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Zelda II, Jak II e as maravilhas da engenharia reversa

Conheça os projetos realizados por fãs que visaram fazer o Zelda II: The Adventure of Link e o Jak II rodarem nativamente (e melhores) no PC

14 semanas atrás

A dedicação de algumas pessoas para tentar manter viva a história dos games é algo que sempre considerarei fascinante e de uns tempos para cá temos visto esse esforço dar um passo além. Agora o objetivo de alguns é tornar os clássicos ainda melhores e graças a engenharia reversa, isso já aconteceu com o Zelda II: The Adventure of Link e o Jak II.

Zelda II: The Adventure of Link

Crédito: Reprodução/Youtube/HoverBat

Começando pelo segundo capítulo da aventura protagonizada pelo Link e que foi lançada originalmente em 1987, a nova versão foi criada por alguém conhecido apenas como HoverBat e a quantidade de melhorias que ela traz impressiona.

Batizado como ZIITAOL, para criar esse remake (se é que podemos chamar assim) o autor aproveitou o código do jogo, que foi escrito em Assembly e o adaptou para a GML, linguagem utilizada pela ferramenta GameMaker. Com isso, ele foi capaz de manter intactas as principais características do Zelda II: The Adventure of Link, como física, inteligência artificial e sistema de combate.

Porém, isso não o impediu de tomar algumas liberdades criativas, implementando diversos recursos para deixar a experiência mais agradável, começando pelo suporte a widescreen (480x270 pixels). A lista de melhorias é grande, então recomendo que dê uma olhada no anúncio oficial, mas deixarei aqui aquelas que considero mais interessantes:

  • Sistema de salvamento: a maioria das cidades terá um NPC em que poderemos salvar o progresso.
  • Mapa nas dungeons, mostrando as salas que já visitamos.
  • Se morrermos numa dungeon, o continue nos mandará direto para a entrada do lugar.
  • A magia selecionada é mostrada na interface.
  • A quantidade de MP passou a ser mostrada como número no menu de magias.
  • A quantidade de chaves que possuímos é mostrada na interface.
  • Os sinais sonoros que avisam sobre pouca energia são menos frequentes após o oitavo beep.
  • Velocidade em que os diálogos são mostrados aumentou.
Zelda II: The Adventure of Link

Crédito: Reprodução/Youtube/HoverBat

HoverBat fez questão de salientar que nenhum conteúdo foi removido do jogo e que alguns segredos foram adicionados à aventura. Aos interessados, o ZIITAOL pode ser baixado aqui, pelo menos até que a Nintendo resolva colocar seus advogados para trabalhar e o remake precise ser tirado do ar.

O que torna esse projeto tão interessante é o fato de o Zelda II: The Adventure of Link ser, provavelmente, o jogo mais criticado — ou controverso — da série principal. Apesar de na época do lançamento ele ter se mostrado um sucesso comercial e conquistado alguns críticos, as mudanças implementadas em sua estrutura desagradaram muitos fãs e com o passar do tempo, encará-lo se tornou uma tarefa ainda mais complicada.

Crédito: Reprodução/Youtube/HoverBat

A mistura de jogo de plataforma, RPG e um elevado nível de dificuldade fez com que muitos não tivessem paciência de progredir na campanha e posso me incluir nessa lista. Eu só fui ter contato com o Zelda II: The Adventure of Link muitos anos depois do seu lançamento, quando suas mecânicas já pareciam datadas e por isso sempre o considerei o ponto mais baixo da série.

Porém, com as mudanças realizadas nessa versão, acredito que o jogo possa se tornar muito mais interessante e com um pouco de boa vontade e tempo, finalmente poderei consertar essa falha na minha “carreira gamer”. Só lamento não poder fazer isso em um console da Nintendo, de maneira oficial.

Por falar nisso, casos como o do ZIITAOL servem para nos mostrar como as empresas pouco ligam para as próprias criações ou para os fãs. Se uma pessoa conseguiu melhorar tanto um jogo, imagine o que uma grande corporação seria capaz de fazer? Isso inclusive me faz pensar que talvez já tenha passado da hora de o Zelda II: The Adventure of Link receber um remake completo. Para mim, algo com os gráficos de um Octopath Traveler, com o belo estilo HD-2D, ficaria ótimo!

Passemos então para o Jak II, título lançado em 2003 para o PlayStation 2 e que serviu como continuação para o Jak and Daxter: The Precursor Legacy, um jogo excelente e que guarda uma curiosidade em relação à sua produção. Criado no início da vida do segundo console da Sony, aquele que deu início à série foi desenvolvido com a GOAL, linguagem criada pelo cofundador da Naughty Dog, Andy Gavin.

Tal projeto consumiria 20 meses apenas na etapa de engenharia do kit de desenvolvimento, tamanha a quantidade de elementos que seriam necessários para fazer tudo funcionar como o estúdio desejava. Então, a ferramenta seria aproveitada nos títulos seguintes, mas nunca além deles.

Isso posto, um grupo de fãs resolveu aceitar o desafio de estudar o código do Jak and Daxter: The Precursor Legacy e após conseguir fazer ele rodar nativamente no PC, partiu para sua continuação. Intitulado OpenGOAL, recentemente o projeto chegou a uma marca importante, que foi lançar a versão beta Jak II para PC.

Embora o grupo admita que alguns problemas ainda precisam ser corrigidos, o jogo já pode ser encarado do início ao fim e por não se tratar de uma emulação, diversas partes poderão ser melhoradas no futuro, como suporte a uma maior taxa de atualização de frames e tradução para outras línguas ou a correção de bugs presentes no original.

Crédito: Reprodução/Youtube

Mas ao contrário do que acontece com a conversão do Zelda II: The Adventure of Link, essa ainda parece ter um longo caminho pela frente até sua conclusão e se você quiser testá-la, saiba que precisará de uma cópia do original.

De qualquer forma, estamos falando de um trabalho impressionante, principalmente se considerarmos se tratar de um jogo escrito numa linguagem única e extinta. Mesmo com a GOAL funcionando como uma variação de LISP, essa é uma linguagem pouco comum, principalmente hoje em dia.

Que iniciativas assim continuem dando frutos, pois desta forma, ao menos alguns pedacinhos do passado estarão preservados e ainda melhores do que eram antigamente.

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