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A Terra ganhou uma segunda lua mas não se empolgue

A Terra ganhou uma segunda lua, mas como tudo que vem fácil, vai fácil. Esse raro fenômeno astronômico já tem data marcada pra ir embora.

28/02/2020 às 18:16

Uma segunda lua? OK, parece ser o caso dos astrônomos terem deixado de perceber algo bem importante, mas mesmo que a Ciência nos tivesse deixado na mão, os Lobisomens teriam percebido algo errado, da mesma forma que os astrólogos identificaram em seus mapas astrais a falta de Urano, Netuno e Plutão. (mentira, nunca deram falta, os astrônomos sim).

Qual é afinal a história dessa nova lua? Devemos levar isso a sério?

A Terra não é tão azarada quanto Vênus, que não tem lua nenhuma, nem tão sortuda quanto Saturno, com 82 duas, mas qual o motivo de só termos uma? Simples, ela é egoísta, é um satélite muito grande, orbitando muito perto. Qualquer coisa que se aproxime demais, sofrerá interferência, criando um sistema instável.

A Lua causa alteração em tudo (menos no crescimento dos seus cabelos, amiga) incluindo na órbita de satélites geoestacionários. Quando um asteroide é capturado pela esfera de influência gravitacional da Terra, ele é afetado também pela Lua, e em determinado momento isso faz com que ele ultrapasse a velocidade de escape do sistema Terrra-Lua, e é ejetado.

Matematicamente isso é uma certeza, mas também matematicamente as chances são pequenas de objetos com a velocidade certa, a massa certa, o ângulo certo  se aproximarem da direção certa no momento certo para serem capturados pela Terra, sem virarem meteoros e sem serem lançados em um curso parabólico.

Claro, há registros. Em 1913 um conjunto de meteoros foi observado no Canadá, Bermudas e na costa Brasileira, percorrendo mais de 11 mil Km, algo fora do comum para meteoros. Em trajetória quase paralela à Terra, os vários fragmentos chamaram a atenção dos astrônomos.

Os cálculos mostraram que os meteoros eram fragmentos de um corpo maior que entrou temporariamente em órbita da Terra, mas sofreu perturbações e acabou próximo demais, tipo um Ícaro ao contrário.

Em 2006 um objeto com entre dois ou três metros de diâmetro foi detectado em órbita da Terra. Primeiro acharam que era parte de algum foguete Saturno, mas depois identificaram como um asteróide, e o batizaram de 2006 RH120. Sua órbita era bem interessante, e em alguns momentos ele chegou a ficar mais próximo que a Lua, mas depois de 13 meses as perturbações se tornaram grandes demais e ele acabou ejetado expulso defenestrado. Mas não fiquei triste, em 2027 ele volta.

Existe uma outra classe de "luas"  que não são luas de verdade, mas luas falsianes. São asteróides com órbitas muito parecidas com a da Terra. Manja quando você está andando na rua e um sujeito do seu lado está fazendo o mesmo caminho na mesma velocidade, e parece que vocês estão juntos?

No caso da nova lua ela é uma Lua de verdade, bem dentro da esfera de influência gravitacional da Terra, mas é uma lua feita sob graves restrições orçamentárias, então só deu pra sair uma lua do tamanho de um carro. (Não, não é o Tesla do Musk)

Descoberta por Kacper Wierzchos e Teddy Pruyne, do Observatório de Monte Lemmon, a 2020 CD3 foi detectada a 284 mil Km da Terra, e depois de seis dias de observações, sua órbita foi calculada.

No momento essa segunda lua está orbitando nosso planeta, mas assim como dizíamos sobre os personagens de Game of Thrones, melhor não se apegar. Ele foi capturado entre 2017 e 2018, mas talvez por bom comportamento ou por ser um asteróide rico, não ficou preso muito tempo e em Abril de 2020 voltará a singrar o cosmos, livre leve e solto sem nenhum planeta pra chamar de seu.

Infelizmente você não deve se animar, essa segunda lua tem magnitude de +20. Na escala de magnitude quando maior o número menos luminoso é o objeto. Plutão tem magnitude +13. Marte tem magnitude de +0.71. Vênus, que é visível de dia é -2.98 e o Sol, -11.20. Você precisa de um telescópio dos bons pra ver 2020 CD3.

Em um mundo ideal mandaríamos uma expedição para encontrar a 2020 CD3 e estudar suas origens, talvez até plantar uma cápsula do tempo, para ser encontrada por viajantes no futuro, mas a triste realidade é que hoje não temos nada capaz de levar humanos tão longe, e mesmo com poucas naves que talvez com bastante esforço alcançassem o asteroide, é simplesmente inviável planejar e lançar uma missão dessas com tão pouco tempo.

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