Carlos Cardoso 17 anos atrás
Houve um tempo em que não havia Internet. Mesmo modems eram opcionais. Os computadores viviam isolados, HDs e memória eram medidos em (poucos) megabytes. Nessa Aurora dos Tempos meu 386 DX 40MHz, com 4MB, recebeu um upgrade de peso: Um kit multimídia com CD-ROM 2X e Soundblaster Pro. Custou, na muamba, US$600,00. Junto veio um CD com a Grolier, uma enciclopédia INTEIRA em um único disco.

Com o tempo surgiu uma versão melhorada, com tudo que uma enciclopédia em CD-ROM deveria ser: A Microsoft Encarta. Mas era caaaara, gravadores de CD ainda eram raros, então quem tinha a Encarta era cidadão de primeira classe, bajulado por todos e a quem íamos pedir emprestado o CD, para trabalhos de escola, faculdade, etc.
A Encarta evoluiu, todo ano saía uma versão nova, as atualizações eram constantes e o conteúdo excelente. Só que da mesma forma que os lampiões a gás perderam o sentido com a chegada da eletricidade, a Internet veio para tornar uma enciclopédia offline tão obsoleta quanto uma analógica, apesar do que dizem os vendedores da Barsa.
Adaptando-se a enciclopédia da Microsoft conseguiu sobreviver por anos a fio, agregando toda uma suíte de softwares educativos e recursos online, mas... como justificar a manutenção de uma equipe de enciclopedistas, profissionais caros, quando há um modelo de custo zero com muito mais conteúdo, disponível para todos?
Apesar de ser reconhecidamente um bom produto, a Encarta sucumbiu à Wikipedia, ao Google, ao Yahoo e ao Altavista. Agora, em Outubro de 2009 os sites, atualizações e serviços da Encarta deixarão a Internet para entrar na História. Seguirão o caminho do Trumpet Winsock, do Kali, do CU-SeeMe, do IPX/Net5.
Adeus Encarta, e obrigado pelos peixes.
Fonte: Microsoft