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FILO — uma assustadora solução para o Paradoxo de Fermi

Um cientista apresentou uma solução improvável mas interessante para o Paradoxo de Fermi, que questiona o motivo de não termos encontrado vida inteligente no espaço. O problema é que a solução pode ser ruim ou MUITO ruim para nós.

1 ano atrás

Cidade alienígena

O Paradoxo de Fermi é uma daquelas batatas quentes que os cientistas ainda não conseguiram resolver, basicamente é um questionamento: em um universo com bilhões de planetas espalhados em incontáveis galáxias, mesmo que a Vida seja algo muito, muito raro ela deveria surgir em um monte de lugares, mas até hoje não vimos nem sinal dessas civilizações alienígenas.

Em verdade só começamos a brincar com sinais de rádio na virada do século XIX para o XX, e só tivemos projetos sérios de pesquisa de sinais alienígenas a partir dos anos 1960, e mesmo assim esse tipo de pesquisa sempre foi mal-visto, é feito quase na base do favor nos horários vagos dos radiotelescópios.

Entre os argumentos que justificam a ausência de sinais está a própria imensidão do Universo. Mesmo que todas as civilizações do Cosmos estivessem com seus radiotelescópios apontados para a Terra, não ouviriam NADA se estivessem a mais de 150 anos-luz de distância. Esse é o tamanho da bolha de ondas de rádio que criamos quando Marconi fez seus primeiros experimentos. Veja como ela se compara em relação à Via Láctea:

O alcance das transmissões de rádio humanas na Via Láctea

Exato, tudo que já fizemos, construímos, filmamos, falamos e transmitimos ocupa essa bolinha minúscula. É uma lição de humildade que estragaria o dia de Hitler.

Outra possibilidade improvável é que nós somos a primeira civilização tecnológica a surgir no Universo, ou pelo menos em nossa galáxia. Estatisticamente é muito improvável, mas como Carl Sagan já disse, alguém tem que ser o primeiro. Agora Alexander Berezin, um físico teórico russo publicou um paper com uma interpretação diferente do Paradoxo de Fermi.

Ele usa o conceito de FILO — First In, Last Out.

Segundo Berezin uma civilização galáctica iria naturalmente se expandir, consumindo recursos de mais e mais sistemas estelares, até chegar a um ponto em que não irão mais se preocupar com planetas com potencial de geração de vida, habitados por espécies inferiores ou até mesmo com espécies inteligentes menos armadas.

Pense em Avatar mas uma versão realista, sem os humanos bonzinhos. Nós fazemos isso o tempo todo, saímos atropelando povos mais fracos, por ganância e/ou necessidade. Os ecochatos acham que vencem quando conseguem atrasar uma hidroelétrica ou uma linha de trem por causa de uma dúzia de índios morando em uma choupana, mas se o bicho pegar a gente passa o trator por cima. E fazemos isso com gente da própria espécie, imagine com um planeta de Ewoks.

Jar Jar no Senado

Claro que nosso universo é muito pequeno, estudamos até hoje uma espécie inteligente, mas recursos naturais são por natureza finitos. A mais pacífica das espécies consome comida e energia igual qualquer outra. Quando a situação aperta, ninguém vai cometer suicídio planetário para não melindrar uma espécie que nem descobriu o fogo.

E se você acha isso absurdo, pergunto: Quantas formigas você pisou hoje durante suas atividades normais? Pois é. E quantas amebas essas formigas pisaram?

Pode ser que nós sejamos os primeiros e o destino do Universo seja ser dominado por humanos, tal qual em Fundação, de Isaac Asimov. É um destino cruel, eu sei, as chances são de que viraremos muito mais The Expanse do que Star Trek.

A outra alternativa dentro do modelo FILO é muito mais assustadora. Talvez nós sejamos as amebas, e só existimos enquanto A Grande Civilização Galáctica não presta atenção em nós. Quando precisarem fazer uma nova via hiperespacial ou algo assim, dinamitam a Terra sem pensar duas vezes.

As duas hipóteses são bastante improváveis mas não impossíveis. Talvez um dia seres de várias espécies se divirtam ouvindo anedotas de seus anfitriões humanos, zombando de nossa própria cegueira e pretensão. Idealmente essa reunião seria em uma estação espacial como a da cena de abertura do injustiçado Valerian e a Cidade dos Mil Planetas. É linda a cena, assista!


Old Good Music → VALERIAN AND THE CITY OF A THOUSAND PLANETS - OPENING SEQUENCE - New Movie Trailer

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