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Não, os russos não vão para a Lua conferir se os americanos pousaram mesmo lá.

Dmitry Rogozin, chefe da Agência Espacial Russa disse que eles vão lançar uma missão para conferir se o pouso na Lua dos americanos aconteceu mesmo. Mas... será que ele falou a sério? Spoiler: Não.

24/11/2018 às 20:11

Outro dia, outra bobagem para as Interwebs se atiçarem. Dessa vez a velha conspiração da farsa do pouso na Lua, e com um agravante, veio direto da boca do lobo. Um alto funcionário do programa espacial  russo teria dito que a Rússia voltaria à Lua para verificar se os americanos realmente pousaram lá.

Não vou entrar em detalhes sobre os motivos pelos quais essa conspiração é retardada. O que não falta por aí é matéria desmistificando essa bobagem e seus argumentos infantis, mas aparentemente essa declaração do camarada lá de cima (não o da Xuxa, o russo) desperta a dúvida: Como assim os russos não tem certeza?

Pois bem, crianças, o sujeito que fez a tal declaração foi Dmitry Rogozin, Diretor Geral da Roscosmos, a Agência Espacial Russa. Ele é uma figura… pitoresca.

Dmitry sofreu um acidente quando criança, então sua boca não está ligada ao cérebro, o que sai dela ninguém sabe. Algumas vezes ele fala algo em racista sore o Azerbaidjão, outras ele posta um twit questionando a masculinidade de Barack Obama. Até a Vice, que não é exatamente a fã número um dos EUA chamou o sujeito de “russo maluco“.

Ele também foi o sujeito que depois que os EUA aplicaram sanções contra motores de foguete russos, se saiu com a deliciosa pérola:

Depois de revisar as sanções contra nosso programa espacial, sugiro aos Estados Unidos que mandem seus astronautas para a Estação Espacial usando um trampolim.”

A história de verificar a autenticidade do pouso na Lua, surgiu em uma entrevista junto com o Presidente da Moldávia. Um jornalista perguntou se ele acreditava na Apollo XI, Rogozin respondeu com um sorriso “Nós planejamos um vôo para ver se eles foram mesmo à Lua ou não”.

Esse é o ponto, todas as descrições falam que ele respondeu rindo e balançando os ombros, o nome disso é zoeira.

Claro, a Internet, imune a sarcasmo e ironia e mais literal que o Drax, não quer saber. E nem é surpresa. 57% dos russos não acreditam no pouso na Lua. E não é patriotada, 52% dos ingleses também não acreditam, em como 7% dos americanosfonte.

A grande ironia é que a União Soviética nunca pensou em negar os esforços americanos, poderiam ter levantado dúvidas, mas era uma época com pessoas mais inteligentes e alegações extraordinárias sem evidências extraordinárias pareceriam no máximo despeito, mesquinharia. De resto a Corrida Espacial já havia sido perdida em Janeiro de 1966 quando Sergei Korolev morreu. Seu sucessor não tinha a capacidade técnica nem o apoio político para bancar o projeto lunar.

Claro, Moscow não gostou de ter perdido, tanto que os dois únicos países que não transmitiram ao vivo o pouso na Lua foram a União Soviética e a China, mas no dia 22 de Julho, um dia após o acontecido (sim crianças antigamente as notícias levavam 24h pra aparecer na mídia) o Pravda publicou uma matéria com a ecumênica manchete “Pessoas da Terra na Lua”.

Mais ainda: O jornal também publicou o telegrama de congratulações a Richard Nixon, enviado pelo Presidente do Presidium do Soviete Supremo da União Soviética, Nikolai Podgorny e mensagem semelhante do Presidente da Academia Soviética de Ciências, Mstislav Keldysh enviada ao Diretor da NASA.

Sergei, filho de Nikita Khrushchev conta que a Rússia foi tomada pela mesma sensação que dominou os EUA quando do lançamento de Gagarin: impotência, tristeza por não terem sido os primeiros, mas em nenhum momento (exceto brincando) ele levanta qualquer dúvida.

O pouso na Lua era muito maior do que qualquer disputa nacional, os envolvidos diretamente estavam agindo por puro pioneirismo, ampliando as fronteiras da Humanidade, vide as homenagens a cosmonautas falecidos deixadas na Lua pela Apollo.

O cosmonauta Alexei Leonov conta em seu livro:

“Quando a Apollo 11 voou para longe do Cabo Kennedy eu fiquei de dedos cruzados. Eu queria que o Homem tivesse sucesso em chegar na Lua. Se não fosse eu, que fosse essa tripulação, eu pensei, com aquilo que na Rússia nós chamamos de ‘inveja branca’ – inveja misturada com admiração.

Na manhã do dia 21 dew Julho de 1969 todo mundo esqueceu, por alguns momentos, que éramos cidadãos de países diferentes na Terra. Aquele momento verdadeiramente uniu a raça humana. Mesmo no centro militar onde eu estava, onde militares observavam as conquistas de nossa superpotência rival, houve grandes aplausos.

Em um encontro de cosmonautas, alguns dias depois, nós erguemos um brinde pelo retorno seguro da tripulação da Apollo 11.”

Ou seja: Quem mais tinha a ganhar “revelando a farsa” do pouso na Lua aceitou a derrota com algo que falta aos conspiradores: Dignidade.

Talvez milhares de transmissões monitoradas, radares e cientistas confirmando tenham dado aos políticos soviéticos o embasamento necessário para não fazerem papel de bobos negando um fato comprovado independentemente por gente do mundo todo. Infelizmente hoje em dia o medo de passar vergonha desapareceu, e as pessoas fazem qualquer coisa para aparecer, sem preocupação de atirar no próprio pé, mesmo que isso signifique levar a sério brincadeiras de Dmitry Rogozin, um sujeito que literalmente foi acusado de atirar na própria perna.

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