Google adquire Motorola Mobility por U$ 12,5 bi e mostra que #mimimi pode ser uma eficiente técnica de distração

Aqui no Meio Bit estivemos atentos para uma história que tem se desenrolado nesses últimos dias. Ninguém gosta muito de iniciar um debate quando um dos lados já começa dizendo que está sendo vítima de um “consórcio” e depois ainda chia publicamente, evocando espíritos do mal e teorias conspiracionistas. Entretanto, o que pode acontecer quando a conspiração é real mesmo e o #mimimi vem de um gigante?

Depois das declarações irritadas de Drummond, a Microsoft disse e repetiu (via Twitter) que o Google reclama de um eixo do mal, mas não desce para o play para o quebra-canelas. Só que hoje, sem avisar ninguém, o Google publicou em seu blog uma pequena gigantesca nota que dá conta de como ela pretende responder às práticas de sua competição: a compra da Motorola Mobility por US$ 12,5 bilhões de dólares. #kaboom! Pois é…

O post é pequeno e cronológico, mas a sua relevância é grande. Nele, o próprio Larry Page, CEO do Google, arredonda alguns pontos sobre a expressiva história da divisão de mobile da Motorola e diz brevemente o que espera que resulte da união de Motorolans e Googlers após a aquisição.

“Nossa, mas será que o Google leva mesmo assim tão a sério aquela famosa frase de Steve Jobs que diz que ‘qualquer marca realmente interessada em software deve produzir o seu próprio hardware’ e vai sair comprando geral quem licencia e produz com Android OS?”

Certamente que não. A compra da Motorola Mobility tem pouco ou nada a ver com know-how do adquirido e muito mais a ver com a razão dessa peleja e troca de carinhos com a Apple, Microsoft, Oracle e o Ricardo Eletro: a guerra de patentes.

É óbvio que podemos esperar que o grande portfólio da Motorola em patentes vá amplificar o escopo do Android e pode colaborar efetivamente para que muitas arestas sejam aparadas.

Esse novo cenário aclara talvez uma das primeiras e mais consistentes formatações de um projeto Open Source; algo que já se percebeu ser necessário para embates com outros titãs como o iOS da Apple e “Microkia”, que ainda não mostrou a cara, mas do qual ninguém duvida que terá grande importância no mercado.

Aliás, adicione aí à sua lista de acrônimos estranhos o nome “Googlorola” quando falar do Android. E antes que alguém inflame o assunto pelo buraco errado, é bom esclarecer que os U$ 12,5 bi foram só pela divisão Mobility da Motorola, não pela Motorola toda ok?

Mas isso aí é prêmio. Na posição que o Google ocupa e para que as coisas chegassem ao ponto de o próprio VP da empresa colocasse a boca no trombone e saísse disparando contra a competição, a guerra estratégica de bastidores já tinha atingido o ponto de ebulição há um tempo.

Mesmo com o melhor e mais brilhante dos projetos – e não estou dizendo isso do Android – sem que a problemática das patentes esteja resolvida, o resultado é o mesmo que nada. É exatamente aí que o combate de inteligência dá lugar a truculência política que só o dinheiro pode resolver.

O Google reclamou, talvez indiscriminada e não tão justamente assim – afinal, é ‘show business’ e não ‘show friends’ – enquanto todos esperavam que a coisa fosse ficar apenas no #mimimi.

E por que entrar num processo lento e penoso para comprar as patentes necessárias, nesse momento, para se colocar em pé de igualdade de resposta, quando se pode abrir o talão e comprar logo toda a empresa de uma vez?

O Cardoso até mencionou um email de Kent Walker (Google) enviado via o Twitter do Frank X. Shaw, CCO da Microsoft, que chutava a cabeça do adversário ‘caído’ e provocava Drummond, indicando que se eles mesmos não quiseram entrar no leilão de patentes, que não reclamassem.

Por aqui, ficamos só de olho nessa história e se isso foi, de facto, uma cortina de fumaça para atrair a atenção e fazer com que todos achassem que o Google ficaria apenas reclamando do ‘jogo sujo’ do Consório, então foi genial. Afinal, não é uma compra de quitanda, nem todo mundo esperava isso e com certeza essa não é uma negociação de muito longa data para começar a vender StarTacs com Android.

Pode ser mesmo que o Google tenha negociado mais imediatamente para dar uma resposta de peso, quando se viu ameaçado pelos outros cabeções se macumunando ao seu redor. O que só mostra o quanto muita grana pode resolver certas trombadas. Será interessante ver como isso vai ficar. Por hora o discurso de empresas concorrentes da Motorola ainda está bem afinado.

Snatch

"Snatch"

O que acabou me lembrando nessa história toda de uma cena impagável de um dos meus filmes favoritos, ‘Snatch‘ do Guy Richie.

Lá para o final Mickey ‘The Pikey’ arrebenta a fuça do Bomber Harris com uma muquetada quase post-mortem. Com a confusão instalada, ele (Pitt), o Turco (Statham) e Tommy (Graham) tentam sair correndo dali antes que sejam esquartejados por romperem um acordo envolvendo uma armação por dinheiro e apostas na luta.

Do lado de fora, um tiro bem alto desenha expressões ridículas de susto com o estampido no rosto dos dois, menos na cara do cigano Mickey, que tinha armado o esquema todo para dar uma de morto e depois jantar todo mundo.

Daqui de longe, tenho certeza de que ao menos um pequeno número de pessoas repetiu em silêncio a frase do Turco no final daquela luta:

“Now, we are fucked!”

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Autor: San Picciarelli

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