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Capitã Marvel — a longa e tortuosa jornada dos quadrinhos até o cinema

Capitã Marvel vem aí, mas quem é essa personagem que já foi negra, homem e alienígena, não necessariamente nessa ordem? Conheça a história de Carol Danvers…

21/09/2018 às 20:56

O Capitão Marvel da Marvel surgiu em 1967, criado por Gene Colan e Stan Lee. Tecnicamente o nome pertencia ao personagem que muita gente chama de SHAZAM, mas a Fawcett Comics perdeu na justiça o direito ao personagem depois que foi processada pela DC Comics em 1953, por ter um personagem parecido demais com o Super-Homem. A Marvel aproveitou a situação e quando o copyright foi anulado, correu e registrou o nome Capitão Marvel.

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Em 1966 a MF Enterprises tentou editar um gibi com um personagem chamado Capitão Marvel, que não me parece exatamente baseado em ninguém:

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Foi a vez da Marvel mandar um Processinho™, mas perceberam que se não usassem o personagem acabariam perdendo o direito ao nome, e em 1967 surgiu o alienígena chamado Mar-Vell, um guerreiro Kree que se rebela e se torna defensor da Terra. O personagem teve muitas fases boas, suas brigas com Thanos eram épicas e ele era um Surfista Prateado sem ser mala.

Em 1982 Jim Starlin escreveu a primeira graphic novel da Marvel, e o que seria uma história sem paralelo no mundo dos super-heróis. Nela o Capitão Marvel morre. Não de tiro ou facada, não salvando o mundo, não em gloriosa batalha. Ele descobre que está com câncer por causa de uma exposição a um gás maligno algumas histórias antes.

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Na história as maiores mentes dos Universo Marvel se reúnem para tentar tratar o Capitão, mas Reed Richards descobre que a energia dos nega-braceletes, que concentram os poderes do Capitão Marvel estava controlando o câncer, mas a doença se adaptou e os braceletes não faziam mais efeito.

Era um personagem que enfrentou e venceu Thanos confrontado pela própria mortalidade, e aprendendo a lidar com isso.

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No final Thanos é trazido de volta da morte para uma última batalha que é apenas uma metáfora para que o Capitão entenda que é hora de seguir adiante. Foi um final corajoso e tocante, ninguém achava que se importava tanto com o Capitão Marvel, e ele até hoje está tecnicamente morto, embora tenha sido ressuscitado algumas vezes em momentos de crise.

O manto do personagem alienígena loura, ou ao menos seu nome passou para a escolha mais lógica possível: uma humana mulher negra.

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Monica Rambeau era uma policial que ganhou super-poderes e decidiu combater o crime com o nome de Capitã Marvel. A personagem foi criada em 1982, então não havia nem millennials lacradores para dizer que a sociedade machista racista fascista dos quadrinhos finalmente teria que engolir uma mulher negra superpoderosa, nem havia nerds chatos inseguros atacando a personagem achando que seria o fim dos quadrinhos como os conhecemos.

A criação de Roger Stern e John Romita, Jr se tornou imediatamente popular, ela entrou para os Vingadores e chegou a liderar a equipe por um bom tempo. Quando Genis-Vell apareceu, o filho do Capitão Marvel original, ela abriu mão do nome. Depois disso Monica usou vários outros codinomes, como Photon, Spectrum e Pulsar, ela muda de nome mais rápido que a Vespa muda de uniforme.

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Depois disso vários personagens usaram o nome Capitão Marvel, o mais recente foi Carol Danvers, em 2012.

Então… como assim a novata ganhou o filme e a primeira versão da personagem ficou de fora? A Marvel está louca? Com todo o pessoal da lacração dentro e fora do estúdio? Com o Homem de Ferro virando uma adolescente negra não faz sentido tirarem o lugar da Monica, ou faz?

Carol Danvers surgiu em 1968, como uma personagem humana sem poderes. 11 anos após o Capitão Marvel, ela era basicamente uma versão feminina do personagem. Na verdade ela aparece na edição número 1 do CM, como a chefe de segurança da ase militar onde o herói trabalhava em sua identidade secreta.

Ela aparece em outras edições, até na 18ª quando é atingida por um blaster e uma explosão de um dispositivo Kree.

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Carol aparece em várias histórias mas seu grande retorno é em 1977, na Ms Marvel #1, quando surge com um uniforme basicamente idêntico ao do Capitão Marvel.

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Inicialmente ela não se lembra que é a heroína, Carol sofre blecautes quando se transforma. Em sua vida civil ela vai trabalhar com JJ Jameson editando uma revista feminina, discutindo todas aquelas questões sociais que os militantes lacradores E os fãs brucutus acham que só agora os quadrinhos estão discutindo.

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Ela também entra para os Vingadores, até que em 1982 troca de codinome e se torna Binária. Nos anos 90 Carol muda de novo seu uniforme e codinome, passando a se chamar Warbird, com um uniforme cada vez mais indefensável.

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Carol Danvers foi crescendo de importância durante a década de 2000 e a de 2010. Chegou a salvar o mundo sozinha algumas vezes, teve sua própria saga do Demônio na Garrafa, quando desenvolveu alcoolismo por causa de stress pós-traumático, participou de Invasão Secreta, do novo Guerras Secretas, do Guerra Civil II, basicamente todos os arcos importantes da Marvel.

Em 2012 ela assumiu o posto de Capitã Marvel, deixando o título de Ms Marvel para Kamala Khan, a adolescente muçulmana que a turma da lacração acha ser o maior exemplo de lacração e diversidade nos quadrinhos, mas claro que eles não lêem, isso ficou a cargo dos velhos fãs se sempre, que simplesmente se apaixonaram pela personagem, justamente por ter ZERO lacração.

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Kamala é uma adolescente normal, nascida e criada em Jersey, filha de pais paquistaneses, tem amigos, estuda, é fanática por super-heróis e um dia é exposta a uma nuvem Terrigen e sofre efeitos mutagênicos, por ser parte inumana.

Ela chega a ter alucinações com os Vingadores, onde declara seu fanboyismo pela Capitã Marvel, e diz até que quer ser como ela mas usando o uniforme politicamente incorreto.

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Depois que sai do casulo Kamala está usando o uniforme da Warbird, e LOURA, no mais exagerado caso de whitewashing da história da Marvel. Felizmente os tais millennials não lêem gibis ou correriam pra xingar muito no Tumblr.

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Imediatamente ela descobre que aquele estilo pin-up não é tão bom assim, e quando aprende a controlar seus poderes metamórficos ela se livra do visual, e corre atrás de um uniforme. O mais divertido e algo que pouca gente percebe é que o uniforme da Ms Marvel Kamala Khan é um… burkini, aquele traje de banho de muçulmanas mais ortodoxas.

Ou seja: tecnicamente Kamala Khan mantém a tradição de heroínas em trajes de banho.

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Aprovada pela própria Carol Danvers, Kamala É a Ms Marvel, e é natural que Carol assuma o posto do Capitão.

Não há sinal de Kamala no filme da Capitã Marvel, mas uma personagem em especial chama atenção: Maria Rambeau:

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Nos quadrinhos ela é mãe da Monica, no filme ganhou um belo upgrade: de dona de casa idosa para piloto de caça, com direito a usar um codinome que era da filha.

Cronologicamente tudo se encaixa. A história se passa nos anos 90, então se a Mônica nascer por essa época, chegará em 2018 na idade ideal para se tornar a Capitã Marvel. É possível, embora improvável que a Capitã Marvel Carol Denvers dos anos 90 venha para o futuro enfrentar Thanos e no final vire Warbird, Ms Marvel ou mesmo morra, para que Mônica assuma a personagem, irritando todos os pseudo-nerds inconformados com a lacração de uma Capitã Marvel negra, malditos millennials.

A Capitã Marvel é vendida como uma das personagens humanas mais poderosas do Universo Marvel, mas no filme parece que ganhará um upgrade, pelo menos o suficiente para peitar Thanos, mas o racional também é que ela precisa ser muito mais que um rostinho bonito chutando bundas, quando o público já se acostumou com uma Mulher-Maravilha que enfrenta deuses.

A “briga” da Carol com a Diana aliás é antiga, na primeira aparição da Ms Marvel já há uma espetada federal na princesa de Themyscera:

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Infelizmente o filme só sai 8 de março de 2019, seguido do segundo Guerra Infinita, 26 de abril. Por enquanto, o primeiro trailer:


Marvel Entertainment — Marvel Studios’ Captain Marvel – Official Trailer

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