A louca técnica aliada de resgate de planadores

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Um grande problema nas invasões militares é que o inimigo não colabora. Aviões são ótimos para transportar com rapidez soldados e suprimentos, mas raras vezes o lado invadido oferece os aeroportos para os invasores. 

No Desembarque da Normandia foi assim, então o jeito foi usar planadores. Lentos, baratos, eles transportavam tudo. Tropas, jipes, munição. Do Waco CG-4 foram feitas 14 mil unidades, cada uma capaz de levar 2 toneladas e pousar a meros 80 km/h.

Normalmente esses planadores, feitos de madeira, eram de uso único: um planador convencional sem motor precisa de uma pista e um avião para decolar, mas como helicópteros ainda estavam em fase altamente experimental, era preciso algum meio de recolher feridos graves sem ter acesso a um campo de pouso, e aí surgiu uma das idéias mais loucas da guerra.

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Um planador em boas condições em um campo relativamente plano seria preparado com uma espécie de varal preso a uma corda grossa. Um C-47 viria BEM baixo, com um gancho e capturaria o varal.

Um sistema de carretilha desenrolaria uma corda de 300 metros, mantendo tensão para puxar o planador, mas sem o tranco de ancorar um C-47 a mais de 1 t de peso morto, o que costuma derrubar aviões.

Para os passageiros seria gentil, a aceleração máxima era de 0,7 G.

O mais louco de tudo? Funcionou perfeitamente.


British Pathé — Glider Snatching (1949)

Fonte: War is Boring.

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Autor: Carlos Cardoso

Entusiasta de tecnologia, tiete de Sagan e Clarke, micreiro, hobbysta de eletrônica pré-pic, analista de sistemas e contínuo high-tech. Cardoso escreve sobre informática desde antes da Internet, tendo publicado mais de 10 livros cobrindo de PDAs e Flash até Linux. Divide seu tempo entre escrever para o MeioBIt e promover seus últimos best-sellers O Buraco da Beatriz, Calcinhas no Espaço e Do Tempo Em Que A Pipa do Vovô Subia.

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  • PPKX XD ✓ᵛᵉʳᶦᶠᶦᵉᵈ

    A música de fundo e a narigada do planador qdo é puxado são as melhores partes do vídeo!

  • Mateus Vieira Machado

    Guerras e as suas mais incríveis invenções. É cada coisa que já li por aí…

  • Ivan

    Qual a distancia que podiam planar?

    • depende da altitude em que eram lançados.

    • De acordo com a Wikipedia, em uso tático ele descia a 2 m/s e planava a 96 km/h.
      Então são 2 m/s para baixo e 26,6 m/s para frente… o que dá uma razão de planeio de 13,3:1.

      Naquela época certamente diziam “é o que tem pra hoje”.

      • Rodrigo Carvalho

        Não que seja lá muito útil, mas só pra gente comparar a evolução tecnológica: O Lito do AeM disse que a razão de planeio do Boeing 777 atual (um pouquinho mais pesado) é de 17:1 (para cada metro de queda, são 17 metros à frente).

        • Telio Oliveira da Silva

          O peso não tem relação com razão de planeio. Um Boeing 777 totalmente carregado tem a mesma razão de planeio que um Boeing 777 completamente vazio. (O que muda é somente a velocidade do planeio)

  • Foi pensado para recolher os combatentes feridos. O pensamento certamente foi o seguinte: “Eles já estão condenados… Se der certo, é lucro, se não der, não perderam nada.”

    • Isso sem contar o Sistema de Resgate Superfície/Ar Fulton, ou Skyhook. Todo mundo achou engraçadinho em Metal Gear Solid V: The Phantom Pain mas foi um sistema real, utilizado até os anos 1990.

      https://www.youtube.com/watch?v=qkNiOjJvlS4

    • Rafael Rodrigues

      Perderiam sim. Tanto Churchill como Eisenhower mais de uma vez ressaltaram a importância do material humano sobre o equipamento.
      Um dos dois, não me lembro qual (cito de memória) disse algo do tipo: “Aviões nós produzimos aos montes, um piloto demora pelo menos 1 ano para ser formado.”

      • É… Mas neste caso não se aplica. São combatentes feridos… Eles não vão voltar ao campo de batalha tão cedo. Considerando a época, é certo que não voltem nunca mais. A importância em ter uma forma de resgatar os feridos está muito mais em manter a moral da tropa, fazendo os combatentes acreditarem que mesmo feridos alguém está preocupado com eles. Imagine se você é um soldado e sabe que, se for ferido, ninguém vem lhe resgatar. Você provavelmente não vai lutar pelo seu país com a mesma vontade, não é mesmo? 😀

  • Alf

    Louco foi o projétil/missil/foguete , sei lá, voando entre o planador e o “avião guincho”

    • Thiago Leal

      voltei só pra ver.

      • Alf

        E viu?
        Louco né ?

        • Guilherme Furtado

          acho que foi o sinalizador pra avisar que iam soltar o cabo

  • Gedson Junior

    É usado esse esquema também naqueles aviões que levam faixas de propaganda.

  • Cristiano Borges Milhomem

    A necessidade faz o sapo pular, guerras trouxeram muitas idéias loucas que funcionaram… a qualidade das imagens impressiona e a cara de badass do comando do C-47 é impagável também, mas acho que badass mesmo era o cara que ia no planador fazendo esses testes, tá é louco, ironballs mode on!

  • gfg

    Quer dizer que qualquer semelhança não é mera coincidência?
    Mais um artigo brain explode. https://uploads.disquscdn.com/images/c830d34ea159cce80bcab0457b96232748d7c0f4d6d50f81c30a5c5da3d2ca5a.jpg

    • Bruno do Acre – (Etevaldo)

      bátima manja da guerra

  • Bruno do Acre – (Etevaldo)

    Ah as guerras, sempre despertando o melhor da humanidade….

  • Jorge Dondeo

    FODA!

  • Alexandre Asakura

    Bom mesmo é o cara limpando o para-brisa na mão igual eu e meu pai viajando de opala quando chovia! kkk

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