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Encontrado sistema planetário mais antigo da Via-Láctea

Restos de planetas orbitam anãs-brancas com mais de 10 bilhões de anos, duas das estrelas mais antigas da Via-Láctea

07/11/2022 às 11:48

Cientistas calculam que a Via-Láctea possui em torno de 100 a 400 bilhões de estrelas, e destas, 10% seriam anãs brancas, resquícios arcaicos do colapso do astro original, quando este evoluiu para uma gigante vermelha e aniquilou tudo o que estava perto demais. O Sol passará pelo mesmo processo daqui a 5 bilhões de anos, e quando isso acontecer, adeus Terra.

Representação artística das estrelas anãs-brancas WDJ2147-4035 (vermelha) e WDJ1922+0233, e de detritos planetários em órbita de ambas (Crédito: Mark A. Garlick/University of Warwick)

Representação artística das estrelas anãs-brancas WDJ2147-4035 (vermelha) e WDJ1922+0233, e de detritos planetários em órbita de ambas (Crédito: Mark A. Garlick/University of Warwick)

Anãs brancas observadas anteriormente já deram dicas do futuro reservado ao Sistema Solar, mas agora, uma nova pesquisa encontrou restos do que pode ter sido um dos primeiros sistemas planetários da nossa galáxia, com detritos de planetas orbitando estrelas datadas em mais de 10 bilhões de anos; em resumo, estes planetas morreram antes da Terra se formar.

O mais velho sistema planetário da Via-Láctea?

O artigo descreve uma recente pesquisa, conduzida por um time de cientistas liderados por Abbigail Elms, doutoranda de Astronomia e Astrofísica da Universidade de Warwick, no Reino Unido. Seu trabalho atual consiste em analisar dados de anãs brancas dentro da Via-Láctea, a fim de mensurar quão velhos são estrelas e exoplanetas em nossa vizinhança.

Eles usam dados do Gaia, um observatório astronômico lançado pela União Europeia em 2013, que deve operar até 2025, além do X-Shooter, um espectrógrafo de 2.ª geração instalado no VLT (Very Large Telescope) do ESO, aquele projeto do qual o Brasil foi chutado por não pagar.

A pesquisa do time de Elms identificou duas anãs brancas, WDJ2147-4035 e WDJ1922+0233, que possuem um brilho muito, muito fraco. Como esse tipo de astro não é mais capaz de realizar nenhum tipo de reação de fusão, ele apenas queima suas reservas lentamente, enquanto sua luz vai enfraquecendo.

Em média, o tempo para uma anã branca perder todo o seu brilho, e se tornar uma hipotética anã negra, levaria centenas de bilhões de anos, dezenas de vezes a idade do próprio Universo (13,8 bilhões), mas o brilho de ambos astros analisados permitiu datar o colapso de ambas, em aproximadamente 10 bilhões de anos atrás.

Mais interessante, foram identificados planetesimais em órbita de ambas estrelas; estes são fragmentos de rocha, poeira ou gelo, provenientes de planetas destruídos por diversos motivos. Neste caso, quando WDJ2147-4035 e WDJ1922+0233 passaram pelo processo de se tornarem anãs brancas.

Cientistas classificaram WDJ2147-4035 e os detritos planetários como a evidência mais antiga de um sistema planetário na Via-Láctea (Crédito: ANI)

Cientistas classificaram WDJ2147-4035 e os detritos planetários como a evidência mais antiga de um sistema planetário na Via-Láctea (Crédito: ANI)

Dentre as duas estrelas, WDJ2147-4035 é a mais antiga, com 10,7 bilhões de anos. Bastante fria e dotada de um brilho ligeiramente vermelho (não o suficiente para classificá-la como uma anã vermelha), ela possui uma acreção de elementos ao seu redor como sódio, lítio e potássio, além da possibilidade de também haver carbono, embora esta seja uma especulação dos cientistas.

Com tais evidências, o time de pesquisadores classificou WDJ2147-4035 como a anã branca poluída por metal mais antiga da galáxia; WDJ1922+0233, com uma órbita igualmente poluída de detritos, é ligeiramente mais "jovem", com 10,2 bilhões de anos. A diferença na coloração entre elas depende dos elementos próximos, com a segunda possuindo uma atmosfera mista de hélio e hidrogênio, algo considerado incomum.

Os detritos planetários, especialmente os orbitando WDJ2147-4035, seriam oriundos de planetas de resistiram ao processo de colapso estelar até certo ponto, mas foram eventualmente destruídos antes da situação nos arredores se estabilizar. Não há a menor possibilidade de saber como eram esses mundos, ou se tiveram ou não vida, mas o fato é que eles se formaram, e foram aniquilados, em torno de 6 bilhões de anos antes da Terra, e do Sistema Solar, se formar.

De acordo com Abbigail Elms, o estudo mostra o quão comum é a formação de planetas similares à Terra, mesmo na Via-Láctea, ainda mais se considerarmos que 97% de todas as estrelas existentes de tornarão anãs brancas num futuro distante.

Sistemas mais antigos que o nosso dão ideias de como planetas se formam e se organizam em torno de estrelas, mas, simultaneamente, deixam perguntas no ar sobre a trivialidade da vida, se considerarmos mundos nascendo e morrendo muito, muito antes do nosso ser formado.

Referências bibliográficas

ELMS, A. K., TREMBLAY, P. E., GÄNSICKE, B. T. et al. Spectral analysis of ultra-cool white dwarfs polluted by planetary debris. Monthly Notices of the Royal Astronomical Society, Volume 517, Edição 3, 18 páginas, 5 de novembro de 2022. Disponível aqui.

Fonte: Digital Trends

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