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Google: Modo IA é "roubo", dizem agências de notícias

Agências de notícias acusam Google de coletar conteúdos para alimentar busca por IA, prejudicando a visitação de sites

1 ano atrás

O Google não é a big tech mais querida das agências de notícias mundo afora, e não é de hoje. Em 2014, a gigante das buscas comprou uma briga enorme ao decidir que não pagaria pela indexação de links em seu motor de busca, contrariando pressões de veículos tradicionais; isso culminou com a Espanha perdendo todas as indexações do Search, o que afetou as finanças dos veículos locais.

O caldo entornou globalmente, com governos e órgãos de justiça decidindo que a companhia deve pagar pelos links, por estes serem protegidos por direitos autorais, e não podem decidir por não indexar, pois o ato, no entendimento legal, fere a neutralidade da rede.

Google teria optado por não pedir permissão a agências para usar postagens de sites no Modo IA (Crédito: Stable Diffusion/Ronaldo Gogoni/Meio Bit)

Google teria optado por não pedir permissão a agências para usar postagens de sites no Modo IA (Crédito: Stable Diffusion/Ronaldo Gogoni/Meio Bit)

Com a Inteligência Artificial (IA) não tem sido muito diferente: o Google vem promovendo ferramentas movidas por algoritmos que resumem conteúdos de sites, que agências já não curtiam, e a introdução do Modo IA foi tomada como o insulto final: o algoritmo de Mountain View e entrega resultados de pesquisas ao usuário tudo mastigadinho, coletando dados massivos de sites e portais, tecnicamente sem autorização, com o agravante de tolher o número de visitações dos veículos.

Modo IA do Google rouba visitas a sites?

Originalmente restrito apenas a usuários maiores de idade dos Estados Unidos inscritos no programa Labs, o acesso ao modo IA do Google está sendo expandido para todos os residentes do país; no futuro ele deverá ser liberado para mais nações, e dar suporte a mais idiomas. O algoritmo é projetado para responder questões complexas, que são "quebradas" em partes, pesquisadas individualmente, e devolvidas ao usuário na forma de um resumo coeso e contextualizado.

Ele é por definição igual ao ChatGPT, Grok e similares, mas com a grife de Mountain View e apoiado pelo já reconhecidamente poderoso código do Google Search, mais o Gemini; seu objetivo é simplificar a busca, oferecendo resultados mais precisos e mais completos, com mais conteúdo do que a busca padrão.

Você pode, por exemplo, pedir que ele cruze informações, faça resumos e análises, recomende lugares e pontos turísticos disponíveis em uma região, complementando com a melhor rota de deslocamento, comparações entre elementos distintos, enfim, bastante coisa. Quem está acostumado a usar outros chatbots de IA já conhece o modus operandi.

Por outro lado, o Modo IA do Google reduz a necessidade do usuário de realizar pesquisas por conta própria, ao entregar tudo já mastigadinho e resumido, ainda que ofereça alguns links de contexto; claro que pesquisas específicas retornarão resultados distintos, mas para quem deseja apenas um resumo, uma sinopse ou um comentário, o sumário entregue por algoritmo será o suficiente para boa parte do público.

Este é o fator que está irritando as agências de notícias: nesta quarta-feira (21) a News/Media Alliance, uma associação que representa mais de 2.000 veículos de mídia jornalística dos EUA e Canadá, entre eles conglomerados como Vox Media (The Verge, Vulture) e Condé Nast (The New Yorker, Vogue, WIRED, Ars Technica), entre outros. A CEO Danielle Coffey declarou que a nova ferramenta "vai privar veículos provedores de conteúdo original tanto do tráfego (acessos), quanto da receita".

Não obstante, ela instou o Departamento de Justiça dos EUA (DoJ) para que este inclua, nos compromissos que o Google deve assumir após ser considerado um monopólio das buscas, novos procedimentos para "impedir que uma única companhia continue dominando a internet"; Coffey argumenta que os links para sites, portais, blogs e afins, "eram a última propriedade que reverte tráfego e receita a autores", e que a gigante está, com o Modo IA, "tomando conteúdo à força para usá-lo sem dar retorno algum", na sua conta, "a definição de roubo".

O Google bem sabe que o Modo IA pode levar a uma queda acentuada na visitação de sites, boa parte do público vai se contentar com resumos providos por algoritmos, por pura preguiça de buscar pelas fontes; veja o "Grok, isso é verdade?", que já virou um meme do X. O problema, a companhia até o momento não explicou como, ou se, vai remunerar os sites pelos conteúdos coletados.

Ao mesmo tempo, o Bloomberg revelou que o Google decidiu por não dar opções a agências, sites e afins para evitar que seus conteúdos e postagens fossem acessíveis ao Modo IA; ao invés disso, eles devem manifestar individualmente a intenção de bloquear o acesso (opt-out) de forma completa, sem que estes postam customizar nada; Elizabeth "Liz" Reid, líder do departamento que gerencia o Search, teria defendido tal abordagem, dizendo que dar opções adicionaria uma "enorme complexidade" ao recurso, ao ponto de que cada página teria que contar com um modelo de dados diferente, ou seja, mais custos.

Sundar Pichai, CEO da Alphabet Inc., durante o Google I/O 2025 (Crédito: Reprodução/Google)

Sundar Pichai, CEO da Alphabet Inc., durante o Google I/O 2025 (Crédito: Reprodução/Google)

Ainda não se sabe se agências de notícias irão se mover contra a empreitada de Mountain View, que ainda precisa esclarecer como pretende recompensar os donos das fontes que o algoritmo mastiga para entregar resumos, pois uma perda de visitações poderia ter efeitos drásticos a muitos domínios, não só na queda da receita, como também da relevância frente ao próprio algoritmo do Google Search, o que seria mortal para sites pequenos e blogs.

Por enquanto, não há previsão de quando o Modo IA estará disponível no Brasil.

Fonte: The Verge

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