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Google não vai reduzir taxa de 30% sobre apps no Android

Críticas de desenvolvedores não farão o Google reduzir a atual taxa sobre a receita de apps para o Android, diz o CEO Sundar Pichai

28 semanas atrás

A briga pública entre o Google e a Epic Games, por causa de Fortnite para Android gira em torno de uma única variável: dinheiro. A desenvolvedora se recusou a disponibilizar o game na Google Play Store e oferece o instalador por fora, única e exclusivamente para não pagar a taxa de 30% sobre a receita à gigante das buscas. Isso levou a uma série de críticas ao sistema, que estaria esfolando estúdios e programadores menores, que pediram por uma redução na garfada.

Agora, o CEO do Google Sundar Pichai deu a resposta: "nem pensar".

Apps para Android

Durante a divulgação do balanço trimestral do Google nesta segunda-feira (04), Pichai esclareceu alguns pontos sobre a "distribuição alternativa de aplicativos", feita do lado de fora da Play Store. Isso é possível porque diferente do iOS, o sistema da Apple para iPhones e iPads, o Android possui um recurso chamado Instalação de Fontes Desconhecidas, que permite a um usuário incluir aplicativos .apk distribuídos manualmente, ou pelos sites dos desenvolvedores.

Originalmente, um usuário podia baixar um app na mão e instala-lo, mas desde o Android 8.0 Oreo, a permissão agora é restrita a certos aplicativos, que precisam ser autorizados individualmente. Foi esse fator que aumentou a popularidade de lojas alternativas, como a APKPure e a QooApp, que podem ser instaladas pelo navegador e a partir delas, o usuário tem acesso a apps e games de outras regiões com mais facilidade.

O grande, enorme problema para o Google, é que a instalação paralela impede que o Google recolha os 30% sobre a receita dos apps, um problema que a Apple não tem, pois não permite tal coisa (desconsiderando jailbreak, que vem se tornando uma prática cada vez menos popular). Como forma de incentivar um maior comprometimento de seus desenvolvedores, ambas empresas incentivam a assinatura ao invés da venda única, e cobram apenas 15% sobre a receita nesses casos. Já vendas e microtransações não tem conversa, é 30% e acabou.

Foi essa garfada "injusta", segundo a Epic Games, que levou a desenvolvedora a não distribuir Fortnite na Play Store, simplemente porque ela pode fazê-lo, diferente do que acontece no iOS. O arranca-rabo posterior com o Google, que se valeu de uma falha grotesca de segurança do instalador para criticar o método de distribuição alternativa jogou lenha na fogueira, e muitos outros estúdios acham que 30% é muito.

A própria Epic, ao lançar sua loja de games introduziu uma taxa de apenas 12%; tal movimento anda tirando o sono da Valve, que também fica com 30% de toda a receita do Steam. Mas sendo justo, a desenvolvedora tem a gigantesca Tencent por trás, para dar-lhe apoio. Em suma, a percepção é que Google, Apple e cia. esfolam desenvolvedores e estúdios, e que poderiam muito bem se virar com taxas menores.

Só que Sundar Pichai não pensa assim.

AP / Sundar Pichai, CEO do Google, durante depoimento ao Comitê de Justiça Congresso dos EUA, em 2018 / Android

Sundar Pichai, CEO do Google: nada de redução nas taxas (créditos: AP)

O executivo foi taxativo, o Google não reverá sua política de comissões para apps e games do Android, e argumenta corretamente que a Apple, Steam e outras lojas fica com a exata mesma porcentagem, ao dizer que 30% "é um padrão da indústria". Claro que o fator pirataria pesa muito contra o robozinho, além do fato de que a cultura do usuário iOS é diferente, mas Pichai não está errado.

Isso não quer dizer que a decisão da Epic em não publicar Fortnite na Play Store não tenha ferido o bolso do Google: segundo a Sensor Tower, a companhia perdeu US$ 50 milhões em receita com a ausência do título, desde seu lançamento para o Android até o fim de 2018; da ponte pra lá, o game arrecadou US$ 385 milhões via iPhones e iPads no ano passado, uma média de US$ 1,6 milhão por dia. Tirando seus 30%, a maçã ficou com cerca de US$ 115,5 milhões.

Tal declaração de Pichai é arriscada, pois pode estimular mais desenvolvedoras, em especial de games a não mais procurarem distribuir seus títulos na Play Store, e fazerem como a Epic Games, oferecendo métodos alternativos. Por outro lado, o Google pode e deverá se valendo da carta da segurança, lembrando que o ocorrido com o instalador de Forntine pode e irá se repetir, e que a empresa não pode se responsabilizar se o usuário instalar vírus e outras pragas em seus aparelhos, algo que os possíveis fujões estão indiretamente estimulando.

De qualquer forma, a posição do Google é coerente até em relação à Apple, que também sequer questiona a possibilidade de reduzir a taxa de 30%. A diferença, é que a App Store é muito mais lucrativa para desenvolvedores do que o robozinho.

Com informações: Neowin.

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