Ronaldo Gogoni 10 anos atrás
Uma das maiores vantagens que usuários de iPhone costumam contar sobre os donos de Android (não se aplica ao Windows 10 Mobile, mas quem se importa com ele?) é o compromisso com as atualizações dos aparelhos. Com ou sem contratos de operadoras, os updates passam por cima de todo mundo e chegam sempre no dia marcado, uma das coisas que Steve Jobs não abriu mão de jeito nenhum.
Já o Google entregou as chaves nas mãos das fabricantes e operadoras de telefonia: as primeiras são as responsáveis pelas atualizações do Android e podem decidir libera-las ou não, enquanto o segundo grupo atua como mais uma barreira: aparelhos bloqueados costumam receber as novidades bem depois.
O Google Pixel representaria uma mudança de paradigma: o primeiro atravessador, o fabricante foi retirado da equação (ainda que a HTC seja a responsável, tal qual a Foxconn ela atua apenas como manufatura) e isso elimina a primeira barreira nos updates do Android puro, o que é o mínimo aceitável se você quer oferecer um iPhone killer.
Só que Mountain View não fez o dever de casa por completo. No anúncio dos novos smartphones a companhia revelou que a Verizon seria a operadora "exclusiva" que venderá os gadgets atrelados a planos, mas isso não é bem verdade: ele também pode ser comprado através do Project Fi e desbloqueado na Google Store e em lojas de departamentos nos EUA, porém pelo preço full que começa em US$ 649.
Esse no entanto não é o principal ponto negativo. O Google confirmou ao site 9to5Google que a Verizon atuará da mesma forma que o faz com os demais Android, decidindo quando irá liberar os principais updates de sistema para os Pixel e Pixel XL que vender.
“As atualizações mensais de segurança serão fornecidas pelo Google para ambas as versões (de operadoras e desbloqueados); já as atualizações de sistema serão gerenciadas pela Verizon para seus modelos e pelo Google para os desbloqueados vendidos através da Google Store (o que se aplica aos oferecidos no varejo)”.
O que isso significa? Que o Google mais uma vez vai permitir que a Verizon (e seguramente as demais operadoras) meta a mão em seus aparelhos bloqueando o bootloader, atrasando a liberação de atualizações sensíveis (ainda que não as mensais) e atoche os Pixel de bloatwares (que muito provavelmente não poderão ser desinstalados sem root). Nada diferente do que já acontece hoje.
Por outro lado, quem comprar o iPhone 7 ou 7 Plus na mão de uma operadora receberá um smartphone idêntico a um desbloqueado, que é atualizado no dia em que a Apple liberar os pacotes e sem nenhum app a mais para encher o saco. E com a vantagem de em muitas vezes pagar bem menos por ele. No Android essa é uma vantagem que nem sempre vale a pena.
O Google teve a chance perfeita para fazer o que a Microsoft fez, de se livrar de uma vez por todas do jugo das operadoras mas outra vez preferiu abaixar a cabeça e deixa-las fazer o que bem entendem. Só por essa pisada de bola o Pixel já perde vários pontos na corrida contra o iPhone 7, e comprar um desbloqueado vai continuar (pelo visto por muito tempo) como a única opção viável para adquirir qualquer Android.
Fonte: Ars Technica.