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Intel vai passar a produzir processadores ARM para smartphones

O mundo dá voltas… três anos após desdenhar da arquitetura, Intel vai produzir chips ARM para dispositivos móveis e concorrer com os grandes players.

3 anos atrás

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Fato: o mundo dá voltas. Em 2012 a Intel fez pouco caso da arquitetura ARM, disse que ela não tinha futuro e que continuaria a investir na tecnologia x86 para dispositivos móveis. Ela acreditava que a linha Atom era eficiente tanto em capacidade quanto em consumo de energia, e que investir no ARM era perda de tempo.

Pois bem: quatro anos depois a Intel jogou a toalha, visto que a linha de processadores x86 era extremamente engessada (o que dificultava a portabilidade de apps e games) e por causa disso a grande maioria dos fabricantes lhe deu as costas. Até a ASUS, que foi parceira por vários anos eventualmente desistiu. Agora a companhia foi obrigada a baixar a cabeça e anunciar que fechou um acordo para produzir seus próprios chips ARM, e embora atrasada isso pode significar um problemão para a concorrência.

Vamos recapitular a história recente: o grupo SoftBank, conglomerado japonês de telecomunicações comprou a inglesa ARM por módicos US$ 32 bilhões, pagos em dinheiro vivo. Esta é a principal companhia de semicondutores do mercado hoje em dia, embora não fabrique um único chip ela licencia o uso da tecnologia Cortex-ARM presente em nada menos que 95% de todos os dispositivos mobile do planeta, entre smartphones e tablets, sejam eles iPhones, iPads, Androids ou Windows Phones, incluindo aí alguns penetras (BlackBerry por exemplo). Não obstante, processadores com a tecnologia embarcada também se fazem presentes em gadgets como câmeras, filmadoras, impressoras, roteadores, set-top boxes, sistemas automotivos, etc.

Hoje a ARM se faz presente em 80% das câmeras digitais e em 35% de TODOS os eletrônicos do planeta. É muita coisa.

A tecnologia da ARM é licenciada para parceiros como Samsung, MediaTek e TSMC, e estes assumem o compromisso de seguir as especificações na hora de produzir seus próprios chips. A AMD utiliza a tecnologia em servidores, a NVIDIA em seus chips Tegra. A Qualcomm também é um poderoso cliente, seus SoCs Snapdragon utilizam instruções RISC patenteadas pela companhia britânica.

Dentre os aliados da ARM dois devem ser postos em destaque: os brigões Samsung e TSMC são ambos fornecedores de chips para a Apple, e embora a maçã odeie depender dos sul-coreanos ela não estava disposta a abrir mão deles, pois seu laboratório consegue não raras vezes cumprir todas as especificações na hora de produzir os chips Apple AX (e muita coisa do que aprendem acaba indo parar na excelente linha Exynos). A melhora do desempenho da TSMC na última geração e a pisada de bola dos coreanos teria no entanto tirado a Samsung do páreo para 2016 e 2017.

Só que agora a Intel, que já produz processadores para os Macs entrou no páreo. Não muito tempo atrás Cupertino entrou em negociações com a empresa de processadores para que esta se tornasse fornecedora de chips para iGadgets, desde que não fossem x86. Os fracos resultados da linha Atom mobile provavelmente mudaram o modo de pensar da companhia, e o acordo fechado com a ARM muda o cenário para Samsung e TSMC: não há nenhum impedimento para Apple e Intel fecharem um acordo exclusivo de fornecimento de processadores para sua família de dispositivos, já que a fabricante de chips possui décadas de expertise e a maçã pode se beneficiar inclusive de novas tecnologias antes de chegarem ao grande público.

Em todo caso, não será a Apple ou Samsung os primeiros a equiparem seus dispositivos com chips Intel ARM. A LG, que irá desenvolver seus próprios chips será uma das pioneiras com a Intel encarregada de fabrica-los. A chinesa Spreadtrum é outra, já que ela não possui fábrica de processadores. A litografia embarcada nos chips de ponta deverá ser de 10 nanômetros, o que conferirá grande economia de energia e alta performance.

Moral da história: não cuspa para o alto. Ainda que possa se sair bem no fim das contas, a Intel aprendeu essa dura lição da pior forma.

Fonte: Intel.

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