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Gatos e caixas: uma relação que a Ciência explica

Gatos usam caixas para diversos fins, de pontos de observação a esconderijos; item ajuda comprovadamente a diminuir homônimos de estresse

28 semanas atrás

Gatos adoram caixas, até quem não tem um felino em casa sabe disso. A fascinação deles pelo item preferido sobre aquele brinquedo chique, em que você gastou uma nota e foi prontamente ignorado, tem diversas funções: oferece abrigo e um cantinho seguro, que o gato conhece bem e se sente à vontade.

Claro, o porquê de exatamente caixas tem a ver com a Evolução, além de um esconderijo, elas oferecem pontos privilegiados para atividades de caça, que gatos exercitam o tempo todo.

Além de esconderijo, uma caixa é um ponto de obervação quando o gato está caçando (Crédito: Yan/Adobe Stock/#199376114)

Além de esconderijo, uma caixa é um ponto de obervação quando o gato está caçando (Crédito: Yan/Adobe Stock/#199376114)

Fato: gatos amam caixas

A relação entre gatos e humanos dura pelo menos 9.500 anos, desde o início de sua domesticação no Oriente Próximo (Egito, Levante, Anatólia, Mesopotâmia, Crescente Fértil e regiões próximas), e mesmo assim muito de seu comportamento hoje, independente da raça, está diretamente ligado a seus ancestrais selvagens.

O apego a caixas é uma dessas características que os cientistas ainda não decifraram por completo, mas têm umas boas ideias sobre ele. No geral, uma caixa é um cantinho seguro em um ambiente que pode estar em constante mudança, gatos são exploradores e adoram desafios, mas, por outro lado, entram em alerta a qualquer sinal de mudança brusca, por exemplo, uma visita inesperada.

A Dra. Mikel Maria Delgado, psicóloga especializada no comportamento dos gatos, e pesquisadora da Universidade de Purdue em Indiana, Estados Unidos, explica que um dos motivos de gatos gostarem especificamente de caixas, é por elas cumprirem a função de arbustos e cantos ocultos onde podem se acomodar.

Na Natureza, gatos selvagens são um "meio-termo", predadores E presas, e um esconderijo bem colocado é um ponto de observação quando está caçando, e proteção em momentos em que se sente ameaçado; já em casa, uma caixa oferece ocultamento e a possibilidade de fazer um ataque-surpresa, seja um rato, uma baratinha, ou um brinquedo.

A Dra. Delgado explica que, no que tange à segurança, uma caixa é um local seguro para qual gatos fogem quando seu ambiente muda. Esse instinto é resquício de uma de suas memórias mais antigas, uma mãe prestes a parir uma nova ninhada se retira para um ambiente seguro e silencioso, a fim de ter seus filhotes em paz e segurança.

Já a Dra. Danielle Gunn-Moore, professora de Medicina Felina da Universidade de Edimburgo, na Escócia, diz que "a primeira memória de um gato tende a ser um espaço fechado e seguro", onde caixas são uma reprodução daquele ambiente em que nasceram. Não por acaso, estudos revelaram que o item tem efeito fisiológico nos felinos, uma caixa ajuda a reduzir a produção de hormônios ligados ao estresse, como o cortisol.

Caixas novas também são vistas como desafios novos, um item diferente colocado em um ambiente que ele já conhece e controla, é tentador demais para seu comportamento naturalmente curioso e explorador. No entanto, a Dra. Delgado alerta que gatos passando tempo demais em caixas denunciam que algo não está certo na casa.

Gatos usam caixas de maneiras diferentes, para propósitos diferentes, e experiências durante a fase de crescimento também ditam como eles veem caixas. Por exemplo, um gato que foi constantemente mimado e alimentado durante a juventude, especialmente entre duas e nove semanas de vida, terão uma maior resistência a mudanças do mundo ao seu redor quando adultos.

Em contrapartida, gatos que tiveram uma criação difícil nesse período (por exemplo, nasceram em ambientes externos e foram adotados depois) tratarão caixas como portos-seguros sempre que seu "sentido aranha" disparar, mas usá-las demais pode ser uma dica de que algo o está estressando, o que uma boa conversa com um veterinário pode resolver.

Fonte: Popular Science

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