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Avatar: Frontiers of Pandora — Bonitinho, mas ordinário

Avatar: Frontiers of Pandora entrega um mundo fascinante e gráficos de cair o queixo, mas infelizmente peca na falta de variedade e originalidade

22/12/2023 às 10:05

Transformar em jogo uma propriedade intelectual licenciada não é uma tarefa fácil. Embora muito do material já esteja pronto, conseguir criar um título que seja divertido, que acrescente àquele universo e que consiga manter a atmosfera do original costuma ser um grande desafio. Avatar: Frontiers of Pandora até consegue preencher alguns desses quesitos, mas erra em outros muito importantes.

Avatar: Frontiers of Pandora

Crédito: Divulgação/Ubisoft

Desenvolvido pela Massive Entertainment, que responde como uma subsidiária da Ubisoft, em parceria com a Lightstorm Entertainment, produtora de James Cameron, a característica que mais chamou minha atenção no Avatar: Frontiers of Pandora foi o fato dele não ser uma mera adaptação dos filmes. Segundo o diretor Magnus Jansén, por se tratar de um material que faz parte da lore oficial, futuras produções deverão até aproveitar o que encontramos no jogo.

Aqui a história começa em 2146, oito anos antes de Jake Sully, o protagonista nos filmes, chegar ao planeta Pandora. Visando treinar cinco crianças Na'vi como soldados, a Resources Development Administration (RDA) criou o The Ambassador Program (TAP), deixando-o sob os cuidados da Dra. Alma Cortez e do diretor John Mercer.

O programa seguiu como planejado por algum tempo, mas aos poucos aquelas crianças começaram a lembrar do seu passado, de como foram tiradas a força do seu clã. Mesmo com a mão rígida de Mercer tentando controlar os pequenos — para o padrão da raça — Na'vi, eles passam a orquestrar uma fuga.

Porém, vendo as crianças como ativos da RDA, o diretor não aceita o motim e durante uma discussão, acaba matando friamente um dos seus futuros soldados. Avatar: Frontiers of Pandora então faz um salto de oito anos no tempo, nos colocando justamente quando Jake e seu exército atacam a RDA e percebendo a derrota eminente, Mercer ordena a execução dos Na'vi que restaram.   

Para a nossa sorte, a Dra. Alma interfere e esconde os estudantes em câmeras criogênicas, fazendo com que mais 16 anos se passem. O que veremos na sequência será uma fuga das instalações da RDA, com ela funcionando como um tutorial disfarçado e quando finalmente estivermos do lado fora, será quando nos depararemos com a principal qualidade do jogo.

Avatar: Frontiers of Pandora

Crédito: Divulgação/Ubisoft

Avatar: Frontiers of Pandora é certamente um dos jogos de mundo aberto mais bonitos já produzidos. Conseguindo entregar toda a exuberância presente nos filmes de Cameron, explorar Pandora é fascinante, com os vários biomas, fauna e flora nos passando uma nítida sensação de estarmos num planeta que em boa parte segue intocado pelos humanos.

E os profissionais da Massive Entertainment tinham noção do ótimo material que estava em suas mãos, o que fica evidente na maneira como a ligação dos Na'vis com a natureza é incorporada à jogabilidade.

Funcionando como um jogo de tiro em primeira pessoa, nele teremos basicamente que aproveitar os recursos naturais que Pandora tem a oferecer e lutar contras as forças da RDA. Já na primeira missão seremos enviados para destruir um posto de mineração dos humanos e ao chegar lá notamos o quanto eles estão maltratando o planeta.

Com a vida da região sendo prejudicada pela poluição, nossa única opção será derrotar os soldados da RDA e destruir a máquina, permitindo assim que a natureza retome seu lugar e cure as chagas causadas pelo grupo.

E para conseguir alcançar o nosso objetivo, teremos acesso a um arco que nos permitirá derrotar os inimigos de maneira silenciosa, o que poderá facilitar muito a nossa missão. Porém, lembre-se que o nosso personagem recebeu treinamento militar, logo, se preferir uma abordagem mais, digamos, explosiva, podemos usar a arma dos humanos e entrar num grande tiroteio.

Crédito: Divulgação/Ubisoft

O detalhe aqui está na possibilidade de usarmos o sentido Na'vi. Com ele podemos identificar e marcar inimigos a distância, assim como enxergar seus pontos fracos. No caso de meros soldados essas vulnerabilidades nem aparecerão, com uma flecha sendo suficiente para os derrotarmos. Contudo, há aqueles que vigiam as instalações a bordo de mechs e se conseguirmos acertar seus pontos fracos, será muito mais fácil destruir os robôs.

Conforme avançarmos pela campanha teremos acesso a outras armas, como lanças, lançadores de armadilhas e escopetas, assim como a habilidades que nos tornarão guerreiros muito mais letais. Já para a munição e alguns consumíveis, poderemos fabricá-los usando materiais que coletamos durante a exploração, o que inclui animais que caçaremos usando o sentido Na'vi.

Aliás, a mecânica de caça é algo que foi muito bem implementado. Ela nos colocará para estudar os padrões de certos animais, inclusive precisando ler suas fichas para entendermos onde eles costumam aparecer e após os abatermos, nosso personagem fará um ritual em respeito àquela vida que foi tirada.

Outro ponto em que a desenvolvedora acertou foi na movimentação do protagonista. Com ele sendo bastante ágil, durante boa parte do tempo estaremos escalando, saltando e correndo pelas florestas, mas o destaque mesmo vai para os trechos em que voamos sobre um ikran, ser alado que tornará nossa locomoção muito mais rápida.

Avatar: Frontiers of Pandora

Crédito: Divulgação/Ubisoft

Mas se Avatar: Frontiers of Pandora acerta ao reproduzir a atmosfera dos filmes, ele derrapa feio quando se trata da falta de variedade. Durante a maior parte da campanha estaremos apenas repetindo tarefas simples, como coletar recursos, atravessar longas distâncias, derrotar um grupo de inimigos aqui ou ali e destruir postos da RDA que são, literalmente, cópias uns dos outros.

Algo que contribuiu para a progressão maçante são as missões paralelas pouco inspiradas, um enredo que raramente nos entregar passagens interessantes, além de diálogos modorrentos. Mesmo os antagonistas quase não aparecem, fazendo com que a história soe demasiadamente preguiçosa.

Outro aspecto que me incomodou foi a maneira como os combates com armas de fogo funcionam. Jogando no PlayStation 5, não gostei da imprecisão usando essas armas e como elas chamarão a atenção de todos que estiverem perto, não conseguir mirar corretamente nos inimigos só ajudará a aumentar o caos.

Eu também colocaria como ponto negativo o fato de nunca ter conseguido me desfazer da sensação de estar experimentando um FarCry com uma roupagem diferente. O curioso é que adoro essa franquia, mas quando ao encarar algo tão parecido, mas assumindo o papel de um ser azul com três metros de altura, não gostei tanto do que me foi entregue. Se ele tivesse sido lançado como uma expansão do FarCry, por um preço menor, certamente seria mais palatável.

Crédito: Divulgação/Ubisoft

Eu queria ter gostado do Avatar: Frontiers of Pandora. Ah, como eu queria ter gostado do Avatar: Frontiers of Pandora... Um vasto e belíssimo mundo a ser explorado, um universo que considero interessante e a possibilidade de me tornar um Na'vi. Tudo isso a criação da Massive Entertainment nos entrega, mas...

Por se tornar repetitivo tão rapidamente e com uma falta de personalidade gritante, embarcar na missão para salvar Pandora foi muito menos agradável do que eu esperava. Como demonstração técnica, o título merece todos os elogios, mas quando pensamos nele como um jogo, faltou algo que considero fundamental: diversão.

Infelizmente, não foi dessa vez que o universo de Cameron foi bem aproveitado em um jogo. Com mais tempo, polimento e principalmente, criatividade, pode ser que uma continuação do Avatar: Frontiers of Pandora entregue uma experiência melhor. Essa aqui? Considero dispensável.

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