Carlos Cardoso 2 anos atrás
Drones existem faz tempo, mas a guerra na Ucrânia tem se demonstrado como a 1ª Grande Guerra dos Drones, com usos dos mais variados, de observação, inteligência e avaliação de ataques, a uso anti-blindados e anti-pessoal, e eles estão evoluindo.

Drone com um presentinho para os russos (Crédito: Reprodução Internet)
Tom Clancy dizia que a guerra é o ambiente mais cruelmente darwinista que existe, e é verdade. Todo dia novas tecnologias, idéias e estratégias (em inglês, Strategy, em grego, Strategos...) são desenvolvidas, testadas e implementadas.
Nós vemos todos os dias vídeos de drones realizando ações espetaculares, às vezes aterrorizantes, mas esses vídeos são apenas parte da Narrativa.
Em 1913 o senador americano Hiram Johnson cunhou a frase “A primeira vítima da Guerra é a Verdade”. Ele está certo. Informação sempre foi extremamente censurada em tempo de guerra, a ponto de termos casos como a Gripe Espanhola, que surgiu nos EUA, mas como estavam no meio da 1ª Guerra Mundial, as notícias eram censuradas. A doença se espalhou pelo mundo, e a Espanha, que estava neutra no conflito, noticiou os casos locais, e acabou pegando a fama.
No caso da Ucrânia, drones parecem bem mais eficientes do que realmente são. A própria Ucrânia colocou como meta produzir um milhão de drones em 2024. Não se vê nem de longe tantos ataques assim, e a aparente eficiência é puro viés de confirmação. Só postam os vídeos de ataques bem-sucedidos. Os russos fazem o mesmo.
Depois do choque inicial, começaram a aparecer equipamentos de guerra eletrônica, gerando interferência e tentando confundir ou inutilizar os drones. Os russos já colocam equipamentos assim até em motos.

Equipamento de guerra eletrônica em moto russa (Crédito: Reddit)
Qual sua eficácia? Ninguém sabe ao certo, ou ao menos quem sabe não divulga, mas os dois lados usam a tecnologia, o que provocou a criação de uma contramedida inusitada:
Em março de 2024 foi capturado um pequeno drone russo com uma adição diferente: Um carretel de fibra óptica, desenrolando quilômetros e quilômetros de cabo, ligando o drone ao controle, sem o uso de transmissão de rádio, o que o tornava imune à interferência convencional.

O dispenser de fibra no drone russo (Crédito: Reprodução internet)
Óbvio que não vai funcionar para drones voando baixo, no meio de árvores, entrando em casas, mas funciona muito bem em unidades de reconhecimento e até ataque, em campo aberto. Hoje já há vários vídeos com qualidade de imagem suspeitosamente boa, indicando que ambos os lados já se adaptaram e estão usando fibra em seus drones.
A idéia de usar cabos para controlar armas não é nova. Pouca gente sabe, mas torpedos são guiados por cabos. Um torpedo MK48, padrão nos submarinos americanos, possui um dispenser dentro do tubo de torpedo com alguns metros de cabo encapado, e outro dispenser no próprio torpedo, que libera um par de fios de cobre com 25Km de comprimento, através do qual o torpedo recebe comandos, retorna dados de sensores, é controlado, reprogramado e direcionado aos alvos.

Os dispensers de cabos de um torpedo americano. (Crédito: Reprodução Internet)
Dizem que as versões mais modernas usam fibras ópticas e os cabos são mais compridos ainda.
Mísseis anti-tanque como o americano BGM-71 TOW também usam fios de controle, mas hoje em dia a preferência é para mísseis com sistemas autônomos como o Javelin, onde o operador não tem que ficar exposto durante todo o tempo de vôo. (sim, Battlefield 4 está errado)

Um míssil TOW sendo lançado de um veículo Stryker, com os fios de controle bem visíveis (Crédito: US Army)
No caso dos drones na Ucrânia, os russos estão trocando o controle por rádio e passaram a soltar pipa com estilo, e piadas à parte, provavelmente uma estratégia nova envolverá tentar cortar os cabos dos drones inimigos, algo muito familiar para todo garoto brasileiro de subúrbio. Resta saber: Dá pra passar cerol em cabo de fibra?
Claro, a grande vantagem de todo mundo usar cabos agora é que coloca um fim nas ridículas armas anti-drone, que usavam sinais de rádio para tentar confundir os drones inimigos. Sinceramente, parecem saídas de um filme de ficção-científica do canal SyFy, daqueles com orçamento de centenas de dezenas de dólares.

Armas anti-drones (Crédito: Reprodução Internet)