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SpaceX posta vídeo mostrando que nada é fácil

31/01/2019 às 14:21

A regra na indústria espacial atual é jogar tudo fora, a SpaceX é total exceção ao recuperar seus foguetes e eles querem mais, mas mais às vezes é mais difícil. E, dizem as más línguas, talvez impossível.

Qualquer outra indústria do planeta faliria se vivesse sob as condições da indústria espacial. Imagine um caminhão que só levasse uma caixa de sapatos e depois da primeira entrega, explodisse. Ou um carro que você comprasse zero km, fizesse uma viagem e então jogasse fora.

Recuperar o máximo possível do foguete faz todo o sentido biológico e econômico, ninguém fazia isso antes por não precisar, os clientes eram reféns das empresas e como boa parte dos lançamentos eram estatais, ninguém liga muito pra dinheiro. A SpaceX mudou isso, mas deu trabalho.

Originalmente era consenso entre os "experts" que a spaceX não conseguiria pousar o Falcon 9, foram dois anos entre o primeiro teste e o primeiro pouso bem-sucedido. Hoje parece até rotina.

A SpaceX ainda está dividida entre tentar recuperar o segundo estágio ou não, mas algo que já decidiram e investiram uma boa grana é na recuperação da carenagem (que o SpaceToday chama corretamente de coifa).

A carenagem forma o bico do foguete, protegendo a carga e dando formato aerodinâmico. Quando a altitude se torna elevada e a pressão atmosférica cai para basicamente zero, a carenagem se torna inútil, peso morto, um estorvo. Tipo o seu cunhado, e então ela é ejetada para se destruir na reentrada, ou mais precisamente cair no mar.

Não parece, mas o negócio é grande. A carenagem é formada por duas metades, criando uma estrutura de 13 metros de comprimento e 5,2 metros de diâmetro, maior do que um ônibus. É uma construção bem complexa de fibra de carbono e alumínio em colmeia, acrescentando US$ 6 milhões ao custo do foguete.

Claro, US$ 6 milhões é troco de pinga num lançamento de US$ 70 milhões, mas de seis em seis você acaba chegando em dinheiro de verdade e há um segundo motivo para tentar recuperar as danadas: elas são complicadas de construir.

Você precisa de um forno imenso pra moldar a fibra de carbono, e no final o número de lançamentos fica limitado pela quantidade de carenagens que conseguem fazer por ano. Recuperar as partes seria vantajoso mais do que do ponto de vista financeiro, mas em termos de cronograma.

A estratégia da SpaceX é equipar as carenagens com jatos de nitrogênio para estabilizar a descida e no final usar parapentes controlados por GPS para atingir a superfície num ponto específico, mais precisamente na rede do Mr. Steven, um barco adaptado para catar as carenagens.

Foram feitos vários testes na costa da Califórnia, primeiro aproveitando lançamentos, depois com carenagens soltas de helicópteros. A SpaceX agora vai mandar o Mr. Steven para a Flórida, onde ocorrem a maioria dos lançamentos, mas estão em dúvida.

Talvez seja mais simples recolher as carenagens direto da água e dar uma geral, limpando e removendo qualquer dano causado pela água salgada, a ideia de capturar o bicho em voo está se mostrando mais complicada do que esperado. Por mais que o Mr. Steven seja ágil, é uma embarcação de 60 metros e os ventos imprevisíveis tornam o parapente complicado de manobrar.

Pode ser que eu esteja sendo pessimista como o pessoal que disse que os pousos eram impossíveis, mas por outro lado talvez seja apenas mais prático passar um pano e secar a maresia.

O último vídeo da SpaceX mostra exatamente o desespero da situação: Mesmo quando tudo dá certo, algo dá errado.

 

Será só uma fase? A ideia é boa e só a execução precisa ser refinada? Me cobre em seis meses.

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