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Ásia segura queda do faturamento da Apple no Japão

Restante da Ásia segura queda da Apple no Japão, segundo o relatório financeiro do Q3 FY 2022 (findo em jun 22).

28/07/2022 às 19:21

Nesta quinta-feira (28/07), a Apple apresentou o relatório financeiro do segundo trimestre fiscal de 2022 (Q3 FY 2022), período que correspondeu ao segundo trimestre civil deste ano, abrangendo os meses de abril a junho. Aparentemente o público japonês tem se retraído e comprado menos lançamentos da Maçã de Cupertino. Sim, é um período normalmente fraco em vendas, inclusive no ocidente, mas ao menos a marca tem agradado mais os fãs de outras regiões da Ásia. Culpa do 5G.

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Abertura de loja oficial da Apple em Singapura (crédito: Mashable)

Vamos aos números globais:

RELATÓRIO FINANCEIRO DA APPLE
Período → Q3 FY 2021
(abril a junho de 2021)
Q3 FY 2022
(abril a junho de 2022)
Diferença
Receita US$ 81,43 bilhões US$ 82,96 bilhões + 1,87%
Lucro US$ 21,74 bilhões US$ 19,44 bilhões – 10,59%

O que a Apple acabou de divulgar nesta quinta (28/07) foram os principais dados financeiros nos três meses terminados em 25 de junho de 2022. O tio Laguna se pergunta quando a contabilidade da empresa vai incluir os dias ausentes para coincidir com o trimestre civil (eu sei).

Seja como for, tal período foi o terceiro trimestre fiscal da Apple (Q3), que é quase sempre o mais fraco: o povo na civilização já se segura para só comprar os novos lançamentos, disponibilizados normalmente em setembro (Q4). Com base nos números divulgados, podemos constatar que a Apple lucrou de facto uma média de 213,65 milhões de dólares diariamente nas 13 semanas que compõem o período divulgado, arrecadando de forma bruta algo em torno dos US$ 911,64 milhões por dia.

É uma arrecadação diária “pouco” maior que a do período equivalente de 2021, mas o lucro teve queda de quase 11% em relação a tal período do ano passado.

Vejamos quanto cada linha principal de produtos da Apple arrecadou:

SUMÁRIO DE RECEITAS DA APPLE
Período → Receita
Q3 FY 2021
Receita
Q3 FY 2022
diferença
em relação a
Q3 FY 2021
iPhone US$ 39,57 bilhões US$ 40,67 bilhões + 2,77%
Mac US$ 8,24 bilhões US$ 7,38 bilhões – 10,36%
iPad US$ 7,37 bilhões US$ 7,22 bilhões – 1,95%
vestíveis e acessórios US$ 8,78 bilhões US$ 8,08 bilhões – 7,87%
assinaturas US$ 17,49 bilhões US$ 19,60 bilhões + 12,11%
Receita US$ 81,43 bilhões US$ 82,96 bilhões + 1,87%

MacBooks e vestíveis tiveram queda percentual bem semelhante na arrecadação. No caso dos notebooks da empresa, tal retração pode ter se dado pela expectativa do lançamento do MacBook Air M2.

Mais simbólico que financeiro, vestíveis e outros acessórios ficaram órfãos do iPod Touch em maio, quando tal modelo de entrada foi descontinuado.

Pouco acima dos US$ 39 bilhões previstos, o segmento dos smartphones figurou com pouco menos de 50% de participação na arrecadação global. As assinaturas despontam como o segundo segmento da Apple que mais faturou globalmente no terceiro trimestre fiscal de 2022 e corresponderam a 23,63% da arrecadação global. Os serviços estão faturando bem mais que uma China continental inteira. Falando na Ásia…

Ásia segura queda da Maçã no Japão

RECEITAS DA APPLE NA ÁSIA
Período → Receita
Q3 FY 2021
Receita
Q3 FY 2022
diferença
em relação a
Q3 FY 2021
China continental US$ 14,76 bilhões US$ 14,60 bilhões – 1,07%
Japão US$ 6,46 bilhões US$ 5,45 bilhões – 15,75%
restante do continente US$ 5,40 bilhões US$ 6,15 bilhões + 13,99%
TOTAL: US$ 26,62 bilhões US$ 26,20 bilhões – 1,58%
participação global 32,69% 31,58% – 3,39%

Podemos ver que a arrecadação da Apple no Japão caiu quase 16% em relação ao Q3 FY 2021. Lembrando que a Terra do Sol Nascente é o segundo maior mercado asiático e por lá o arquipélago somente é superado pela China (17,6% da arrecadação global).

O País do Meio teve ligeira queda na arrecadação, indicando estagnação neste período do ano e olha que durante o segundo trimestre civil houve lockdowns em diversas grandes cidades chinesas. Culpa de alguns surtos isolados da COVID-19 em metrópoles mais cosmopolitas.

É possível que a produção do próximo smartphone da Apple tenha sido afetada pela situação na China pois a Foxconn, principal fornecedora de componentes do iPhone, tomou medidas de restrição bem duras durante os surtos do coronavírus. Exemplo: ela basicamente obrigou os trabalhadores das fábricas a não terem contato com outras pessoas de fora das plantas de produção por uma semana. Ou mais.

Sorrindo à toa a Apple está com o seu desempenho no restante da Ásia: graças à alta de 14% na arrecadação, ela praticamente compensou o triste desempenho no arquipélago japonês. A participação global do continente caiu apenas 3,39%. Podia ter sido pior.

Como a Maçã de US$ 2,55 trilhões não divulga mais dados de vendas unitárias de seus produtos, nem muito menos quanto eles estão vendendo em cada região do planeta, apenas podemos dizer que a Apple vai muito bem na Ásia. Se desconsiderarmos o Japão.

Fontes: 9 to 5 Mac, Bloomberg e CNBC.

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