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Sony PSX, o estranho pioneiro da família PlayStation

Não é o PlayStation original: conheça o PSX, uma curiosa fusão do PS2 com um DVR, que introduziu a interface XMB

40 semanas atrás

Hoje, é comum se referir ao PlayStation original como PSX (PSOne é reservado ao modelo revisto e compacto), visto que antes de seu lançamento, ele era conhecido como "Projeto PS-X". O que muitos não sabem, a Sony usou de fato o nome em um produto comercial, que nunca foi lançado no ocidente.

Lançado em 2003, o PSX era uma interessante (e cara) fusão entre o PlayStation 2 e um gravador de vídeo digital (DVR), que embora hoje seja um item raro, acabou entrando para a história por introduzir a interface de usuário XrossMediaBar (XMB), usada posteriormente no PS3 e PSP, que permanece viva em projetos de código aberto.

Hoje um item raro, o lançamento do PSX ficou restrito ao Japão (Crédito: Moi/Wikimedia Commons) / playstation

Hoje um item raro, o lançamento do PSX ficou restrito ao Japão (Crédito: Moi/Wikimedia Commons)

PSX, o PlayStation 2 tudo-em-um

A Sony nunca chegou no nível da Sega, mas teve sua cota de experimentos curiosos com seus consoles, especialmente o PS2. As três variantes seguiram a ideia de fundir o console de 128 bits com outro dispositivo, sendo a Bravia PSX-100 uma TV de 22 polegadas, e o Audiovox VOD10PS2, o único do trio licenciado para uma companhia parceira, era um monitor de teto, para ser instalado no carro e permitir quem está no banco de trás jogar durante viagens.

O PSX não fugiu da regra, aqui o PlayStation 2 acabou fusionado a um DVR, com (quase) todos os recursos possíveis a dispositivos da época. Ele foi distribuído pela divisão principal da gigante japonesa, ao invés da Sony Computer Entertainment (SCEI, hoje SIE), que gerencia a divisão de games, por ser primariamente um dispositivo de mídia, a função console era considerada secundária.

Tendo chegado às lojas japonesas em 13 de dezembro de 2003, o PSX vinha com entradas e saídas S-Video e vídeo composto, uma saída D-tanshi japonesa para vídeo digital, uma saída de áudio digital, uma porta Ethernet, e dois conectores coaxiais de entrada e saída RF, com suporte a VHF (pergunte aos seus pais), UHF, e cabo, além de dois conectores para controles DualShock 2 (na traseira, não na frente), duas portas para Memory Cards, uma porta para cartões de memória proprietários Memory Stick (Sony sendo a Sony), e uma porta USB 1.0.

Sua principal função era gravar vídeos em mídias físicas, era compatível com DVD-R e DVD-RW, DVD+RW e DVD+R (este após atualização), lia CD e DVD-RAM, e vinha até mesmo com ferramentas de edição de imagem, áudio, e vídeo não-linear. A porta USB suportava inclusive o PSP, mas apenas para transferência de fotos, vídeos, e músicas.

Na parte do PS2, ele possuía uma curiosa (para a época) fusão do Emotion Engine, a CPU do PS2, com o Sintetizador Gráfico (GS), a GPU, em um chip único chamado EE-GS. Por vir equipado com um HD de 160 ou 250 GB, e graças à porta Ethernet, ele suportava inclusive games online, como Final Fantasy XI.

Falando assim, o PSX tinha tudo para ser um sucesso, mas como tudo que envolve a Sony, ele esbarrou em um grande problema: era caro demais, para a empresa e para os consumidores.

Os modelos de 160 GB e 250 GB chegaram às lojas custando ¥ 79,800 e ¥ 99,800, ou R$ 2.168 e R$ 2.713 em valores da época; corrigido pela inflação, temos ¥ 90,870 e ¥ 113,644, ou R$ 3.356 e R$ 4.196, ou seja, não era lá tão acessível para o japonês médio, ainda mais com o PS2 na época saindo por ¥ 19,800.

Ainda assim, a tiragem inicial de 100 mil unidades sumiu das prateleiras, mas a saída posterior despencou, graças à decisão da Sony de não reduzir seu preço inicialmente, frente à atualização do PS2 com o modelo Slim, lançado em 2004; apenas quando a medida foi revista, e o PSX ficou um pouco mais barato, as vendas aumentaram novamente.

Entretanto, o produto em si era especializado demais, a produção dele era cara e não compensava para a Sony, motivos que o levaram a nunca ser lançado em outros mercados. Hoje, o PSX não é tão difícil de ser encontrado nos eBays da vida, principalmente por ter problemas notórios envolvendo a durabilidade e a substituição do HD interno, algo que a comunidade tenta contornar.

PSX e a XMB

Mesmo sendo uma variante um tanto obscura do PS2, o PSX foi um produto relevante para o futuro da família PlayStation, por introduzir a XrossMediaBar ou XMB, a interface de usuário que seria integrada ao PS3 e PSP. A categorização em ícones, que permite o acesso a funções, jogos e outras aplicações em cruz (daí o nome) se tornou um padrão dentro da Sony.

Diversos outros dispositivos, como TVs da linha Bravia e da Ericsson, e até mesmo da companhia alemã WEGA, incorporaram a GUI e fizeram uso dela até meados dos anos 2010, quando o Android TV se tornou a terceira via para companhias que não se chamavam Samsung (Tizen), nem LG (webOS).

Hoje, a XMB sobrevive em iniciativas de código aberto da comunidade, que reproduzem seu look and feel; o Retroarch, um dos frontends de emulação mais conhecidos, oferece uma opção de GUI idêntica à do PS3 e PSP, que foi testada primeiro no PSX, antes de ser polida e escovada pela Sony, até ficar adequada para seus então futuros consoles.

O PS4 e o PS5 não usaram a XMB, mas suas interfaces ainda guardam algumas referências visuais e de funcionalidade, ainda que um tanto limitadas.

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