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The Simpsons Hit & Run e o "não" para uma franquia

Fox ofereceu fazer de The Simpsons Hit & Run uma franquia, com pelo menos 5 sequências, mas distribuidora Vivendi apenas... recusou

14 semanas atrás

The Simpsons Hit & Run completou 20 anos em 2023. Hoje um clássico absoluto, o game desenvolvido pela Radical Entertainment (franquia Prototype) lançado para PS2, GameCube, Xbox e Windows foi um sucesso de crítica e público, e vendeu maravilhosamente bem, chegando a 3 milhões de cópias entre 2003 e 2007.

Tanto a equipe da Radical quanto a Fox TV (hoje 20th Television, subsidiária da Disney) acreditavam que uma sequência seria um passo óbvio, e a emissora chegou a oferecer um acordo bom demais para a Vivendi; mas para a surpresa e confusão de todos, a distribuidora francesa disse "obrigado, mas não, obrigado", e ficou por isso mesmo.

The Simpsons Hit & Run (Crédito: Divulgação/Radical Entertainment/Vivendi Games/20th Television/Disney)

The Simpsons Hit & Run (Crédito: Divulgação/Radical Entertainment/Vivendi Games/20th Television/Disney)

O conglomerado Vivendi se tornou conhecido pelos gamers por ser dono da Activision Blizzard até 2013, e ficou infame ao adquirir a desenvolvedora mobile Gameloft em uma tomada hostil (compra de ações públicas sem o consentimento do conselho de uma empresa, até deter 51% e assumir o controle), e tentar o mesmo movimento com a Ubisoft.

A Vivendi foi por muito tempo o que são hoje o Tencent Group e o Embracer Group, multicorporações que atuam em diversos mercados, e que saem comprando concorrentes e/ou pequenas empresas para ampliar seu alcance. A divisão Vivendi Games adquiriria a Radical em 2005, mas a anexou à Activision em 2008, quando a fusão criou a desenvolvedora que hoje pertence à Microsoft.

Hoje a Radical não tem mais do que 6 funcionários, que sequer trabalham sob esse nome (é usada a designação "Activision Vancouver"), e sua mais recente atividade foi atuar como time de suporte da Bungie em Destiny. Os dois Prototype e The Simpsons Hit & Run são considerados os maiores sucessos do estúdio canadense.

O game da família amarela mais amada do mundo não esconde sua inspiração em Grand Theft Auto III, lançado em 2001. Muitas das mecânicas implementadas no game, do foco às missões dirigindo veículos, ao HUD com destaque para o radar, remetem ao game da Rockstar que fez a migração do 2D visto de cima para três dimensões, e foi o game mais vendido do ano de seu lançamento.

A favor do game d'Os Simpsons, havia toda a carga de nonsense clássico da franquia, inúmeros personagens que todos conhecem, situações tão absurdas quanto as vistas nos episódios do desenho, e uma jogabilidade bastante sólida. Tudo isso serviu para fazer de Hit & Run um dos melhores games lançados nos anos 2000, que muita gente lembra com carinho e joga até hoje. E claro, vendeu maravilhosamente bem.

Então, por que só tivemos um único game nesse estilo? Transformar The Simpsons Hit & Run em uma franquia era o caminho natural a seguir, tanto a Radical quanto a Fox estavam empenhados na empreitada, mas a Vivendi simplesmente... não quis.

Em uma entrevista ao canal do YouTube MinnMax, seis ex-desenvolvedores da Radical Entertainment, que trabalharam em Hit & Run, explicaram o que aconteceu. O produtor executivo John Melchior, que era o contato junto à Fox, disse que tanto o estúdio quanto a produtora de TV entendiam que lançar mais jogos era "o passo óbvio" a ser tomado.

A certeza de que haveriam mais games era tal, que a equipe já estava trabalhando em uma sequência; os programadores Cary Brisebois e Greg Mayer revelaram que Hit & Run 2 traria aviões e dirigíveis como opções de veículos, além de uma mecânica que permitiria acoplar vagões e trailers.

A Fox ofereceu à Vivendi um acordo inacreditável: na certeza de que uma franquia faria rios de dinheiro para todos os envolvidos, o contrato cobriria o desenvolvimento de cinco jogos adicionais, pelo mesmo preço que os franceses pagaram pela licença de The Simpsons Hit & Run. No final, a distribuidora investiria o equivalente a duas licenças, lançaria 6 títulos, e encheria os bolsos de grana.

A Fox estava genuinamente impressionada com a qualidade do game entregue pela Radical e queria mais, mas a Vivendi recusou a oferta, e nunca detalhou os motivos para tomar tal decisão. Os franceses simplesmente disseram "não", e foi isso. Nem os devs, nem mesmo a Fox, entenderam o que aconteceu. Até hoje.

No fim, a Electronic Arts adquiriu a licença e passou a lançar games baseados em Bart, Homer e cia. nos anos seguintes, de The Simpsons Game (2007, o último lançado para consoles e PC) a Tapped Out (2012), para dispositivos móveis.

Hoje a Disney controla a licença, mas na possibilidade da EA não ter perdido os direitos para explorar a marca, a casa do Mickey ou não está disposta a cedê-la para novos games, ou não há nenhum estúdio hoje interessado em desenvolvê-los.

Da mesma forma, as possibilidades de The Simpsons Hit & Run receber um remake tendem a zero, embora os ex-desenvolvedores da Radical Entertainment adorassem que isso acontecesse um dia. Eles demonstraram total admiração pelo dev independente que refez o game inteiro usando a Unreal Engine 5 "em uma semana", segundo o próprio.

Outros projetos, como o do vídeo abaixo, buscam implementar mods na versão de PC retrabalhando as texturas e as animações; este dev recriou todas as cutscenes à mão, adaptando o estilo de Matt Groening para o desenho animado, ao seguir guias do cartunista.

No mais, a entrevista completa com a equipe de The Simpsons Hit & Run revela uma série de particularidades sobre o processo de desenvolvimento do game, desde coisas que a Fox mandou cortar, ao episódio em que ele quase ganhou um port para o PSP.

Não é o mesmo que uma sequência (ou várias) que nunca poderão dar as caras, se bem que já se passaram 16 anos desde que um game estrelado pel'Os Simpsons foi lançado para consoles e PC, e 11 anos desde a última interação at all, para mobile. Já passou da hora da turma de Springfield voltar, mas isso depende hoje da Disney (ou da EA, vai saber).

Fonte: Kotaku

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