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PHM Atlântico - O maior navio de combate da América Latina

Estivemos lá! Aproveitamos que a Marinha abriu as portas para visitação e conhecemos um pouco do PHM Atlântico, o novo Porta-Helicópteros que compramos da Tia Beth!

14/12/2018 às 14:38

Essa semana o Porta-Helicópteros Multiuso Atlântico abriu suas portas para visitação no Porto do Rio de Janeiro. Comissionado em 1998 como HMS Ocean, é um porta-helicópteros que foi a nau capitânia da Marinha Real até o lançamento do HMS Queen Elizabeth. Em fevereiro de 2018 o Brasil comprou o navio e ele está sendo preparado para ser incorporado à Frota, mas não agora, então fique calmo, Maduro, ainda não vamos invadir a Venezuela.

O Navio de assalto anfíbio

Durante a Segunda Guerra ficou evidente que as forças de desembarque eram alvos fáceis para a artilharia inimiga e os próprios navios que levavam essas forças pareciam ter um enorme X vermelho marcado no casco. Em muitos casos, principalmente no Pacífico, porta-aviões de escolta eram usados de forma improvisada para proteger essas forças, mas havia a necessidade de um meio específico.

Foi idealizado então o navio de assalto anfíbio, uma unidade naval capaz de se defender sozinha e levar uma força de desembarque, incluindo meios aéreos para dar suporte para essas forças. Os Estados Unidos criaram sua própria frota de mini-porta-aviões dos fuzileiros, levando helicópteros e caças Harrier de decolagem vertical, agora substituídos pelos F-35. Um desses navios é o USS América, que para todos os fins NÃO é um porta-aviões.

São 45 mil toneladas levando 1.650 fuzileiros armados até os dentes, prontos para espalhar democracia em qualquer lugar do mundo.

USS America fuck yeah

O HMS Ocean é mais modesto, visto que não precisa mais proteger um império onde o Sol não se põe.

Alguns dados do Ocean:

  • Deslocamento: 21.500 toneladas
  • Comprimento: 203,4 metros
  • Largura: 35 metros
  • Calado: 6,5 metros
  • Velocidade: 18 nós, ou 33 km/h
  • Autonomia: 13 mil km
  • Tripulação: 465
  • Tropas: 830 fuzileiros
  • Barcos de desembarque: 5 LCVP Mk5 de 24 toneladas

Ele serviu na Marinha Britânica de 1998 a 2018, passando por uma grande reforma em 2014 que durou 15 meses, um motivo de sua venda ter sido tão polêmica. Muita gente não gostou da Marinha Real gastar uma baba colocando o navio nos trinques pra logo em seguida passar adiante.

Quando ficou evidente que não havia sentido em manter mais um navio caro, com a entrada em serviço do Queen Elizabeth e em breve do Príncipe de Gales, a Marinha Inglesa desapegou e colocou o Ocean para vender, notícia essa que chegou aos ouvidos dos interessados, incluindo Brasil e Turquia. Negociações discretas aconteceram e, ano passado, o Ministério da Defesa confirmou o interesse. Em novembro de 2017 começaram as negociações formais, e em dezembro foi batido o martelo. O HMS Ocean era nosso, por US$ 113,2 milhões - mais ou menos R$ 444 milhões.

Compra fechada, o bicho foi para o estaleiro, é preciso revisar tudo, limpar os compartimentos, ver se ninguém esqueceu livros de códigos secretos em alguma gaveta. Ah sim, e também remover os sistemas de defesa contra torpedos e os 3 sistemas Phalanx  Mk15 Block 1B, este brinquedo aqui:

Como é produzido pela Raytheon, há um monte de cláusulas de restrições de exportação do Tio Sam, e de qualquer jeito a Rainha não tem muitos sobrando, então eles foram removidos para posterior uso em outros navios. Também foram removidas as m134 miniguns, aquelas metralhadoras iguais às do predador.

Ficaram quatro canhões automáticos de 30 mm DS30M Mk 2, como este abaixo:

É essencialmente um Bushmaster 2 em uma plataforma giro estabilizada, controlada remotamente. Um operador com um joystick seleciona o alvo, aperta o gatinho e pew-pew-pew ele manda 200 projéteis de 30 mm de pura democracia atingindo alvos a até 5 km de distância.

Em verdade a gente nem queria o Phalanx, ele é caro e complicado, a Marinha vem estudando já alternativas, um dos sistemas potenciais é o Oerlikon Millennium de 35mm:

Algo que VEIO com o Atlântico foram os barcos de desembarque:

O Atlântico veio com quatro LCPV (Landing Craft Vehicle Personnel) Mk5. Cada um pesa 24 toneladas, tem 15 metros de comprimento e pode levar veículos de combate ou 38 fuzileiros plenamente equipados, a uma velocidade máxima de 46 km/h.

Abaixo do Convés de Voo do PHM Atlântico ficam seus dois hangares: Um para 40 veículos e o principal para até 18 helicópteros. As aeronaves são levadas ao convés por dois elevadores construídos pela MacTaggart Scott:

Uma ótima notícia é que os ingleses toparam vender o Ocean sem remover este bicho aqui:

É um radar Artisan Tipo 997 3D.

Radares normalmente funcionam em duas dimensões, eles reportam a distância e direção do alvo, sem informações de altitude. Somente radares mais sofisticados conseguem obter dados de altitude, essenciais para direcionar interceptadores e mísseis.

Construído pela BAE Systems, o Artisan equipa as principais embarcações da Marinha Real, incluindo o HMS Queen Elizabeth. Ele é capaz de detectar alvos a 200 km de distância, e consegue rastrear 900 alvos simultaneamente. Com isso o Atlântico pode fornecer cobertura de radar e informações de alvo para as unidades menos equipadas da frota. No momento só dois países do mundo operam o Artisan 997: Brasil e Reino Unido.

No final, a visita ao Atlântico foi satisfatória, mas ficou devendo profundidade. Sem muito tempo ou pessoal para fazer visitas guiadas, o circuito era basicamente subir por uma das rampas laterais, de lá seguir pela rampa principal para o convés de voo, descer para o hangar de veículos e de lá chegar até o elevador pro hangar de aeronaves, foi possível ter uma boa ideia do tamanho do bicho, mas faltou muita, muita coisa.

Não vimos a Ponte, o CIC, a praça de máquinas, refeitórios, quase nada de suculento.

Clique para engrandalhecer

Quais os próximos passos para o PHM Atlântico? A Marinha precisa definir exatamente quais serão suas funções e quais aeronaves usará. Focará em ataques navais ou comprará mais helicópteros russos como os Mi-35 (chamados aqui de AH-2 Sabre) que a FAB opera?

Será que agora investirão em escoltas? Hoje foi batizado o Riachuelo, submarino classe Scorpene construído no Brasil, o primeiro de quatro. A madrinha foi a excelentíssima (bota excelente nisso!) Marcela Temer, e ela quebrou a garrafa na primeira tentativa, o que na tradição naval significa boa sorte para o barco.

Levando em conta todo o trabalho de tradução, conversão de sinalização, adestramento das tripulações, adaptação de sistemas, incorporação de tecnologias locais e todas as milhares de tarefas, pequenas e grandes necessárias para que um navio de guerra esteja plenamente integrado a uma esquadra, a estimativa é que o Atlântico só esteja plenamente operacional em 2020. Até lá, que bons ventos o levem, e bem-vindo ao Brasil, bravo guerreiro!

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