Leitores de eBooks seriam uma tecnologia estagnada?

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O Tech Crunch publicou uma matéria bem interessante destacando como leitores de eBooks estariam estagnados. É verdade, não só não apresentam nenhuma evolução tecnológica como as vendas também estão decepcionantes desde sempre, com nomes famosos saindo do mercado, mas o quanto disso é culpa da tecnologia?

Imagine que você chega hoje, 2017 entra em uma loja pede um PC Gamer e recebe um PC com 1 GB de DDR 400, HD de 128MB e placa de vídeo AGP com 128 MB de DDR2. No mínimo tem uma crise de riso.

Agora imagine que você precisa vingar a morte de sua família pelas mãos do Lorde Obo-Kan. Entra em uma passagem no Desfiladeiro dos Espelhos, acha a lendária loja do Hitaro Kako, armeiro. Ele te vende uma katana de 400 anos feita pelo insuperável Hatori Hanzo. Você sai satisfeito.

O primeiro Kindle tinha CPU de 400 MHz, 250 MB de armazenamento e tela de e-ink de 800 × 600. Isso foi em 2007, mesmo ano do PC descrito acima. Um Kindle de oitava geração, vendido no site hoje tem um processador mais rápido, 4 GB de armazenamento e tela de e-ink de 800 × 600. Tirando alguns refinamentos é essencialmente o mesmo aparelho de 10 anos atrás. Será esse o motivo de não vender tanto?

Eu pessoalmente acho a “acusação” de que o Kindle não evolui no mínimo engraçada. Querem um killer app em um leitor de livros? Ou querem transformar o Kindle em um tablet? Pra isso já existe o iPad. O acesso web “experimental” do Kindle já é uma aberração desnecessária.

Um leitor de ebooks é uma descaroçadora de azeitonas em um mundo de canivetes suíços, esse é o grande problema. As pessoas se acostumaram, mal, a ter uma ferramenta genérica que faz tudo mais ou menos bem, mas nada excelente. O Kindle é excelente para leitura de textos, e só.

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Ele faz sucesso em um subgrupo de leitores vorazes, que se preocupam mais com o conteúdo do que com a forma, gente que não tem que desfilar com um tijolo de 800 páginas para provar a superioridade intelectual. Gente também que não está presa ao passado, dependendo da resposta táctil do livro para entender que está consumindo literatura.

É a mesma coisa que um livro? Não, claro que não, um livro é muito mais gostoso de manusear do que um Kindle, mas é um preço pequeno por poder levar sua biblioteca inteira dentro dele.

A triste realidade é que não é a tecnologia que está matando os leitores de ebooks, são os leitores. As pessoas não leem tanto assim, nem compram tantos livros. Quando compram querem o sentimento de posse, que não existe com o formato eletrônico. Vide a moda de livros de YouTubbers, os fãs não ligam pra ler, mas querem ter o objeto físico relacionado com o ídolo. Uma versão eletrônica? Qual a graça?

Qual a solução para os ebooks? Por hora, nenhuma. Eles continuarão sendo um produto de nicho, como audiobooks. Não que isso signifique fracasso, o mercado continua existindo e se você achar um subnicho conseguirá fazer dinheiro até escrevendo contos eróticos de dinossauros gays, mas a mídia física, o livro de papel nem de longe está tão ameaçado quanto todo mundo acreditava uns anos atrás.

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Autor: Carlos Cardoso

Entusiasta de tecnologia, tiete de Sagan e Clarke, micreiro, hobbysta de eletrônica pré-pic, analista de sistemas e contínuo high-tech. Cardoso escreve sobre informática desde antes da Internet, tendo publicado mais de 10 livros cobrindo de PDAs e Flash até Linux. Divide seu tempo entre escrever para o MeioBIt e promover seus últimos best-sellers O Buraco da Beatriz, Calcinhas no Espaço e Do Tempo Em Que A Pipa do Vovô Subia.

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