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O incrível universo de detalhes de Roma, de Alfonso Cuarón

Detalhes da produção de Roma mostram como o designer Eugenio Cabellero conseguiu recriar as memórias do diretor Alfonso Cuarón

1 ano atrás

Assisti ontem o filme Roma, que Alfonso Cuarón criou para a Netflix e estou até agora impressionado com a força e o poder dessa história, que aparentemente é simples e corriqueira. O filme desde já é meu favorito para levar o Oscar de melhor filme, melhor direção e melhor direção de fotografia, também assinada por Alfonso Cuarón.

 

O filme é inspirado na vida de Libo, Liboria Rodríguez, que trabalhava na sua casa quando era criança, e ajudou a criar não só ele, mas também seus irmãos. No filme ela virou Cleo, vivida com uma emoção quase sempre contida pela fantástica atriz Yalitza Aparicio, que dá um verdadeiro show no filme.

Falando sinceramente, ainda não tenho condições emocionais para escrever sobre essa pequena obra prima, pois vou precisar assistir novamente mais algumas vezes antes de poder falar mais sobre o filme em si. Já falei sobre a polêmica com a estreia do filme no México, e certamente irei fazer uma resenha completa sobre Roma, se algum dos meus companheiros de site não for mais rápido.

Roma é um dos filmes mais pessoais e intimistas que já vi, mas de alguma forma, também consegue ser épico, como em uma cena específica, que me lembrou muito Filhos da Esperança que Cuarón dirigiu em 2006. Suas duas horas e quinze minutos de projeção (ou streaming, se você assistir na Netflix) contam a história de uma empregada de uma família no bairro de La Roma, pertinho do aeroporto da Cidade do México. O filme se passa no começo dos anos 70 e é todo em preto e branco, por retratar as memórias de Cuarón.

O mais interessante de Roma é que não existe nada gratuito neste filme, tudo que está em cena tem seu propósito. Em uma entrevista ao Slate, o designer de produção Eugenio Caballero falou sobre alguns detalhes do seu impressionante trabalho na produção, explicando sua relevância e importância não só para a história do filme, mas também na memória de Cuarón.

Fiquei impressionado ao saber que 70% da mobília da casa da família no filme veio da própria família do cineasta. O designer chegou a recriar ruas e até uma avenida de acordo com as memórias de Cuarón, para uma cena em que as crianças andam até o cinema. O efeito em cena é realmente incrível.

Cena de Roma, novo filme de Alfonso Cuarón

Outra memória marcante do diretor envolvia uma casa de fazenda repleta de cabeças de cachorro empalhadas, e assim foi feito. As organizações de defesa de animais ficarão mais tranquilas quando souberem que não são cabeças de cachorro de verdade, e sim belos exemplares de um design de produção muito bem executado, e por isso mesmo, extremamente perturbador, que tem um efeito brutal sobre a personagem de Cleo e sobre nós, espectadores.

Cena de Roma, novo filme de Alfonso Cuarón

No fundo de uma das cenas, aparece um homem sendo arremessado de um canhão, e parece que estamos vendo um circo em ação, mas os mais atentos verão que na verdade aquilo é um comício, ou seja, o que era só um detalhe, funciona como uma das várias críticas políticas deste filme tão pessoal e ao mesmo tempo, tão universal.  

Cena de Roma, novo filme de Alfonso Cuarón

Desde os reflexos d'água na abertura do filme, aos aviões que sobrevoam constantemente a casa, dá pra ver a importância de cada coisa que aparece em cena em Roma, sem nenhum exagero. Os carros da família e até os cinemas que eles frequentam também funcionam quase que como personagens no filme. O Ford Galaxy, grande demais para a garagem, veio direto da infância de Cuarón. 

Como Roma é essencialmente um filme sobre memórias, um dos objetivos do cineasta foi estimular o envio de vídeos de histórias pessoais de pessoas que tenham sido criados por alguém que tenham se emocionado com a história, ou então que tenham tido o imenso privilégio de terem sido criadas por alguém tão incrível quanto Libo/Cleo, através do site MiRoma. Entre os envios, encontrei o depoimento do nosso conterrâneo Walter Moreira Salles.

Hoje (17) às 23h, a Netflix vai fazer uma sessão de perguntas e respostas com o diretor Alfonso Cuarón, que vai contar um pouco mais sobre a sua verdadeira obra-prima. Para assistir, é só clicar abaixo.

A sessão de hoje será em espanhol, mas ele fará outra no dia 20 em inglês.

Quem é assinante da Netflix já pode assistir ao filme, mas antes vale consultar esse pequeno guia, que tem algumas dicas para ajustar a TV para ter a melhor experiência possível, de acordo com a intenção de Cuarón.

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