OK, parece que o negócio de minerar asteróides miou

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A indústria espacial sofre do mesmo problema de toda indústria que quer criar um mercado novo, o Efeito Tostines. É muito caro pois os investimentos iniciais são consideráveis, e ninguém quer investir por ser muito caro. É um loop bem difícil de se escapar: se os DVDs continuassem custam R$ 1.200,00 como quando foram lançados, só idiotas early adopters teriam comprado mas não vamos falar sobre isso.

A Planetary Resources surgiu com a missão de quebrar esse loop, seria um projeto de longo prazo que começaria desenvolvendo satélites pequenos e baratos para identificar asteróides bons candidatos, depois criariam naves robóticas de exploração e refino de combustível de foguetes, que seria uma ótima fonte de renda.

Isso foi seis anos atrás, e mal ou bem eles cumpriram a primeira fase, com os satélites Arkyd-3 e Arkyd-6 construídos e lançados. Atrasados mas faz parte. Investimento também houve, só em 2016 em Maio conseguiram um aporte de US$ 21,1 milhões e em novembro Luxemburgo colocou mais US$ 29 milhões na empresa, mas desenvolver uma indústria do zero custa caro, no espaço mais ainda.

Agora, o dinheiro acabou. A última rodada de investimentos ficou sem interessados, e os apoiadores originais pelo visto perceberam que na melhor das hipóteses veriam o fruto de seus investimentos em uns 30 ou 50 anos, e por fruto de investimentos eu digo o primeiro lançamento de uma nave robótica mineradora de verdade.

Em junho Chris Lewicki, Presidente e CEO da Planetary Resources avisou que a verba para pesquisas acabou. Depois de um passaralho federal onde um monte de gente foi demitida, agora vai rolar entre 21 e 28 de agosto um leilão para arrecadar fundos. E estão leiloando tudo. No site oficial dá pra ver a lista, e tem de câmeras FLIR e impressora 3D até mesas.

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Isso mesmo, estão vendendo até os móveis. É triste mas não é o fim do mundo. Antes de toda empresa pioneira de sucesso houveram 5 ou 10 que tiveram a mesma idéia antes mas não conseguiram implementar por falta de tecnologia, dinheiro ou timing. Se não for a Planetary Resources será outra empresa, pode ser a Weyland-Yutani, a OCP ou até a Magazine Luíza. O certo é que em algum momento alguém vai estar no lugar certo na hora certa com o projeto certo.

Fonte: GeekWire.

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Autor: Carlos Cardoso

Entusiasta de tecnologia, tiete de Sagan e Clarke, micreiro, hobbysta de eletrônica pré-pic, analista de sistemas e contínuo high-tech. Cardoso escreve sobre informática desde antes da Internet, tendo publicado mais de 10 livros cobrindo de PDAs e Flash até Linux. Divide seu tempo entre escrever para o MeioBIt e para seu blog pessoal, o Contraditorium,

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