KodakCoin — jogada de mestre

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O mundo pertence ao Bitcoin. Ou pertencia. Com o estouro lucrativo da moeda virtual muita gente começou a prestar atenção à esse tipo de atividade. Até quem não entende nada sobre isso (como eu) já está dando opiniões e planejando investimentos. Gente largando o emprego e apostando todas as economias na rentabilidade das novas moedas. Pois bem, o mundo é feito de mudanças e novidades.

Agora, empresas perceberam que entrar na moda das criptomoedas pode ser extremamente lucrativo e ainda dar uma valorizada no preço de mercado das companhias. Foi o que a Kodak (ou quase) fez ontem. A empresa anunciou que estava entrando nesse novo mercado criando um serviço de registro, licenciamento e proteção de direitos autorais para fotógrafos e que os lucros dos licenciamentos seriam pagos com a nova moeda criada pela empresa, o KodakCoin.

O novo serviço será chamado de KODAKOne, e será um livro de contabilidade digital criptografado de direitos. Os fotógrafos poderão registrar fotos novas e antigas para o serviço e licitá-las usando a plataforma. Estamos falando de um enorme serviço de registros, onde você pode utilizar os serviços da empresa para confirmar a autoria de uma imagem e vender os seus direitos de uso, ou cobrar os direitos de quem está utilizando suas imagens de maneira ilegal. O KodakOne também vai fazer varreduras constantes na internet à procura de imagens registradas por seus clientes e que estejam em uso indevido e dará suporte para que os direitos sejam cobrados. Todas as transações internas de vendas e cobranças de direitos autorais serão feitas em KodakCoin.

Em 2012 a Kodak decretou falência nos Estados Unidos e para conseguir se erguer vendeu suas patentes de imagem por US$ 525 milhões. Em 2013 a empresa saiu da bancarrota e começou a licenciar sua marca (com 129 anos de tradição) para terceiros. E é nesse ponto que está o pulo do gato. A responsável pelo serviço do KodakOne e o lançamento da KodakCoin é uma empresa chamada WENN Digital que apenas licenciou o uso do nome da Kodak. A empresa de George Eastman provavelmente não está envolvida diretamente com tudo isso. Mas, esse fato não impede a Kodak de faturar alto com o anúncio.

Por anos as ações da Kodak perderam preço na bolsa de valores. Ontem, antes do anúncio da criptomoeda, a ação da Kodak era negociada por US$ 3,10. Hoje, ao abrir o pregão, o valor já estava em US$ 13,27. Uma valorização de 320%. Nada mal para uma empresa que anda meio esquecida.

E o negócio é uma boa?? Não sei. Ter empresas especializadas em registro, comercialização e fiscalização de direitos de imagens é uma boa em qualquer lugar. Mas, a necessidade de criar uma moeda para as transações é algo desnecessário. Mas, chamou a atenção e deixou investidores malucos. Então cumpriu a função de fazer barulho.

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Autor: Gilson Lorenti

Geógrafo de formação e fotógrafo de coração, comecei a fotografar com 18 anos de idade (antes disso nunca tinha pegado uma câmera na mão). Depois de muito estudo veio a carreira profissional que passou por várias modalidades da fotografia até realmente descobrir o que gosto de fazer. Hoje me dedico ao ensino de fotografia, fotografia Fine Art e Books Fotográficos (gestante, moda, sensual). Tomando emprestado as famosas palavras de Ansel Adams "Quando as fotografias não forem mais suficientes, me contentarei com o silêncio".

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