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Project Torino, o sistema da Microsoft para ensinar programação a deficientes visuais

Project Torino da Microsoft introduzuma nova linguagem de programação tátil, chamada Code Jumper, voltada a crianças cegas ou com visão reduzida

30 semanas atrás

A Microsoft acredita que programar é preciso, e para isso, o ensino da disciplina precisa ser ministrado desde cedo, para ensinar lógica e noções práticas de outras disciplinas às crianças. E é importante também que a matéria seja inclusiva, para permitir que os pequenos com limitações possam aprender tanto quanto seus coleguinhas.

E foi pensando nas crianças cegas ou com visão reduzida, que a Microsoft desenvolveu um sistema chamado Project Torino, que consiste em uma linguagem de programação tátil.

Jonathan Banks / Louisa Turtill, 9 (esq.) e Khadijah Pinto Atkin, 9 (dir.), usam o Project Torino / Microsoft

A ideia do Project Torino é tornar a programação tão simples para pessoas com deficiência, como ela se tornou na última década para o resto da população. O ensino da disciplina no passado consistia em zero abstração, e fazer crianças se interessarem por COBOL, BASIC, C ou mesmo Pascal (que é considerada a linguagem mais didática) era um martírio. Hoje, no entanto há sistemas que ensinam lógica de programação de maneiras mais atraentes, como o Scratch, ou utilizam até games, incluindo Minecraft.

Mas e quando a criança não pode ver? É aí que entra o Code Jumper, a linguagem de programação tátil que a Microsoft está desenvolvendo. Ela utiliza blocos modulares, com diferentes formatos, tamanhos e cores (eu sei, não parece fazer sentido, mas faz; mais sobre isso a seguir), cada um possuindo uma função de comandos distintos. Ela é basicamente um Scratch físico, em que você posiciona os blocos em diferentes arranjos, a fim de escrever um programa.

A iniciativa visa atender as necessidades de crianças entre sete e onze anos, que possuam algum tipo de deficiência visual, desde uma menor acuidade à cegueira completa. O Code Jumper permite a criação de músicas, softwares e outros produtos, sendo limitada apenas pela imaginação do programador mirim. O Project Torino vem sendo desenvolvido há alguns anos por um time de desenvolvedores da Microsoft sediados em Cambridge, Reino Unido, com crianças testando e avaliando o Code Jumper, e com apoio da American Printing House for the Blind (APH). Agora, a linguagem entra numa nova fase.

Microsoft / crianças testam o Code Jumper / Project Torino

Segundo Cecily Morrison, doutora em Ciência da Computação pela Universidade de Cambridge e uma das cientistas responsáveis pelo Project Torino, a meta da Microsoft vai além de ensinar programação a crianças com deficiência visual: o Code Jumper foi criado de modo a ser atraente a todas as crianças (por isso as cores), de modo a não criar um ambiente segregado nas salas de aula, e atrair o máximo de pequenos possíveis para a disciplina.

Mais para frente, a Microsoft espera que o Project Torino sirva para diminuir a deficiência de profissionais no mercado de trabalho; a médio prazo, ele será utilizado como uma ferramenta de aprendizado para pessoas com dislexia ou autismo, de modo que todos possam se tornar programadores, cientistas ou engenheiros de computação no futuro. Morrison defende que a área de TI pode fornecer chances a esses indivíduos, que enfrentariam dificuldades em outras carreiras profissionais.

Diferente do Lucas Radaelli, que hoje trabalha no Google e aprendeu a programar na unha, o Code Jumper permitirá que crianças com limitações, ou com alguma dificuldade de aprendizado possam desde cedo desenvolver habilidades para o futuro, quer se tornem ou não programadores. Afinal, aprender lógica desde cedo é importante para aprender a pensar melhor.

A meta da Microsoft e APH é enviar o Code Jumper para instituições educacionais dos Estados Unidos, Reino Unido, Canadá, Austrália e Índia ainda em 2019, e disponibilizar os módulos globalmente até 2024.

Com informações: Microsoft.

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