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Conheça método anti-hacker para transmitir dados (contém pegadinha)

Novo meio torna fluxo de dados invisível, e hackers nem saberiam onde olhar; conexão só não é ultrarrápida

12 semanas atrás

Transmissão e gerenciamento de dados são a grande cruz que profissionais de cibersegurança e Segurança de Informação são obrigados a carregar. Em um mundo dependente de conexões seguras para garantir a confiabilidade do fluxo e armazenamento, empresas investem muita grana para fortalecer suas defesas, o que pode ser vencido com 5 minutos de engenharia social. Kevin Mitnick que o diga.

Mas e se houvesse um meio de mascarar a transmissão de modo que hackers não soubessem onde procurar? É o que pesquisadores australianos propuseram ao apresentar o estudo de um novo método, que torna a informação "invisível" a qualquer um que não seja o transmissor e o receptor. Claro, há alguns problemas que o impedem de ser adotado de imediato, mas chegaremos lá.

Segurança de dados (Crédito: Reprodução/acervo internet)

Ao invés de criptografia, novo método torna o fluxo de dados invisível (Crédito: Reprodução/acervo internet)

Dados protegidos por "luz escura"

O estudo (cuidado, PDF) publicado por pesquisadores das Universidades Monash e de Nova Gales do Sul em Sidnei envolve esconder transmissões de dados à plena vista, por assim dizer: ele não usa criptografia, ao invés disso, se vale de um método que torna o fluxo em si invisível. Sem os meios para identificar as duas pontas, um hacker sequer teria como saber onde procurar.

O segredo está em um fenômeno da Física chamado luminescência negativa. Por padrão, todo e qualquer dispositivo eletrônico emite radiação térmica maior que o ambiente quando uma corrente passa por ele, ou seja, gera calor. Esse campo vem sendo estudado há alguns anos, com pesquisas promissoras propondo inclusive a criação de transistores térmicos, que poderiam revolucionar a eletrônica mais uma vez.

Em suma, uma corrente faz o dispositivo emitir calor, mas e se eu dissesse que certos elementos ficam "mais frios" sob infravermelho? Isso é luminescência negativa: a passagem da corrente causa uma diminuição da radiação térmica em relação ao ambiente, em uma taxa menor do que no estado de repouso. Em outras palavras, ele dá a impressão de estar mais frio.

O fenômeno vem sendo estudado desde que foi observado pela primeira vez na Rússia durante os anos 1960, e ainda não há uma utilidade estabelecida para ele fora de laboratórios e sensores infravermelhos de alto nível. O que os pesquisadores propuseram foi usá-lo para transmitir dados, de modo que o fluxo se mistura ao ruído térmico do ambiente e é virtualmente invisível, sendo captado apenas por componentes especializados.

A pesquisa usou diodos termorradioativos, capazes de mudar rapidamente entre modos de luminescência ambiente e negativa indetectável, com emissores criando padrões que só podem ser interpretados por receptores correspondentes. Sem que qualquer um saiba que uma troca de informações está ocorrendo e onde/como procurar, todo o processo é invisível e à prova de interceptação.

Um diodo termorradioativo, que usa luminescência negativa para ocultar fluxo de dados (Crédito: Divulgação/UNSW Sydney)

Um diodo termorradioativo, que usa luminescência negativa para ocultar fluxo de dados (Crédito: Divulgação/UNSW Sydney)

E a pegadinha?

Bolar novos métodos para manter dados seguros é trabalho dos cientistas, e a proposta de usar luminescência negativa é inteligente e poderia resolver diversos problemas, principalmente ao considerar o uso de um método de transmissão imune a hackers, dada a alta especialização do sistema. Só não espere por velocidades estonteantes:

O fluxo no momento é um tanto lento; os pesquisadores conseguiram transferir dados a uma incrível velocidade de 100 kB/s, o equivalente a um plano de banda larga de 800 kb/s, no máximo 1 Mb/s. Claro que é muito melhor que conexão dial-up, é o equivalente ao que operadoras ainda oferecem em regiões do Brasil afastadas dos grandes centros.

Os pesquisadores da Universidade Monash propõem usar certos elementos que podem aumentar a performance da rede e dar um boost na velocidade; o grande problema é a ideia novamente se ancorar na grande promessa que nunca sai dos laboratórios. Sim, ele mesmo: grafeno, o material mágico que é a solução para tudo, mas que nunca conseguimos produzir em quantidades industriais.

A pesquisa é válida principalmente por ser um método a garantir a confiabilidade da transmissão de dados, mas no momento ele não é escalável. É possível que isso leve algum tempo, ou a luminescência negativa acabe por se tornar um protocolo especializado e restrito, voltado apenas para comunicações de alto nível que de maneira nenhuma podem ser interceptadas, por exemplo, que envolvam a Segurança Nacional de países.

Referências bibliográficas

NIELSEN, M. P., MAIER, S. A., FURHER, M. S. et al. Balancing positive and negative luminescence for thermoradiative signatureless communications. Light: Science and Applications, Volume 15 (2026), Artigo N.º 148, 7 páginas, 5 de março de 2026.

DOI: 10.1038/s41377-025-02119-y

Fonte: UNSW Sydney

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