idealizadores do projeto poderiam não entregar o produto final, mesmo com o montante necessário tendo sido conquistado.

No começo desse mês Chet Faliszek da Valve alertou sobre a possibilidade disso acontecer e agora parece que começamos a ver os primeiros fracassos relacionados ao Kickstarter. O jogo em questão atende pelo nome de Haunts e após pedir apenas US$ 25 mil para seu desenvolvimento e conseguir quase US$ 4 mil além disso, o seu criador, Rick Dakan, anunciou que não sabe como fará para concluí-lo.

De acordo com o sujeito, o problema é que os dois programadores principais conseguiram empregos em que teriam que se dedicar durante todo o dia, não deixando tempo para se dedicarem ao game e como ele estava sendo criado com uma linguagem de programação pouco conhecida chamada Go, conseguir nova mão de obra tornou-se uma tarefa difícil.

Dakan afirma que o valor levantado no Kickstarter era para recuperar parte dos US$ 42.500 investido anteriormente e que os últimos meses tem sido muito complicado para ele, já que além de ter investido no jogo quase todo o seu tempo, é a sua reputação que está em risco no momento e não ele não tentou se eximir da culpa.

Apesar de ainda existirem algumas possibilidades de que aqueles que investiram no Haunts não saiam no prejuízo, como uma negociação para a Blue Mammoth Games (fundada por colegas de Dakan na faculdade) publicar o jogo, o fracasso no projeto mostra o risco que corremos ao aplicarmos nosso dinheiro na criação desses games, ainda mais quando não se trata de algo que tenha um grande nome por trás, embora nem mesmo isso significa alguma garantia.

Vejamos por exemplo o caso de Brenda Braithwaite e Tom Hall. Com uma vasta experiência na indústria, a dupla recorreu ao Kickstarter para arrecadar um milhão de dólares para produzirem um jogo chamado Shaker e faltando 13 dias para a campanha acabar, com apenas pouco mais de US$ 250 mil conquistados eles decidiram encerrá-la por achar que não conseguiram despertar a atenção que gostariam. É claro que neste caso nenhum colaborador sairá perdendo, já que o valor não será cobrado, mas algo me diz que no fundo os game designers precisavam de muito mais do que o mínimo pedido e ao se darem conta de que não iriam lucrar tanto quanto a Double Fine ou a Obsidian, viram que o melhor era parar antes de ter que passar por um vexame maior.

Enfim, a sensação que fica é de que por mais que seja muito legal podermos ajudar de alguma forma a criação de um jogo, dar seu dinheiro para uma campanha no Kickstarter deve ser considerado uma aposta e como tal, há a chance de sairmos contentes ou extremamente decepcionados.

[via BBC]

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Autor: Dori Prata

Pai em tempo integral do pequeno Nicolas, enquanto se divide escrevendo para o Meio Bit Games, Techtudo e Vida de Gamer, tenta encontrar um tempinho para aproveitar algumas das suas paixões, os filmes, os quadrinhos, o futebol e os videogames. Acredita que um dia conseguirá jogar todos os games da sua coleção.

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