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Apple pode apagar seus filmes do iTunes se você mudar de país

O DRM regional volta a causar problemas: Apple apaga filmes que usuário comprou no iTunes, e explica que política de impedir downloads de conteúdos comprados em uma região mas indisponíveis em outra é oficial.

17/09/2018 às 9:30

Um usuário do iTunes descobriu da pior maneira o quanto a usura dos detentores de direitos autorais pode ser nocivo: ao mudar de país ele descobriu que a Apple removeu três filmes de sua biblioteca do iTunes, com a desculpa de que “o content provider os removeu de nossa loja” e assim, não poderia permitir o download de algo que o cliente já havia adquirido em outra região.

O caso aconteceu com Anders Gonçalves da Silva, profissional de Bioinformática de Melbourne, Austrália que recentemente se mudou para o Canadá. Ao verificar seu acervo de filmes comprados na lojinha da Apple, ele constatou que três filmes haviam desaparecido, sendo eles Carros, Carros 2 e O Grande Hotel Budapeste.

Ele entrou em contato com o suporte da maçã, que deu uma resposta um tanto insatisfatória: a remoção é uma política oficial porque ele se encontra em uma região diferente da que ele estava quando comprou as obras, e que os detentores dos direitos autorais haviam removido as três produções do catálogo.

O suporte da Apple ofereceu apenas o aluguel de três filmes gratuitos como compensação, o que convenhamos não é a mesma coisa.

Só que as coisas não param por aí. O site CNet verificou a história e descobriu que a versão canadense do iTunes ainda oferece os três filmes para aluguel e compra, e lembra que o procedimento padrão da Apple é de converter as compras de uma região quando o usuário migra a conta para outro país, que foi o que Silva fez. Se ele usa a conta australiana tudo funciona bem, e a conta canadense conseguiu transferir outras aquisições.

Mas de uma forma bastante estranha, estes três filmes em especial foram “diferenciados” pela Apple com base na região em que estão disponíveis, como se fossem produtos distintos.

Em nota, a Apple explicou que tal política se faz necessária quando os estúdios e distribuidoras impedem a distribuição global de um filme, série, álbum ou etc. e caso o usuário não tenha feito o download do material antes de mudar a conta de região, ele perderá o acesso. A opção dada pela maçã é de manter a conta na região original, de modo que o usuário não corra o risco de não poder acessar algo pelo qual ele já pagou.

Ainda que haja um bocadinho de malícia da Apple nessa história, esse tipo de usura não é uma ideia muito difícil de ter sido colocada em prática pelos content providers; esse caso seria uma evolução do cenário de bloquear trailers de filmes e séries por região no YouTube por exemplo: bloquear as compraas por região e impedir que o usuário acesse o que comprou, se estiver em um país diferente.

A Apple também tem culpa, visto que ela não é nenhuma quitanda: estamos falando da empresa mais valiosa do mundo, que recentemente atingiu US$ 1 trilhão em valor de mercado e por causa disso, o mínimo que ela deveria fazer era forçar acordos com os distribuidores para evitar esse tipo de situação; afinal, ela conseguiu forçar a distribuição de filmes em 4K pelo mesmo valor dos de 1080p, uma briga que muita gente achou que a maçã não venceria.

Vale lembrar que essa política antiquada já afetou um usuário da Amazon, a segunda empresa mais valiosa alguns anos atrás; a Kindle Store simplesmente apagou dezenas de livros baixados ao detectar que estava em outra região, onde as publicações não estavam disponíveis para compra e distribuição.

Claro que a atitude da Apple consegue ser ainda pior, porque os três filmes baixados estão disponíveis em ambas as lojas e até agora ela não explicou que diferenças existem entre as cópias australianas e canadenses dos filmes que sumiram.

A Apple informa que vai resolver a situação de Silva, só não esclareceu como vai fazê-lo.

Com informações: CNet, 9to5Mac.

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