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Puppeteer - Análise

Venham, venham todos! Acomodem-se e confiram a sensacional análise de Puppeteer, um fantástico espetáculo de marionetes exclusivo do PS3!

6 anos atrás

Puppeteer

O mês de setembro foi bem movimentado no que diz respeito a lançamento de games, tendo os medalhões mais do que esperados GTA V, FIFA 14, PES 2014 e Rayman Legends. Entretanto um game que não foi muito divulgado pela Sony merece destaque e mesmo que não acrescente muita coisa ao gênero de plataforma, chama atenção pela personalidade própria e estética exuberante, além do clima de ingenuidade que cativa crianças e adultos.

Trata-se de Puppeteer, um espetáculo visual concebido por uma força-tarefa de desenvolvedores ocidentais e orientais, dando ao jogador o deleite de assistir – e conduzir – uma peça de um Teatro de Marionetes.

Venham! Venham todos!

A história é tão lúdica quanto uma obra voltada para todas as idades deve ser: ao abrir das cortinas somos apresentados ao pandemônio que tomou conta da Lua: outrora um lugar pacífico governado por uma deusa, ele foi usurpado pelo maligno Rei Urso da Lua, que a aprisionou e instaurou um reinado de terror, onde captura almas de crianças da terra e as aprisiona em títeres, fazendo deles seus escravos.

As coisas começam a mudar quando surge Kutaro, um títere que é diferente dos demais: depois de ter sua cabeça arrancada pelo Rei Urso, ele mostra ser o escolhido para acabar com a vilania do tirano. Para isso ele precisa restaurar o Cristal da Lua, a fonte de poder da Deusa, que foi destruído pelo vilão e seus fragmentos divididos entre seus generais.

Um deleite visual, sem dúvida

O pequeno boneco conta com diversas cabeças espalhadas pelos sete atos do game, cada um dividido em três cenas. Os itens possuem habilidades especiais que conferem efeitos diversos quando utilizados em determinados lugares (desde pontos, novas cabeças escondidas e fases bônus), além de ser a energia de Kutaro, podendo até três delas serem armazenadas. Além disso há Calibrus, a poderosa tesoura mágica que o Rei Urso roubou da deusa, a única arma capaz de libertar o reino. Ela escolhe Kutaro como seu mestre (qualquer semelhança com Rei Arthur não é mera coincidência) e permite que ele corte inimigos e partes do cenário, permitindo atingir lugares normalmente inalcançáveis.

Além disso ele recebe a ajuda da excêntrica bruxa Ezma Potts, do apático gato voador Yin Yang e da pequena e mimada princesa do Sol Pikarina, os dois últimos sendo controláveis através do analógico direito, necessários para pegar cabeças e outros itens.

Kutaro e A Grande Onda de Kanagawa

O maior espetáculo do PS3

Visualmente Puppeteer é um deleite, e muito provavelmente o projeto mais ambicioso da SCE Japan Studio, responsável por pequenas pérolas como LocoRoco e Patapon. A apresentação do game como um Teatro de Marionetes é perfeita, com o abrir e fechar de cortinas em cada ato. Você se sente realmente na plateia e o público o tempo todo participa da apresentação, aplaudindo um grande feito ou vaiando quando o vilão entra em cena. Elementos são removidos e colocados no palco o tempo todo, fios, cabos e engrenagens podem ser vistos meio escondidos no cenário e os personagens frequentemente interagem com o narrador e o público, lembrando que o jogo é uma grande e bem executada obra de metalinguagem.

A narração em português é algo já meio lugar comum hoje em dia, e no caso de Puppeteer ela é extremamente competente, algo importantíssimo para um game voltado para crianças. O elenco foi muito bem escolhido e o trabalho foi excelentemente dirigindo, garantindo a imersão na obra.

Cenários lúdicos e incríveis o surpreenderão a todo momento

A condução da história é excelente. O fato de contar com um time misto de desenvolvedores (japoneses e ocidentais) permitiu que Puppeteer se tornasse uma mistura surpreendente de elementos e referências, que vão desde Disney e Ghibli (a fase da floresta é totalmente Alice no País das Maravilhas, enquanto o cemitério remete fortemente a O Estranho Mundo de Jack, sem citar o pirata Capitão Gaff, que é Jack Sparrow sem tirar nem por; por outro lado o game tem uma inegável pegada de jornada pelo fantástico, como em A Viagem de Chihiro) ao primeiro mago do cinema Georges Méliès: a temática e as locações na lua e no fundo do mar foram fortemente inspirados em seus filmes, a saber Viagem à Lua e A Viagem Impossível. Os generais do Rei Urso da Lua, sendo um tigre, um rato, uma cobra, um porco (na verdade um javali) e etc. deixam claro a inspiração do time de desenvolvimento no horóscopo chinês.

O áudio é outro espetáculo.  Além das vozes da plateia há a música, que possui uma sincronia excepcional com os elementos do cenário; ela foi composta por Patrick Doyle (Eragon, Thor, Harry Potter e O Cálice de Fogo), em um de seus trabalhos mais magníficos. E em um extra muito interessante o game expande a história de cada um dos coadjuvantes, liberando um livro que detalha o background de um deles após cada ato concluído.

Um game de plataforma sólido

Uma jogabilidade simples, sem muitas inovações

Talvez para permitir que as crianças apreciem o game sem traumas, o desafio de Puppeteer não é muito alto. A SCE Japan Studio preferiu não ousar tanto e este é um game de plataforma com mecânicas simples, sendo que Kutaro pode cortar o cenário com a Calibrus e utilizar as habilidades de quatro guerreiros lendários: refletir ataques com um escudo de cavaleiro, puxar coisas com um gancho de pirata, jogar bombas com uma cabeça de ninja e dar mergulhos e empurrar/puxar coisas com uma máscara de lucha libre. As inúmeras cabeças não adicionam habilidades especiais, apenas efeitos específicos em pontos pré-determinados do cenário, o que em minha opinião é um tremendo desperdício de potencial, ainda que fosse bem complicado inserir uma vibe mais Kid Chameleon.

Com isso as opções para derrotar os inimigos e chefes são bem limitadas. O que muda na verdade é a forma como você as utiliza, mas não varia muito do corte/exploda/reflita/puxe/cabeceie, e alguns dos chefes são finalizados com um Quick Time Event a lá God of War. Para facilitar o game avisa a todo o momento o que você deve fazer, seja através dos menus ou dicas dadas por Pikarina.

Por fim Puppeteer é um game que não traz inovações ao gênero de plataforma, mas é uma experiência divertida e definitivamente fantástica, principalmente para quem gosta de títulos mais lúdicos e é ideal para ser jogado em família, por pais e filhos. Portanto acomode-se em sua cadeira e aprecie o espetáculo.


PlayStation — Puppeteer - Launch Trailer

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