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Sobre China, Donald Trump, Apple e a possível alta de preços do iPhone nos EUA

Apple diz que guerra comercial entre China e EUA irá elevar os preços de seus produtos no país, mas para o presidente Donald Trump, a solução é fabricar os gadgets localmente. Claro, nada é tão simples assim.

11/09/2018 às 11:00

A guerra comercial travada entre China e Estados Unidos está pegando fogo e não dá indícios de que será resolvida tão cedo. Cada lado eleva as taxas de preços de produtos importados e as consequências poderão ser desastrosas para ambos países e o comércio global como um todo, mas o presidente americano Donald Trump e o premiê chinês Xi Jinping não estão dispostos a ceder.

Obviamente que tal disputa afetas produtos tecnológicos manufaturados na China, e consequentemente a Apple. Na semana passada a empresa declarou que tal política acabaria por elevar os preços de boa parte de seus produtos vendidos nos EUA, mas Trump não só não fará concessões como sugeriu uma “solução” à maçã.

Vamos contextualizar: no início do ano os EUA impuseram pesadas taxas à China para proteger o mercado interno de aço e alumínio (União Europeia, México, Canadá e Brasil também foram taxados) e “punir práticas comerciais desleais” do rival; o País do Meio revidou e desde então a guerra se instaurou, com um lado tributando o outro cada vez mais. Recentemente o governo norte-americano aplicou uma nova taxa de US$ 50 bilhões sobre produtos locais e considera cobrar mais US$ 467 bilhões, divididos em duas rodadas e que segundo analistas, poderão afetar toda a cadeia de bens de consumo.

Claro que no meio da confusão está a Apple, que depende da China através da parceira Foxconn para montar e distribuir seus produtos. Claro que a montadora, hoje dona da Sharp atende os grandes players do mercado de tecnologia, mas a maçã seria duramente afetada por ser uma empresa americana e ter seu principal mercado em casa.

Assim, Cupertino declarou que a política de taxar os chineses teria como efeito colateral a alta de preços de vários de seus produtos: iPhones, iPads, Apple Watches, Macs em geral (exceto o Mac Pro, que já é fabricado nos EUA), HomePods, AirPorts, AirPods, Apple Pencils, carregadores, adaptadores e produtos da linha Beats seriam todos afetados, sem falar em componentes e equipamentos necessários para fabricação e montagem locais, custos esses que também seriam repassados ao consumidor; na conta entram também itens e equipamentos necessários para Pesquisa e Desenvolvimento.

Trump entende que os preços da Apple podem subir no país, mas suspender as taxações à China não é uma opção. Em vez disso, o presidente sugeriu à Cupertino outra abordagem: que a companhia fabrique seus produtos localmente, mencionando inclusive políticas de isenção e de incentivos fiscais.

Não é de hoje que Trump bate na tecla que a Apple devia fabricar os iPhones e outros produtos em casa, ele o faz desde a campanha presidencial e já insistiu no tema várias vezes com o CEO Tim Cook; o executivo, por sua vez é irredutível ao defender a cadeia de suprimentos chinesa, tanto por razões óbvias como infraestrutura já bem azeitada, proximidade entre os fornecedores de componentes e conhecimento técnico das empresas envolvidas, como por razões econômicas: a mão-de-obra chinesa é muito mais barata que a americana e o governo não mede esforços para que os prazos sejam cumpridos, mesmo que para isso seja necessário sacrificar o trabalhador.

Atualmente a Foxconn, a principal parceira da Apple fechou um acordo com o estado de Wiscosin para a construção de uma fábrica, no valor de US$ 10 bilhões e com um pacote original de US$ 3 bilhões em subsídios (posteriormente foi injetado mais US$ 1 bilhão); ela inicialmente empregaria cerca de 13.000 americanos, mas de lá para cá o caldo desandou: segundo informes, a manufatura planeja agora instalar uma unidade menor do que a acordada, não mais uma “Geração 10,5″ (responsável por fabricar telas grandes de até 75” e com qualidade superior) mas uma “Geração 6” (telas menores).

A Foxconn nega os rumores, afirmando que os planos para uma fábrica Geração 10,5 continuam de pé, mas até agora, nada.

É preciso entender também que mesmo que a tal fábrica seja construída conforme o acordo, mudar a cadeia de suprimentos da China para os EUA não é de longe tão simples como Trump defende, visto que os custos subiriam muito mesmo com as isenções e subsídios locais.

Para dar uma ideia, analistas fizeram as contas e constataram que caso Cook ouvisse o presidente, o preço médio do iPhone no país mais do que triplicaria (dados de 2014), e nem estamos falando de outros produtos mais caros.

E a como a Apple também não é santa, é bom lembrar que ela elevou consideravelmente sua margem de lucro nos últimos tempos. Um aumento no custo de fabricação dificilmente se reverteria em preços altos apenas nos Estados Unidos, ainda que ela continuasse a utilizar a cadeia chinesa para abastecer outros mercados.

Como sempre, não há um lado totalmente certo ou errado nessa história: a proposta de Trump é ingênua, mas é fato que a Apple também infla seus preços e como toda empresa, faz tudo pelo lucro e não é interessante para ela montar o iPhone nos EUA e perder dinheiro. Em todo caso, há a possibilidade de EUA e China se entenderem e entrarem num acordo e que tal situação, capaz de afetar o mercado global em todos os setores não acabe mal.

Com informações: USA Today, BloombergCNet.


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