Micros com alma

Por: em 27/09/06 na(s) categoria(s): Hardware


É muito comum, entre os usuários mais antigos de computadores, surgir a conversa sobre o micro preferido… ou aquele que deixou saudades… ou ainda sobre “o melhor micro de todos os tempos”.

Usuários apaixonados por máquinas de 8 bits, como os Apple II, TRS-80, TRS-Color, Commodore 64,MSX, ZX-Spectrum ou ainda os de 16/32 bits como Atari ST e Amiga, proliferam por toda a internet. Mas por que? O quê nos atrai tanto, em máquinas que nem tinham HDs ( pelo menos, a maioria das que citei ) ?

Talvez seja porque as utilizássemos na infância ou adolescência e, como toda lembrança, elas fiquem melhores com o tempo. Ou talvez porque, naquela época, tivéssemos que aprender, fuçar, nos virar para fazer das limitações, qualidades.

É isso o que diferencia um garoto que aprende a ‘usar’ um PC hoje em dia, daqueles que ‘fuçavam em computadores’ há quinze anos. A grande maioria, hoje, é apenas usuária. Naquela época, quase todos eram ‘fuçadores’, ‘hackers’ no melhor sentido da palavra. Programação assembly, sprites, Filmation-II, Basic, Pascal, peek, poke, sistema binário… eram palavras comuns entre a comunidade da época.

Até o mercado editorial era mais… “profissional”, no sentido do conteúdo das publicações. A revista “Micro Sistemas” era referência… e cada “linha” de micros tinha mais de uma revista especializada. Quem não se lembra da enciclopédia “Input”, da Editora Nova Cultural? Milhares aprenderam programação com ela. Hoje, a referência é a Info Exame…

A parte mais interessante dessa história nostálgica, é que os apaixonados ainda criam software e hardware para seus micros prediletos! É claro que não é o sucesso comercial que conta, pelo menos, na maioria dos projetos, mas sim o prazer de mostrar para os amigos, na maioria das vezes… de dizer “fui eu que fiz, olha que legal!”.

Vejam o caso do MSX: a comunidade é tão grande, que uma empresa japonesa “condensou” o micro numa FPGA ( um chip único, programável, que pode emular várias funções ) e lançou na Tokyo Gameshow. E há muita gente interessada em comprar!

Para quem viveu essa época, é meio frustrante ver a garotada de hoje usando seus poderosíssimos computadores para trocar mensagens com os “miguxos” no Orkut… ou implorar por um vídeo amador de uma celebridade… acho que foram todos assimilados.

Ah… se tivéssemos, naquela época, um centésimo do poder de processamento de um PC popular de hoje…

  • http://pietra@hotmail.com Anônimo

    uso computador desde 97, mas só comecei a mecher mesmo em 2002, depois de ser enganado por um ‘técnico’.
    tenho o velho Pentium 2 @266 até hoje e mesmo depois que eu terminar de montar um novo, o P2 ficará cativo aqui :)

  • http://pietra@hotmail.com Anônimo

    É verdade!! Eu cheguei a fazer um programinha em basic num CP200 e ainda por cima gravei em fita K7, usando gravador… Que coisa doida isso não?

    Falando em micros das antigas, olhem este comercial:

    http://codigodebar.wordpress.com/2006/09/12/recordar-e-viver/

    [ ]s
    Roney Marques

  • http://pietra@hotmail.com Anônimo

    Me lembro que ficava horas digitando linhas de código “copiadas” da Input no meu TK-85, então, depois de inúmeros syntax error corrigidos surgia na tela algo que eu não fazia a mínima idéia pra que servia, ou então, jogos onde um grande quadrado branco era o grande herói salvador.

    Foi bem legal aquela época, aprendi muito.

  • http://pietra@hotmail.com Anônimo

    Podem me chamar de velho, mas comecei programando em assembler no sistema CP/M (alguém se lembra?) para Apple II. Fiquei maravilhado quando lançaram o primeiro HD com 5 MB (é mega mesmo!), num tempo em que disquete era 5 1/4 com 360Kb.
    Depois programei em basic e assembler para MSX e só mais tarde puder comprar um PC XT com 2 MB de RAM!
    Desenvolvi programas em Cobol para os ancestrais PC-700 da Prológica onde usava impressora Elebra monodirecional de 100 cps. Também trabalhei com Unix SCO com Cobol + bTrieve e DOS programando em Clipper e dBase II.
    Os jogos que mais me fizeram feliz foram: Castle I e II para MSX e Load Runner para Apple II, equilibrados entre ação e estratégia.
    O sentimento de saudade é natural porque dedicamos grande parte de nossas vidas na criação de softwares para um mundo carente de soluções.
    Hoje me delicio com jogos cuja qualidade gráfica era inimaginável a 10 anos atrás, num Pentium IV cuja memória da placa de vídeo é muitas vezes maior do que a do computador que levou a Apollo 11 até a Lua…

  • http://pietra@hotmail.com Anônimo

    E não é so no exterior que tem coisas novas de MSX. Aqui no Brasil o nosso “professor Pardal” Ademir Carchano continua na ativa.

    http://www.msxprojetos.com.br

  • http://pietra@hotmail.com Anônimo

    Pois eu sou um da nova geração de “fuçadores”.
    Tenho 16 e tenho me dedicado a ciência da informática há 4 anos. Atualmente desenvolvo em C++ e Assembly. Comecei com C (subi e desci um nível ao mesmo tempo, hehehe).

    As linguagens e as máquinas estão mais evoluídas, claro, mas sinceramente não vejo tanta diferença assim entre eu e o pessoal da outra geração.
    Tudo evolui e com os PCs (principalmente) isso não seria diferente. É normal existirem diferenças (que pareçam) grandes mas se formos analisar mais melhor veríamos que a essência é a mesma…

    Eu diria que programar antigamente era mais fácil porque não teríamos que aprender inúmeras funções da API e tantas regras para segurança, manutenção e reusabilidade do código.
    Com certeza alguém da geração passada me diria que programar antigamente era mais difícil pois não havia tanta informação como hoje, as linguagens eram mais fracas e o nível de abstração era menor…

    Entendem oque quero dizer?
    Bem, essa é apenas minha opinião =)

  • http://pietra@hotmail.com Anônimo

    Desculpem pelo “mais melhor”… Esqueci de apagar a palavra “mais” ao reformular minha frase.

  • http://pietra@hotmail.com Anônimo

    Ivan, programar hoje é muito mais fácil do que antigamente, não há comparação entre um VisualStudio ou um Eclipse e o Turbo Pascal.

    O que o Marcellus levantou não é isso, a questão dos fuçadores é que quase ninguém (você é exceção e sabe disso) se interessa pelo que acontece nos bastidores, apenas usam.

    É válido para usuários finais, mas já vi muito analista de sistemas que não tem idéia de NADA que acontece dentro do computador.

  • http://pietra@hotmail.com Anônimo

    Por me preocupar com o que acontece nos “bastidores” que me preocupo e muito com os rumos da programação atual. Como exemplo de um dos meus pesadelos, onde iremos parar se todos migrarem para aberrações como Java e .NET? Fazem o trabalho? Fazem. Mas você iria fazer uma bazuca para matar uma barata, quando um estilingue já dá conta do trabalho? Falta a noção vital da antiga de “fazer mais com menos” na programação atual.

  • http://pietra@hotmail.com Anônimo

    Cardoso, era apenas um exemplo, hehehe… Nas viu como cada um defende o seu, hehehe. =)

    DarkMaster, é importante para um bom programador saber como o programa dele realmente funciona! Você já viu algum Debugger em Delphi ao invés de Assembly??
    Java e .NET não são aberrações, mas realmente não são as ferramentas aconselhadas para desenvolver pequenos programas… Por enquanto, no presente momento da informática eu fico com o unmanaged, mas quem sabe do futuro?
    Os computadores evoluíram muito em pouco tempo… Quem sabe daqui alguns anos programar unmanaged seja considerado fora dos padrões, com processadores cada vez mais rápidos e memórias cada vez maior não duvido que isso demore a acontecer…
    Vlw galera =)

  • http://pietra@hotmail.com Anônimo

    Quem se lembra da Redefinição de caracteres nos TK?

    Bem lembrado pelo kazowatti: The Castle I e II, jogava até altas madrugadas pra chegar no final e libertar a princesa…heheheehe
    Ping-pong da Konami(MSX), Space Invaders, Donkey Kong, TwinBee, e por aí vai.

    Excelente começo, e eu tive sorte de ter isso.
    Ainda tenho: TK-82C(c/ expansão de 16K), TK-85, TK-95(cor e som), HotBit e Expert, e alguns acessórios.

    Estão ligados e em uso, quando posso.

    E estou incentivando a minha prole e ter esse começo também, melhor não há(Z80).

    Grande abraço,

    Jason.

  • http://pietra@hotmail.com Anônimo

    Aquilo era magia negra, Jason. Alta resolução mapeando a tabela de caracteres via estouro de um registrador que nem deveria ser acessivel ao usuario. Lindo, lindo de se ver e entender.

  • Cybermandrake

    E os “blocos gráficos”? Aquela gambiarra pra usar a resolução da tela, em cores (senão tudo ficaria borrado, já que cada bloco 8×8 tinha apenas duas cores. No MSX, a limitação era 8 bits em cada linha, o que era mais flexível mas tinha consequências bem visíveis em certas aplicações, inclusive no programinha de apresentação do Expert).

    E a tabela de formas do Apple II? Pequenos vetores com 3 bits para cada direção, uma linguagenzinha de máquina só pra isso! Depois você podia aproveitar as formas no seu programa.

    Definir sprites no MSX lendo linhas DATA? Ou carregar um programa em linguagem de máquina do mesmo jeito, dando POKEs e depois salvando (BSAVE) a bagaça (ou usando DEFUSR pra definir uma sub-rotina invocável a partir do BASIC).

    E o comando CALL do MSX? Era tão flexível que era difícil de entender (tinha a haver com a divisão da memória em páginas de 16K, que podiam se alternar na memória física de 64K pra dar acesso a até 1M de RAM. Parece familiar?)

    Tempos interessantes, aqueles.