Satya Nadella: “a inteligência artificial vai criar mais empregos, não eliminá-los”

Há um medo geral e de certa forma justificado de que num futuro próximo “nenhum emprego estará a salvo, os robôs vão fazer todo o trabalho”. Há motivos para isso, já temos sistemas inteligentes capazes de publicar informes econômicos, notícias de menor complexidadecalcular pagamentos, autômatos capazes de identificar para onde cada pacote expresso deve ir e etc., mas ainda não são capazes de nos substituir por completo. Que o diga o robô pizzaiolo.

A preocupação de especialistas é de que o avanço da robótica leve a uma onda de desemprego global, embora seja certo de que isso será uma verdade principalmente no que diz respeito a ocupações que exigem menor qualificação e principalmente trabalho braçal. A proposta de Bill Gates para a criação de um imposto sobre robôs mira nesse aspecto, de modo a financiar programas de capacitação para quem for substituído por um autônomo e possa dessa forma ser realocado para outras áreas.

Gates não é o único que tem medo dos robôs e inteligências artificiais. Elon Musk já demonstrou preocupação com um cenário de apocalipse robótico, o que o levou a bater boca com Mark Zuckerberg. Já Satya Nadella, CEO da Microsoft é um pouco mais pé no chão e deixando a ficção científica de lado, mudou mais uma vez o foco da empresa recentemente para pesquisas com redes neurais e sistemas especialistas, esses projetos de IA Fraca responsáveis por uma série de produtos que utilizamos hoje, da Siri aos Teslas.

Isso posto o executivo, que esteve presente na última terça-feira (03) na Vanity Fair’s New Establishment Summit 2017 em Los Angeles declarou que o desafio para o futuro é fazer com que a inteligência artifical seja uma ferramenta e possa criar mais postos de trabalho e não elimina-los, embora ele saiba que essa realidade não será aplicável a todos.

“Nós devemos ter uma visão muito clara do papel da automação em relação ao desemprego e devemos combater tal realidade, mas uma das coisas que também espero que possamos tirar vantagem disso é utilizar a inteligência artificial para criar mais empregos.”

Nadella se refere a cenários em que sistemas especialistas sejam utilizados como ferramentas para dar capacidades a pessoas com deficiências, de modo que eles possam trabalhar da mesma forma que um profissional sem limitações físicas. Um dos exemplos dados foi o Seeing AI, um app da Microsoft disponível para iOS que narra ao usuário tudo o que a câmera capta, utilizando sistemas de reconhecimento de imagem e os sensores do iPhone para dar uma descrição do mundo para usuários com visão limitada ou cegos.

Lembra dos sistemas de reconhecimento de fotos com os quais a Microsoft andava brincando? Isto é uma aplicação real.

Isso sem falar que Nadella também defende o óbvio: IAs e robôs precisam de pessoas para opera-los e desenvolvê-los, logo é importante capacitar as pessoas para que preencham essas vagas e revertam o cenário atual, em que não existem profissionais capazes suficientes.

É importante salientar que essa realidade não chegará para todos, e mesmo Nadella reconhece que o empregos de robôs e IAs causarão sim uma onda de desemprego entre trabalhadores menos qualificados, mas sob seu ponto de vista redes neurais e sistemas especialistas possuem a capacidade de dar condições reais para humanos quando utilizadas de uma maneira compatível. Basta que as empresas se conscientizem disso.

Fonte: recode.

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Autor: Ronaldo Gogoni

Profissional de TI auto-didata, blogueiro que acha que é jornalista e careca por opção. Autor do Meio Bit e Portal Deviante, podcaster/membro fundador/Mestre Ancião do SciCast e host/podcaster do Sala da Justiça.

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