Negócio fechado: Disney compra a quase totalidade da Fox por US$ 52,4 bilhões

E aconteceu: após semanas de especulações e viradas de mesa, a The Walt Disney Company anunciou hoje (14) a compra da quase totalidade da 21st Century Fox pela bagatela de US$ 52,4 bilhões. Ainda que tal negociação ainda precise ser aprovada pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos (que já tem o processo AT&T/Time Warner para desenrolar e por isso mesmo, não anda de muito bom humor), a aquisição torna a Disney um conglomerado ainda mais poderoso do que já é.

De acordo com o documento oficial, a aquisição diz respeito à toda a parte da Fox que responde por produção de conteúdo de cinema, TV e internet que não os canais Fox, Fox News, Fox Sports e Fox Business nos Estados Unidos, tal qual jornais como o The Wall Street Journal e o New York Post; esses permanecem sob controle dos Murdoch, que passarão a administrar uma empresa bem menor como era de desejo deles desde o início; no caso Lachlan e James, respectivamente co-presidente e CEO da Fox não queriam herdar todo o conglomerado das mãos do pai Rupert Murdoch, que está se aposentando depois de não ter conseguido comprar a Warner e perdê-la para a AT&T.

O que vai para as mãos da Disney então? A totalidade da 20th Century Fox, o estúdio que conta com as subsidiárias para cinema, TV, Home Video e animações como a Fox Searchlight, a 20th Television e a Blue Sky Studios; 73% da National Geographic; 30% do Hulu (como ela já era dona de outros 30%, a Disney passa a ser sócia majoritária com 60% e assume o controle do serviço de streaming; Comcast e Time Warner detêm 30% e 10% respectivamente); 50% da Endemol Shine Group (Big Brother, MasterChef, The Biggest Loser; o resto está na mão da Apollo Global Management); o serviço de satélites Star India e 39,14% da Sky e a manutenção dos planos de aquisição dos outros 60,86%, iniciados um tempo atrás e sob escrutínio dos reguladores; mais de 300 canais internacionais, cerca de 22 canais de esporte regionais e serviços como a FX Networks, e por fim todas as propriedades intelectuais produzidas pela empresa.

Só para citar algumas das marcas que passam para o controle da Disney, além do retorno dos direitos para o cinema dos X-Men para as mãos da Marvel Studios (os do Quarteto Fantástico dependem de um acordo a ser firmado com a Constantin Film) temos as franquias Avatar, Alien, Predador, Duro de Matar, Planeta dos Macacos, A Era do Gelo, Kingsman, Alita: Battle Angel, Maze Runner e várias outras, bem como o controle de produções para a TV como Os Simpsons, Futurama, Family Guy, American Dad, The OrvilleBuffy, Sons of Anarchy, Prison BreakHow I Met Your Mother, Cosmos: A Spacetime Odyssey e curiosamente a série de TV do Batman dos anos 1960, que a Disney não poderá explorar já que a Warner é a distribuidora. A Disney também colocará as mãos em acordos de distribuição embora não controle algumas marcas, como Archer (pela FX).

Bob Iger, CEO da The Walt Disney Company e Rupert Murdoch, co-presidente da 21st Century Fox

O acordo renderá aos acionistas 0,2745% das ações da Disney por cada ação da Fox que detiverem, o que acabará por repassar 25% da empresa aos atuais controladores da companhia recém-adquirida; ao mesmo tempo o período de permanência de Bob Iger como CEO será estendido até 2021, sem mencionar que ainda não há um plano de sucessão e nem sinal de um possível substituto. A precisão é que a negociação seja concluída em até 18 meses.

E aí reside o principal problema: o Departamento de Justiça dos Estados Unidos já tem um tremendo abacaxi para descascar na forma da aquisição da Time Warner pela AT&T; a operadora se recusa a se desfazer de quaisquer propriedades como forma de concluir o negócio, ela teria oferecido vender a CNN mas a resposta que ouviu foi “é pouco”. Para seguir as leis antitruste os reguladores teriam exigido a venda da Turner inteira, ou da DirecTV e como a AT&T se recusa, o órgão partiu para o movimento mais natural que é embarreirar o processo inteiro.

As chances da Disney se safar sem que os reguladores exijam a venda de uma propriedade valiosa tendem a zero, e como não é a empresa que decide o que ela pode se livrar o DoJ pode exigir qualquer coisa, desde o Hulu para evitar ferir o mercado de streaming e ferrar ainda mais os concorrentes, como algum estúdio de animação como a Blue Sky ou a Pixar, a Marvel ou subdivisões da 20th Century Fox, com as propriedades intelectuais inclusas. Há várias possibilidades e a porrada pode ser bem feia, embora ela ainda demore um tanto para vir pois esse processo não se dará da noite para o dia, visto que a compra da Warner já completou um ano e ainda não foi fechada.

De qualquer forma, caso a Disney consiga concluir a aquisição da Fox a gente vai voltar a ver e ouvir isto:


ThatGuyInPhilly — Star Wars – Original 20th Century Fox Music 1977 [HD]

Fonte: The Walt Disney Company.

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Autor: Ronaldo Gogoni

Profissional de TI auto-didata, blogueiro que acha que é jornalista e careca por opção. Autor do Meio Bit e Portal Deviante, podcaster/membro fundador/Mestre Ancião do SciCast e host/podcaster do Sala da Justiça.

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